UM CURSO EM MILAGRES
27 DE NOVEMBRO DE 2002
4ª FEIRA

Jorge: Vamos fechar um pouquinho os olhos, nos preparar para a meditação, relaxar profundamente. Inspirem profundamente pelo nariz e soltem o ar, bem devagar, pela boca...continua. É o relaxamento que precede a meditação. Meditar é o ato de ditar para mim mesmo aquilo que eu quero que aconteça.

A nossa Meditação é:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Jorge: Gostaria de dar as Boas Vindas aos novos participantes. Este é um grupo de trabalho onde usamos o livro Um Curso em Milagres como instrumento de aprendizado. Ele é um instrumento entre milhares de outros, tão bom quanto, mas este é o que nos pareceu bom para nós neste momento. Ele não é o único, existem milhares que podem ser usados como caminho. O que queremos é entrar no caminho para recuperarmos a nossa paz interior, a nossa fé em nós mesmos, a nossa alegria de viver e dissolver todos os nossos bloqueios.

O propósito do livro, está escrito no começo, o livro não pretende ensinar o que é o amor, isto está além do que pode ser ensinado. Mas, usando o que esta no livro, como instrumento, podemos aprender a remover os bloqueios ao amor. Então, não dá para explicar o que é o amor, mas se a gente for removendo os bloqueios, ficamos mais amorosos. Na minha percepção, associo o amor com alegria, felicidade, com bem-estar, com paz, com equilíbrio, com harmonia, com respeito e liberdade. Podemos associar o amor com muitos adjetivos que conhecemos, mas conhecer o que é eu não sei. É algo para se sentir, não há como explicar, como ensinar, mas há como aprender, removendo aquilo que nos causa dificuldades para estarmos neste estado.

Princípio 12
Milagres são pensamentos. Pensamentos podem representar o nível mais baixo ou corporal da experiência, ou o nível mais alto ou espiritual da experiência. Um faz o físico e o outro cria o espiritual.

Participante: Compreendi que os milagres acontecem na nossa mente e é lá que direcionamos, fazemos as escolhas, ou o físico, ou o espiritual.

Participante: Entendi que, temos pensamentos, eles fazem ou criam, são as nossas experiências. Quando temos um pensamento num nível mais baixo, fazemos no físico, na matéria. Quando o nosso pensamento se eleva passamos a criar. Os milagres acontecem quando o pensamento está no nível mais alto.

Jorge: Nosso nível de compreensão está bem parecido. O milagre acontece a nível do pensamento.

Ele tanto pode se expressar para baixo, quanto para cima, depende em que nível nós colocamos o pensamento. Se colocarmos o pensamento para baixo, vamos experimentar a coisa no nível corporal. A gente diz para baixo ou para cima, isto é um conceito. Não quer dizer que para baixo seja ruim, não é que seja degradante, não é neste sentido. Simplesmente usamos isto como uma conceituação, embaixo e em cima.

Compreendemos assim: A nível corporal, ou a nível físico, quando nós colocamos nossa mente aí, o princípio diz que nós fazemos e tudo que fazemos está sujeito às leis físicas. As leis físicas são as leis da impermanência, estão sujeitas ao tempo, à temporalidade. Posso fazer uma construção no nível físico e acontece um temporal e a construção cai. Colocando os pensamentos a serviço do nível físico, nós fazemos, mas este fazer está sujeito às leis físicas, às leis corporais. Tudo o que fazemos um dia será desfeito. Por isso que se diz, tudo é pó ‘tu és pó e em pó tu há de te tornar’, isto é uma referência ao nível corporal e a tudo que construímos no nível corporal. O nosso corpo está nesta condição, a nossa casa está nesta condição, a rua, a estrada, a ponte, o viaduto, o carro, tudo, tudo o que nós temos obedecem estas leis. São coisas que foram feitas, colocada a mente a nível físico, onde temos as experiências corporais.

Tudo o que nós fizemos, será desfeito. Esta sala aqui foi feita, inicialmente houve um pensamento, se alguém não tivesse pensado nesta sala ela não estaria aqui, alguém pensou antes que fosse feita, depois de pensada ela foi materializada. Pegaram os materiais de construção e fizeram a sala que tinha sido pensada anteriormente por alguém que colocou o pensamento a nível físico. É claro que esta sala vai deixar de existir. As pirâmides vão deixar de existir, é o que restou de um grande império, são o símbolo de um império fantástico, que deixa de existir. Tudo o que foi feito, será desfeito, um dia vai cair, se não for de um jeito será de outro, os nossos corpos também. Quando você coloca o pensamento a nível material, trabalha as experiências a nível corporal, neste sentido o pensamento faz.

Quando colocamos o pensamento a serviço do espírito, segundo a nossa conceituação, no nível mais elevado, ali nós criamos, o que é criado aí é eterno, esta é a diferença. Evoca aquela citação que diz ‘cria os teus tesouros no céu, onde as traças não podem corroer’. É uma citação para começarmos a colocar um pouco o nosso pensamento a serviço daquilo que não se desfaz nunca. A nossa mente não se desfaz nunca, ela sempre vai estar colocada para baixo, ou para cima. Neste sentido os milagres acontecem. O milagre é uma intercessão do nível mais baixo, aonde nós colocamos o pensamento, como um nível mais acima.

Alguém gostaria de compartilhar?

Participante: Quando diz no princípio ‘Pensamentos podem representar o nível mais baixo ou corporal da experiência, ou o nível mais alto ou espiritual da experiência’ eu estou entendendo que nos dois casos , no plano físico ou espiritual, gerando uma ação construtiva, é um milagre. Tudo aquilo que chega e você constrói alguma coisa, tanto físico ou espiritual, é um milagre. Está correta a minha interpretação?

Jorge: O que é feito no plano físico não é eterno. Nós colocamos assim: A pessoa estava com uma doença no pé, aí aconteceu um milagre e curou aquilo, curou a doença, a doença desapareceu. Curou a doença para sempre? Então, não adianta fazer milagres a nível físico, neste sentido. Por quê? A pessoa vai ficar doente de novo.

Participante: Estamos neste plano que é físico, embora na temporalidade, temos que fazer deste plano o melhor possível com ações construtivas.

Jorge: Neste sentido, sim! Nós já aprendemos anteriormente que tudo que existe neste plano é instrumento para aprendizado da mente. Vamos usar tudo para aprender aquilo que não é palpável. Vamos usar os materiais que temos à disposição para aprender a construir. Mas enquanto estamos fazendo isto aqui são instrumentos de aprendizado, estamos tentando compreender na mente como é que se constrói. Mas o milagre real não é a construção física, é a compreensão, como se constrói.

Como é que eu vou dizer para você construir uma coisa no plano espiritual? Eu não consigo compreender isto! Eu não consigo criar se não estou vendo, por exemplo.

Alguém pode chegar e dizer para você ‘pode começar a criar no plano espiritual, agora!’ E aí? Você sabe o que é isto, o que você vai criar e como você vai criar? Então, como é que começamos a compreender isto? Isto é uma introdução a este questionamento para a gente começar a pensar a respeito. O milagre está a nível do pensamento, quando ele é dirigido para o nível físico, ele faz, quando ele está dirigido para o nível espiritual, ele cria. Estamos introduzindo, talvez, uma nova idéia na nossa mente para começar a pensar a respeito. O questionamento que você está fazendo é válido.

Por quê? Porque eu posso fazer a nível material, ou físico e ao mesmo tempo estar criando a nível espiritual. Depende do que eu faço. Por exemplo: A rua está cheia de buracos, eu vou lá e digo ‘puxa vida, eu poderia facilitar a vida das pessoas se eu fizesse uma calçada nova, ali onde tem um degrau vou substituir por uma coisa que facilite a vida dos deficientes físicos também’. Quando você faz com o pensamento mais elevado, você cria no espiritual e faz no físico.

Participante: Então, faço no físico e crio no espiritual quando o meu objetivo é tornar a vida das pessoas melhor.

Jorge: Quando você tem por objetivo ‘puxa vida, eu acho que eu poderia ganhar algum dinheiro se oferecesse para ele fechar os buracos da rua e fazer uma rampa aí’. O teu pensamento está todo no nível do fazer materialmente. A construção é a mesma, depende como você coloca o teu pensamento. O que você vai fazer é o mesmo, o preço que você vai cobrar é o mesmo. Você oferece para fazer o trabalho, fechar os buracos do caminho, põe um preço, vai custar dez reais. Se você vai fazer aquilo com o pensamento elevado, para facilitar o caminho das pessoas, você está criando pra você no plano espiritual. Se você coloca o teu pensamento no nível físico, vou fazer para ganhar, você está apenas fazendo.

Participante: O próprio trabalho da pessoa pode ser visto desta forma. O objetivo da pessoa pode ser construtivo, embora remunerado, vai depender do sentimento.

Jorge: É, é o pensamento! A pessoa vai fazer aquele trabalho igual e vai receber aquele dinheiro da mesma forma, mas se o teu pensamento está só no nível da matéria, você não criou nada, você só fez aquilo. Se você fez aquilo com o teu pensamento no nível amoroso, você fez com amor e criou no nível espiritual. Tudo que se faz com amor nós criamos no nível espiritual. É só perceber aquilo que estamos fazendo no dia-a-dia. Já que eu tenho que fazer, então vou fazer com amor, vou fazer pensando num nível mais elevado.

Com uma coisa a considerar: Tudo que nós fazemos se desfaz aqui neste nível. Não é para ficar preso ao que nós fazemos. Um dia faço o caminho e no outro dia passa um trator pesado e desfaz aquilo que eu fiz com tanto amor. E daí? O que ficou? Você tem que se dar conta que aquilo tudo é treinamento. Tudo o que nós fazemos é treinamento para aprender a criar com amor.

A mesma coisa se eu vou cuidar duma pessoa idosa, por exemplo. Cuido com tanto amor e de repente a pessoa morre. Construo uma casa com tanto amor e depois de cinco anos o dono da casa resolveu demolir a casa e construir um prédio. E aí, você está preso àquela coisa? Não! Você tem que ter consciência que tudo que se faz a nível físico será desfeito, é só treinamento. A criança recebe aqueles brinquedos de montar . A criança constrói casinhas, carrinhos com aquelas peças, depois de pronto, desmonta tudo e começa tudo novamente. Este é o treinamento que nós temos que ter na mente, esta clareza. O pensamento, é onde o milagre acontece. O pensamento dirigido para o nível físico, faz, dirigido para o nível espiritual, cria, o que é feito será desfeito e o que é criado é eterno. Mas as coisas não estão separadas, a gente separa para entender o que é físico e o que é espiritual.

Participante: Associei esta explicação com a cruz. Enquanto estamos fazendo estamos no horizontal. No momento que elevamos o nosso pensamento, verticalizamos, onde criamos.

Participante: O milagre pode ocorrer só no físico?

Jorge: Não! Só no físico ele não acontece . O milagre acontece a partir do pensamento, podemos senti-lo com uma experiência corporal e como uma experiência espiritual, ele não é só físico, não é um fenômeno físico.

Participante: Então, é uma escolha?

Jorge: Quem direciona é o pensamento. Se você constrói uma casa por mais cuidados que você tenha, afastando os riscos, mesmo assim você sabe que ela vai ruir. Você sabe que o corpo também é passageiro, que tudo é passageiro, tudo é transitório aqui. Mesmo uma cura física é passageira. Mesmo que você cure a audição de um surdo, os ouvidos, uma hora irão parar de funcionar igual, um dia a pessoa morre e aquela audição parou de funcionar igual. Os milagres físicos, neste sentido, dizemos que são experiências corporais, mas os milagres acontecem na mente, porque é ali que se processa e evolução.

Participante: Para mim, agora, ficou mais claro. Tudo que eu apenas fizer no físico, um dia será desfeito e tudo o que eu fizer com amor eu estarei criando no nível espiritual.

Livro Texto
Página 12
Capítulo 1 – O SIGNIFICADO DOS MILAGRES

IV . Como escapar da escuridão
3.
A escuridão é falta de luz, assim como o pecado é falta de amor. Não tem propriedades exclusivas em si mesma. É um exemplo da crença na “escassez”, da qual só o erro pode proceder. A verdade é sempre abundante. Aqueles que percebem e reconhecem que têm tudo, não têm necessidades de espécie alguma. O propósito da Expiação é restituir tudo a ti, ou melhor restituir tudo à tua consciência. Tudo te foi dado quando foste criado assim como a todos.

Participante: Não conseguimos gerar a escuridão, não existe uma força que gere a escuridão, ela é a falta de luz. Outra coisa que chamou a minha atenção neste parágrafo é assim: às vezes olhamos para uma pessoa que não tem muitas posses, mas ela não sente falta de nada. Está satisfeita com aquilo que tem. Outras pessoas com muitas posses, por vezes, estão ansiosos querendo mais posses, sente que sempre está faltando ainda.

Me lembrei duma estória do pescador e do empresário:

Uma estória:

O empresário vê o pescador deitado na rede, numa tarde de sol e pergunta por que ele não está trabalhando, pois ele poderia estar pescando, assim renderia mais, ficaria com mais dinheiro, poderia, então comprar um barco maior, daí pescaria ainda mais, logo teria uma grande empresa.

O pescador perguntou: Para que tanta riqueza?

O empresário respondeu: Para que você possa descansar, quando chegar a uma certa idade!

O pescador olha para o empresário e diz: Mas o que eu estou fazendo agora?

Participante: Fazendo a Expiação saímos da escassez e entramos na abundância, não sentimos mais falta.

Participante: O pecado ou erro ele não existe realmente, apenas é falta de amor.

Participante: Acho que a gente também não deve se acomodar, devemos nos esforçar para adquirir as coisas. Não sei se eu ainda estou muito apegada às coisas, mas acho que o amor e uma cabana, pode ser muito lindo, entretanto devemos tentar melhorar, por nós mesmos e para a nossa família, não para acumular riquezas mas para ter o suficiente para uma vida digna. Estou errada?

Jorge: Aqui cada um fala a sua percepção. Estamos aqui para nos trabalhar. Não tem certo e errado, é como você está percebendo. Nós não julgamos ou criticamos, cada um aprende com as colocações e percepções dos outros.

Participante: Se a humanidade toda fosse como este pescador, não haveria progresso, e poucas experiências teríamos. Acredito que o homem foi criado para crescer com as experiências.

Participante: Achei interessante a frase ‘aqueles que percebem e reconhecem que têm tudo, não têm necessidade de espécie alguma’. Nosso ‘estar aqui’, o nosso caminho neste mundo é ter esta consciência, que temos tudo e que não temos necessidades. Deus, quando nos criou, nos criou perfeitos. Se hoje estamos com necessidades é porque alguma coisa errada nós fizemos. A Expiação é o caminho, com ela voltamos a ter a consciência de que temos tudo. Um dia nós tivemos tudo e perdemos esta consciência. Acredito que quem está com este propósito de votar a Deus, que é Filho de Deus e tem direito à herança, nada falta para ele, tudo vai ser dado para que ele volte a casa do Pai. Se ele necessitar de alguma coisa como instrumento de aprendizado, para voltar a casa do Pai, isto será dado. Mas ele tem que ter consciência que está neste mundo para retornar ao Pai. Sem esta consciência não fará diferença ele ter abundância material ou não.

Jorge: Percebi umas coisas muito interessantes. Eu nuca tinha me dado conta que realmente não tem nada capaz de produzir o escuro. Para termos o escuro, temos que retirar toda a luz. Não existe algo que eu possa ligar na tomada, por exemplo, e isto vá escurecer a sala, não tem uma lâmpada para fazer escurecer. Só a luz pode abolir a escuridão, a escuridão não tem como abolir a luz. O barulho pode abolir o silêncio, mas o silêncio não pode abolir o barulho. Neste sentido, a escassez é a mesma coisa. A abundância pode abolir a escassez. Por que não tens abundância? Porque acreditas na escassez! Por quê acreditamos na escassez? Porque nós nos separamos do Pai! É como uma criança, cujo pai é dono de uma rede de supermercados, briga com o pai e sai de casa. Não volta, porque acha que se voltar o pai vai castigá-lo, tem medo do castigo porque cometeu um erro. Não perdoa os erros que ele julga que o pai cometeu em relação a ele, ou que os seus irmãos cometeram e não perdoa a si mesmo pelos erros que cometeu e tem medo do castigo.

Expiação, da maneira como o livro coloca, é ir lá e desfazer todos os erros, é jogar luz onde tem escuridão e voltar para casa onde tem tudo. Imagina que este rapaz, que é filho do dono duma rede de supermercados, ele é herdeiro natural de tudo isto, não importa se ele esqueceu disto ou não. A abundância existe e ele esqueceu que é filho do dono do supermercado, não vai mais lá, não quer recuperar a sua consciência perdida, não quer desfazer os erros, não quer trabalhar com o perdão e por isso sofre. Imagine se este filho não vai ser bem recebido, se não vai ser oferecido tudo para ele se ele quiser voltar. Mas para quê ele vai querer levar as prateleiras do supermercado para casa, isto não faz sentido. É o que, às vezes, nós queremos fazer. O que nós temos que restituir é a nível da nossa consciência, que tudo é para nós, nada vai ser negado para o filho. Se tudo é para nós, nós somos o Filho, então nós temos que sair da nossa mente de escassez.

Esta questão ‘...e nada te faltará’. Não quer dizer, bom, nada me faltará, então espera aí, está me faltando um iate, e aí Pai, cadê o iate? Não é neste sentido, porque não cabem iates no mar para tantas pessoas que tem no planeta. O que você vai fazer com o iate? Para que serve isto? O que nós temos que compreender com ‘...nada te faltará’, é assim: Jorge, você tem um iate? Não! Não te faz falta? Não! Se eu te oferecesse um? Não sei se eu iria querer, para quê serve isto? Ora, se você tiver um iate, você contrata um marinheiro para dirigir o iate, contrata alguém para dar a manutenção, você paga um iate clube! Mas daí eu vou ter que trabalhar mais para pagar estas despesas todas! É, mas você pode passear uma ou duas vezes por ano no iate! Acho que não quero, não me serve.

Então, por que nós construímos na matéria, ou porque deixamos de fazer. Fazer construções não significa nada, deixar de fazê-las, também não. Agora, veja assim, aonde que está o aprendizado? Nós podemos aprender com o pescador que não faz nada e com o empresário que fez uma frota de barcos. O que nós podemos aprender com os dois?

Aquele que fez a frota de barcos construiu uma coisa exclusivamente a nível físico, da maneira como nós podemos compreender, olhando por este ângulo, ele fez tudo aquilo para poder, uma vez por ano deitar na rede. Isto tem algum sentido espiritual? Se olharmos só o processo material, ele só construiu aquilo, não tem sentido espiritual, nada foi criado a nível espiritual, ele apenas fez.

Se olharmos para o pescador que só pega um peixe por dia e o resto do dia, deita na rede, você pergunta para ele: O que você está fazendo? Nada! Então, ele não está fazendo, nem está criando.

Neste nível os dois estão em igualdade de condições, aí, se for assim, eu fico do lado do pescador. Se fizer alguma coisa que não serve para nada, estou trabalhando, trabalhando sem sentido nenhum, só no sentido material, então já vou descansar agora . Qual é o aprendizado que podemos colher das duas partes? Tudo o que eu faço a nível material, que o propósito é material, também não serve para nada.

Para o empresário, que tem uma frota de barcos, poderíamos dizer: ‘Você poderia dar condições a muitas pessoas, que estão neste planeta, se alimentarem, porque a razão de estarmos aqui é aprendermos e muitas pessoas, às vezes, não tem condições de aprender, porque não têm condições nem de encher o estômago. Você estaria dando oportunidade para que estas pessoas tivessem um aprendizado e junto com o trabalho, pode dar condições para as pessoas fazerem uma terapia, recuperarem a alegria, mostrar o sentido espiritual no trabalho que você está fazendo. Você ensina para as pessoas que elas podem ser alegres e felizes, que elas podem ter uma casa melhor do que um barraco pendurado no moro. Nestas condições melhores elas podem ter mais tempo para pensar, o cérebro funcionando bem, porque estão bem nutridas, tem energia, você pode direcioná-lo para uma coisa mais alegre, mais espiritual, para que eles tenham paz, harmonia, alegria, felicidade e reconheçam-se como Filhos de Deus. Você dá uma educação espiritual para estas pessoas que estão a seu serviço. Você oportunizará isto para elas’.

Neste caso, sim, ele criaria alguma coisa, usando a matéria, o desenvolvimento material para criar alguma coisa a nível espiritual e não só fazer. Esta é a diferença entre só fazer e de criar.

Esta história do pescador é muito interessante. Você pode ver como isso, no nível material, não serve para nada construir, então é melhor ser pescador, mas se você colocar isto no nível espiritual, você pode dizer para o pescador: ‘Por que é que você não pesca um peixe a mais para que outra pessoa, que não tem um barco, possa também encher o estômago e também possa deitar na rede alimentada e possa fazer disto uma oração a Deus.’

A oportunidade que nós temos aqui neste planeta é para aprendermos, fazendo na matéria, porque eu não posso conceber alguma coisa que não tem um paralelo material. Por isso eu tenho que construir uma coisa material para ter um paralelo. Neste sentido o aprendizado é válido. Só construir no nível material, também não significa nada e não fazer nada a nível material, também não significa nada. Temos que fazer coisas que tenham significado.

Exercício da semana: Tudo que eu for fazer nesta semana, eu vou fazer na matéria e criar no outro nível. Com este sentido, dar um sentido espiritual, aquilo que eu estou fazendo na matéria, mesmo que eu seja um vendedor de batatas na feira.

Eu vou vender batatas? Então eu vou dar as batatas ao invés de vender! Não, isto não significa nada. O que você vai fazer? Você vai vender as batatas com um sentido de que você está ali para servir ao outro que quer comprar batatas, você não precisa dar as batatas. ‘Dai a Cezar o que é de Cezar e a Deus o que é de Deus’.

No nível material, você vende, você recebe; você compra, você paga. Você trabalha, então, obedece as leis físicas, você não pode, para ser espiritual, desobedecer as leis físicas. É aprendendo com as leis físicas que nós vamos crescer espiritualmente. Fazer na matéria para criar no espírito. Tudo que eu fizer no nível material, vou dar um sentido espiritual, vou fazer com amor aquilo. Se eu for vender batatas, posso dar uma lustradinha na batata e dizer para o freguês ‘esta batata foi no capricho!’ Você passa felicidade naquilo que você está fazendo, passa amor, aí você está criando no nível espiritual.

Se você é alfaiate, então você faz uma camisa ‘no capricho’. Quando a pessoa for lá buscar a camisa, você diz ‘você gostou? É para você se sentir mais feliz, mais alegre, quando vestir esta camisa!’, aí você criou no plano espiritual. Então não preciso pagar a camisa? Pagar você precisa! É possível que a pessoa te dê uma gorjeta. Porque aquele que mais dá, mais recebe.

Outro dia uma pessoa comentou comigo que ela desenvolve um trabalho, então apareceu uma pessoa e disse: Olha eu queria este trabalho que você oferece, mas que você fizesse um para cada membro da família, são cinco trabalhos para você executar, você faz um preço melhor? Faço os cinco pelo preço de três! Está bom, pode fazer! Ela fez o trabalho com tanto carinho, que chegou no final do trabalho a pessoa pagou o preço dos cinco como recompensa pelo amor e carinho com que ela tinha executado o trabalho. Então, quem mais dá, mais recebe, neste sentido. Fazer tudo com amor, não importa o que você faça. Se for fazer Reiki para uma pessoa, não é para se estender no tempo, mas intensificar o amor. Fazer na medida e com amor.

Você pensa assim: Eu tenho que fazer isto de qualquer jeito, com amor ou sem amor, então eu vou fazer com amor, assim, eu faço e crio, faço aqui e crio a nível espiritual.

Tem aquela tarefa que você faz há vinte anos, se você der uma mexida, tentar resignificar isto, eu vou dar um sentido mais elevado, passando a fazer a tarefa com amor. Aí você começa a recuperar um pouquinho a sua alegria que você tinha há dez anos atrás, vinte anos atrás, quando fazia o almoço.

No começo talvez tenha alguma resistência, talvez tenha que forçar um pouquinho em você.

É o exercício da semana, cada um dentro da sua ocupação vai procurar dar um significado espiritual e aí o milagre vai acontecer.

Participante: Por falar em milagre, na semana passada, meu marido pediu para que eu aplicasse Reiki para ele, isto nunca tinha acontecido antes. Acho que estou mais convincente.

Jorge: É porque você está convencendo, está sendo convincente, porque aquilo que você faz está tendo um sentido mais espiritual, daí vem a convicção. A certeza vem da convicção . A pessoa começa a olhar e começa a absorver esta convicção, porque onde não há convicção você não consegue convencer ninguém. Não é você que convence o outro, é o outro que se convence diante da tua convicção.

Participante: Sou advogada, apareceu uma cliente que me propôs burlar a lei para ela receber um dinheiro a mais.... Não aceitei e coloquei para ela o que diz na lei....

Jorge: É o advogado escolheu a missão de trabalhar a justiça, fazer a justiça aqui e criar no plano espiritual é uma coisa bem complicada. Uma vez eu falei que ser juiz, dentro da minha percepção, é a coisa mais difícil que tem neste plano, ver o que está certo e o que está errado, exercer a sabedoria de Salomão.

Um dia um advogado jovem que fez um curso aqui disse: ‘Jorge, acho muito bom o trabalho que você faz aqui, mas eu vou ter que deixar de advogar! Porque se eu fizer as coisas assim, tudo certinho, ninguém vai me procurar!’ Eu disse para ele: ‘Quem sabe você começa a fazer tudo certinho, porque está cheio de gente que vai procurar um advogado que quer tudo certinho.’

Um tempo depois ele veio me visitar e me falou que estava com muitos clientes. E me disse, quando a coisa está errada, eu digo para a pessoa: ‘Observei o teu caso e vi que a razão não está do seu lado, então não cabe fazer uma ação neste sentido. Vamos trabalhar para seguir as leis, conseguir o que é mais justo para ambas as partes’.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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