UM CURSO EM MILAGRES
26 FEVEREIRO DE 2003
4ª FEIRA

Jorge:
Vamos fazer um pouquinho de silêncio, vamos silenciar um pouco a visão, vamos silenciar um pouquinho o tato, vamos ficar totalmente imóveis, vamos silenciar os pensamentos, deixando que tudo se acalme com muita suavidade. Vamos tentar ouvir e ver como é o silêncio dos olhos, do tato, a imobilidade do corpo, vamos ter vislumbres do que é a imobilidade da mente. Um vazio que há entre um pensamento e uma lembrança, entre pensamentos do futuro, passado e o presente, dentro deste vazio onde não há ocupações futuras, onde não há preocupações com o que já passou. O que já passou e o que ainda virá, este vazio entre um e o outro. O vazio que experimentamos, entre um movimento e outro, entre um olhar e outro, entre um som e outro, entre um pensamento e outro, ali está o presente. É no presente que nós estamos, este é o maior presente que podemos dar para nós mesmos, ficar mais tempo presentes. Naquilo que estamos fazendo. A razão de irmos aos lugares, porque vou a tal lugar, porque eu estou aqui, o que eu estou fazendo qual é a minha intenção por estar neste lugar? Estar neste lugar é estar buscando estar aqui! Estar presente! Que isto se torne o nosso presente! A razão de estarmos aqui seja totalmente compreendida.

Sempre no início e no final ditamos a nós mesmo a razão pela qual estamos aqui:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

O Exercício da semana foi: Oferecer milagres ao invés da fantasia.

Participante: Encontrei algumas pessoas que começaram a relatar situações de queixas e críticas e outras pessoas que simplesmente estavam alegres, felizes. Eu me lembrei do exercício da semana em alguns momentos destes encontros, fiz uma oração e ofereci milagres para as pessoas. Me senti muito bem ao fazer isto.

Jorge: Isso o que você relatou, o livro chama de ‘encontros santos’. Você pode ter com todas as pessoas encontros santos, é você se dedicar com amor para a outra pessoa, é ver a outra pessoa com perfeição. Seria diferente do que oferecer milagres.

Oferecer milagres ao invés de fantasia, seria algo assim: Eu queria muito uma casa mais bonita, mas eu não tenho condições de ter esta casa, então vou até você e digo: ‘ah, eu precisava de um milagre para eu ter uma casa mais bonita’.

Você pode dizer para esta pessoa:

-‘Um dia você vai ter uma cassa mais bonita!’. Isto é alimentar uma fantasia. O que de fato a pessoa está precisando para ser mais feliz? Será que uma casa, mais bonita vai garantir que a pessoa seja mais feliz, alegre e amoroso? Talvez não! Você pode perguntar ‘porque você quer uma casa mais bonita’, ela vai dizer: ‘Ah, eu seria tão feliz!’ O que de fato a pessoa vem pedir quando pede uma casa mais bonita é a felicidade.

Nós que já estamos neste estado de compreensão, a casa mais bonita, necessariamente não vai fazer a pessoa mais feliz. O que vai fazê-la mais feliz é a felicidade, não a casa. Porque a felicidade não tem nada a ver com a casa. Mas nós fantasiamos, às vezes, que a casa é que vai trazer a felicidade.

Lembro quando eu era criança eu era feliz, eu brincava feliz.

Um dia um menino da minha idade apareceu com um carrinho de plástico, aí eu julguei que eu não era feliz, porque eu não tinha um carrinho de plástico. A minha felicidade estaria condicionada à fantasia de ter um carrinho de plástico, fantasia era que aquilo iria me trazer felicidade. Aí eu fui em busca daquilo, um dia eu ganhei e fui muito feliz por três dias.

Depois eu vi um menino andando com um triciclo, daí eu quis um desses e fui muito feliz depois que ganhei por dois ou três dias.

Depois eu vi um menino passando com um jipinho, vermelhinho, era de pedalar, ah, eu só serei feliz no dia em que eu tiver um desses. Ganhei um desses no Natal, fui muito feliz por pouco tempo, porque eu fui crescendo e logo eu vi um menino passar de bicicleta, aí eu fantasiei que aquilo que iria me fazer feliz, depois foi a moto, depois foi o carro, depois foi o carro importado, um carro mais bonito, o jatinho, o iate, assim venho fantasiando que vou encontrar a felicidade com alguma coisa.

Você pode alimentar a minha fantasia, ou pode me oferecer um milagre. O que o milagre vai fazer acontecer? O milagre vai fazer com que eu encontre a felicidade, independente de eu ter uma bicicleta ou não, independente de eu estar morando no Caribe, ou não, independente de eu estar deitado numa rede debaixo dum coqueiro, ou não. Mesmo a fantasia mais sagrada, por assim se dizer, ainda é uma fantasia. Ah, eu queria me santificar, eu queria ser uma pessoa tão santa, isso ainda é uma fantasia, porque aí eu iria ser feliz..

Veja que a gente começa a fantasiar com um carrinho de plástico ou com uma bonequinha, ou com alguma coisa, e vamos fantasiando nos mais diferentes níveis, achando que isto já está resolvido. ‘eu não tenho mais fantasias, a única coisa que eu quero é ficar santo’. Isto é outra fantasia, porque ainda estou fantasiando que eu vou ser santinho, que eu vou ter asinhas, vou ficar voando em cima dos outros . Sempre podemos alimentar as nossas fantasias, porque somos muito férteis em fantasias.

Em duas situações podemos aproveitar de uma maneira fantástica: Quando eu me encontro com uma pessoa na praia, esta pessoa pode ter um encontro muito amoroso comigo. Eu digo:

-Que bom que eu te encontrei, como você vai?

-Ah, eu estou querendo uma bicicleta nova..

-Quem sabe você vai ganhar uma bicicleta nova!

Aí eu já comecei a alimentar a fantasia da pessoa. É muito natural isso, a gente dizer: compre um carnê da ‘bicicleta feliz’; você já experimentou jogar na loteria? Quem sabe, né?

Alimentamos a fantasia e a fantasia não é real. Porque fantasia, vem de fantasiar, fantasmia, ou fantasma. É um fantasma, não é real.

Mesmo que eu ganhe a bicicleta feliz, eu não ganhei a felicidade, eu ganhei a bicicleta. A projeção que eu faço que a minha felicidade vai ser naquela bicicleta, eu estou colocando a minha felicidade numa coisa que já está quebrada , porque no momento em que ela chega lá em casa, vou vê-la já tem um defeito, eu queria assim, eu pensei que seria assim....

Neste sentido o encontro amoroso é um passo que nós temos que nos propor a fazer, ter encontros amorosos com todas as pessoas, encontros santos, cheios de amor, com todas as pessoas que passam, venham até nós ou com quem nós nos encontramos. Podemos aproveitar e oferecer milagres às pessoas ao invés de fantasias. Sempre que alguém vier até você com uma fantasia, não alimente a fantasia, ofereça um milagre. Porque a mesma energia que nós gastamos para uma fantasia de que aquilo vai me fazer feliz é a mesma energia que eu preciso para produzir um oferecimento de um milagre.

Se você dá força para a fantasia da pessoa, você está usando a tua energia para fantasiar também. Você vai reforçar na pessoa de que aquilo vai torná-la feliz. Sabemos pela nossa experiência que tudo o que ganhamos até hoje de material, me deu uma falsa sensação de felicidade. Porque a felicidade está no nível da eternidade, ela não acaba nunca. Ser feliz é ser feliz sempre, independente de ter uma bicicleta ou não. É esta a felicidade que eu estou buscando, é esta a felicidade que estou oferecendo quando ofereço um milagre.

Participante: Então, ofereço um milagre para pessoa para ela obter determinada coisa?

O milagre é amor, é alegria é felicidade, você não precisa colocar nenhuma intenção. Qualquer intenção que você colocar já parte do teu julgamento de que é aquilo que a pessoa está precisando. Se ela precisa, portanto, de uma bicicleta para ser feliz realmente, a bicicleta vai mostrar para ela, de repente, pode ser, nós não temos compreensão do todo, nós só temos compreensão de partes das situações.

Vamos supor que o Jorge precisou ter uma bicicleta para compreender que a bicicleta não iria trazer a felicidade. Se eu ofereço a bicicleta, só dou a bicicleta para ele, não dou a compreensão da felicidade. Se eu só ofereço a felicidade, pode ser que ele não consiga entender. Se eu ofereço um milagre ele vai receber o que ele precisa para alcançar a felicidade. Se é a compreensão, a bicicleta, isso tudo vem por acréscimo. Quando a pessoa recebe um milagre ela fica feliz, amorosa, alegre, independente de ter ganho a bicicleta ou não , esse é o verdadeiro milagre..

Então você não precisa colocar intenção nenhuma, também não precisa verbalizar para a pessoa ‘eu vou te oferecer um milagre’. Não! É uma conexão mental que você faz, é uma conexão vertical, porque você também não oferece para a pessoa. Você olha para cima e diz, ou mentaliza ‘Espírito Santo eu quero oferecer um milagre para esta pessoa ‘. Eu posso até dar um sorvete que a pessoa pede, mas não dê apenas o sorvete, se for esta a situação. Dê um sorvete com um milagre. Dê um pedaço de pão e ofereça o milagre.

Por quê? Se a pessoa está vindo pedir algo para você, ela está pedindo porque sabe que você tem, ela presume que você tem algo a oferecer. Ela precisa muito mais de um milagre do que uma moeda. Você pode dar a moeda, mas ofereça junto um milagre. O milagre ela não vai receber naquele momento, ela vai receber no momento em que ela estiver disposta a aceitar o milagre. Pode ser que naquele momento ela queira somente a moeda.

Quando entramos neste circuito de que uma coisa material vai me dar a felicidade, o nosso ego vai pedindo coisas, coisas, às vezes nós não conseguimos sair mais. Às vezes passamos uma Existência toda em busca de alguma coisa material que possa me fazer feliz, isso não vai acabar nunca, então eu não vou ser feliz nunca.

Pergunta para um jovem ou uma jovem adolescente: por que você quer namorar? A resposta é: ah, para ser feliz! O namoro, o casamento, tudo é associado à felicidade, depois eu acho que vão ser os filhos que vão me trazer a felicidade e continua, sempre com projetos em todos os níveis que tal coisa vai me fazer feliz, sem qualquer razão . Isto significa que não vamos mais ter uma casa? Não! Significa que a gente pode ter uma casa, uma bicicleta, um carro e ser feliz sem estar preso ao objeto.

Se eu coloco a minha felicidade numa bicicleta e ela quebra, a minha felicidade foi embora. Aí vem a frustração. Mas se eu estou feliz e tenho uma bicicleta, aí simplesmente a bicicleta quebrou, andar a pé também é muito bom, tudo é bom!

Por que a bicicleta quebrada iria tira a minha felicidade? Avaliemos quantas coisinhas miúdas nos tiram a felicidade. Você não se deixa abalar com uma coisa material, porque ela iria quebrar mesmo. Nem uma taça de cristal dura mais que 200 mil anos. Em algum momento ela iria se quebrar, ela só quebrou agora. Não importa quando, isso iria acontecer. Isto é uma coisa que já está prevista.

Se você quiser uma previsão do futuro, vou lá na tua casa e digo: O que tem na tua casa, vai quebrar. (risos) Teus cristais vão quebrar todos, pode ser que quebrem todos de uma vez ou um de cada vez.. Mas eles vão acabar quebrando. (risos)

Por que você quis este cristal? Porque você iria ser feliz se você tivesse aquela taça de crista! Você é feliz agora? Chego em casa e vejo que a minha taça de cristal quebrou, o que eu mais preciso naquele momento?

Uma outra taça? Às vezes ganho uma outra taça, mas aquele sentimento que quebrou, continua dentro de mim. Então, outra taça não repõe. Só um milagre vai repor a felicidade. Por isso não precisa colocar intenção no milagre, nenhuma. Mas se quiser pensar em alguma coisa pense nisto: Para que esta pessoa seja intensamente feliz, onde estiver, com o que estiver!

Princípio 22
Milagres só são associados com o medo devido à crença em que a escuridão possa ocultar. Tu acreditas que aquilo que os teus olhos físicos não podem ver não existe. Isso conduz a uma negação da visão espiritual.

Jorge: Tenho medo que aconteça o que não é perceptível pela minha vista, julgo que não existe. Então, posso estar com medo de receber o milagre, porque penso que o milagre pode me tirar alguma coisa.

Suponhamos que alguém comprou um carro importado e não pagou os impostos. Ele poderá pensar que se receber o milagre ele fica santinho e daí ele vai ter que pagar o imposto. (risos) A pessoa decide que é melhor não ganhar o milagre, prefere ficar com o carro escondido na garagem.

Não sei se o exemplo foi bom, mas às vezes a gente prefere não abrir mão de alguma coisa com medo que o milagre possa nos tirar alguma coisa.

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Capítulo 1 – O significado dos milagres
VII . Distorções dos impulsos para o milagre
4. Esse é um curso de treinamento da mente. Todo aprendizado envolve atenção e estudo em algum nível. Algumas partes posteriores do curso se baseiam tanto nestas seções iniciais, que elas requerem um estudo feito com cuidado. Tu também necessitarás delas para a preparação. Sem isso podes ficar temeroso demais com o que virá para usar o curso construtivamente. Contudo, à medida em que fores estudando estas partes iniciais, começarás a ver algumas das implicações que serão ampliadas posteriormente.

Jorge: As pessoas que estão chegando pela primeira vez, talvez, ao ouvirem falar em milagres, podem ter um impacto. Me lembro, quando começamos a estudar este livro, uma pessoa perguntou se ela estudasse este livro ela aprenderia a fazer milagres. Ela estava assustada. O conceito que temos de milagres é de que milagre é uma coisa que não é para qualquer um, nem para oferecer, nem para receber. Então as pessoas têm medo tanto de receber, como de oferecer. Se nós compreendermos estas partes iniciais do livro, o que ele está nos prometendo, nós vamos entender os mecanismos de como isso funciona, daí nós perdemos o medo de oferecer e de receber. Porque nós não recebemos milagres porque temos medo de recebê-los.

Uma história:

Alguém estava indo para casa, de madrugada, após um dia de trabalho, foi um dia difícil, um daqueles dias em que a pessoa fica duvidando que Deus existe. Mas ele estava indo para sua casa, dirigindo seu automóvel e ele começou a questionar:

-Ah! Se existisse Deus as coisas não seriam assim, tão difíceis, não haveria injustiça... Até que chegou num ponto que pensou: ‘Mas como eu vou saber se existe Deus ou não’. Então olhou para cima e disse:

-Se existe Deus, eu quero um sinal, mostre-me de alguma maneira, porque se Deus é onipresente, onipotente, então eu quero uma comprovação, um sinal. Ele estava falando sério, ele queria isso naquele momento. Andou por mais alguns minutos e ouviu uma voz de dentro da sua cabeça:

-Na segunda esquina, dobre à direita! Ele pensou:

-O quê?! Eu estou imaginando coisas. Eu não vou dobrar coisa nenhuma! Eu não vou atrás desta voz. Assim, decidiu não fazê-lo. Passou pela esquina e foi direto, mas não conseguiu ir muito longe, porque a curiosidade de saber o que aconteceria se tivesse dobrado à direita, venceu e ele retornou ao ponto da esquina e dobrou à direita. Aí parou e pensou:

-E agora, dobrei e daí, o que vai acontecer, continuou dirigindo, andou uns 10 quarteirões e nada aconteceu. Pensou:

-Eu vou desistir! A voz disse:

-Siga em frente! A voz era muito estranha, ela não vinha de fora, vinha de dentro dele. Pensou:

-Eu vou desistir, devo estar cansado, nervoso, estou imaginando isso. Então deu volta, já tinha andado 3 quadras quando pensou:

-Como é que eu vou dormir sem saber o que aconteceria lá na frente. E outra vez fez o retorno e se colocou à disposição da voz, que ele ouvia como se tivesse alguém falando com ele. A voz disse:

-Dobre à esquerda na 1ª esquina. Ele disse:

-Tá bom, vou dobrar! Andou uns quarteirões, ali tinha um mercadinho de 24 horas. A voz disse:

-Pare ali no mercadinho e compre 4 caixas de leite. Ele disse: Ah! Isso eu não vou fazer, agora extrapolou, passou dos limites! Então passou direto, e decidiu ir para casa. Mas outra vez, voltou, foi até o mercadinho e comprou 4 caixas de leite. Então ficou parado, sentado dentro do carro no lado do mercadinho, e pensou:

-Estou sentado dentro do carro às 2 e meia da madrugada, com 4 caixas de leite que uma voz que veio não sei donde disse para comprar, num lugar onde nunca estive, e agora o que eu faço. A voz disse:

-Vá em frente! Ele desconfiado, foi. Então a voz foi dirigindo-o:

-Agora dobre à direita, à esquerda, siga em frente... Chegou um momento que a voz disse:

-Pare nesta casinha que está com a luz acesa, entre lá e entregue as 4 caixas de leite! Ele disse:

-Isso eu não vou fazer, como é que eu vou chegar no meio da madrugada e dizer:

-Eu trouxe o leite “sou o leiteiro!” –Não, não isso eu não vou fazer, a pessoa não vai me receber, vai chamar a polícia, pensar que eu sou maluco, até eu já estou achando isso. Mas ele não conseguia se afastar dali. Ao mesmo tempo, não conseguia ir lá na porta, bater, para entregar o leite. Sua resistência para fazer isso que lhe parecia “muito maluco”, era muito grande. Até que chegou num ponto que ele disse:

-O único jeito é ir lá e bater na porta para ver! Bateu na porta e veio uma pessoa atender a porta e ele estava com as 4 caixas de leite na mão, quando a pessoa viu o leite, ele não precisou explicar nada. O senhor que veio abrir a porta pegou o leite e levou para dentro da casa, donde vinha o choro de uma criança. Depois voltou e disse:

-Eu estou desempregado e minha esposa também, nós estávamos totalmente sem dinheiro, até para comprar leite para o nosso filhinho e não sabíamos o que fazer, então, às 10 horas da noite a minha esposa olhou para o céu e pediu a Deus um milagre para conseguir o leite que a gente estava precisando.

Temos aqui uma compreensão, o homem não teve medo de abrir a porta de madrugada para alguém que estava batendo, por isso que ele recebeu o milagre. Ele poderia pensar que fosse um ladrão. O outro, apesar do medo inicia , superou o medo e fez acontecer o milagre. No livro conta que os milagres são naturais, pedi e recebereis, mas você tem eu abrir a porta. Os milagres são naturais, nós deveríamos pedir o que precisamos e alguém deveria vir e dizer ‘eu não sei porque eu estou aqui mas eu vim te trazer uma caixa de leite’. Obtendo como resposta: ‘é o milagre que eu pedi, uma caixa de leite’

Os milagres funcionam em qualquer nível, em qualquer sentido. Se é uma caixa de leite que você precisa, se é isso mesmo, é claro que você vai ter, mas você precisa pedir. Então peça milagres! Ofereça milagres! Receba milagres!

Participante: Deus sabe tudo a nosso respeito, ele sabe o que estamos necessitando, por que não nos dá...

Jorge: Deus não separar amor e respeito, Ele respeita tanto a minha vontade que se eu não pedir Ele não me dá. Ele nos ama tanto e nos respeita tanto, assim ‘o Jorge está tentando conseguir por ele mesmo, se Eu der para o Jorge, ele poderá pensar que eu penso que ele não é capaz’.

Todos nós estamos aqui para vermos no outro a nossa cura. Porque se eu estivesse sozinho no planeta eu não conseguiria aprender nada com ninguém . Quem me ensina são as outras pessoas, é com elas que eu tenho que aprender, olhando para elas.

Normalmente, o milagre que ofereço para a outra pessoa, é aquilo que eu mais estou precisando, então eu aprendo, ou eu ganho quando eu ofereço, porque é dando que se recebe.

Veja, que a caixa de leite foi o veículo na historinha que eu contei, é assim que funciona, se não tivesse ninguém para dar a caixa de leite, ele não iria aprender como é que o milagre funciona. Assim ele teve a compreensão, quem pediu teve a compreensão e quem ouviu a história também. O milagre iradia para todos os lados, como uma pedrinha que jogamos na água, vão abrindo círculos, abrindo e expandindo. Vão formando pequenas ondas de propagação, o milagre também funciona assim, mas precisa que duas pessoas estejam presentes, aquele que pede e aquele que recebe. É assim que aprendemos o amor. Milagre é um ato de amor.

Como é que nós vamos entender o que é o amor? Como é que nós vamos entender o que é a felicidade, se nós não podemos vê-la na outra pessoa. Por isso é que precisam sempre dois, o milagre para mim mesmo não funciona.

Outro dia alguém me perguntou se ela se olhasse no espelho ela poderia oferecer um milagre para si mesmo, eu vou ganhar? Eu disse para ela que, teoricamente, não! Você está oferecendo para uma coisa que não existe, uma imagem falsa, porque não tem uma pessoa ali, tem um fantasma, uma imagem falsa. Você está tentando enganar a si mesmo, está fantasiando que você vai conseguir. Por que você não oferece para uma pessoa que precisa? É julgar que a pessoa precisa? Ora, se estamos aqui, estamos precisando de milagre . Quem recusaria um milagre?

Eu peço para mim, porque alguém vai trazer para mim. Quando eu peço eu peço para cima, peço para Deus, para o Espírito Santo, para algum santo. Olho para cima, porque o santo esta num nível acima , se peço para o santo, eu estou pedindo para alguém. Quando você oferece o milagre você está fazendo a mesma coisa, precisa da ponte, você pede através de alguém. Você olha para o Céu e pede um milagre para o Jorge. ‘Céu ofereça um milagre pro Jorge’. De fato o contato não é horizontal, é vertical.

Na vertical nós iríamos oferecer coisas, eu olharia para você e dizer ‘ele está precisando de uma camisa nova’ . Eu diria ‘Céu ofereça uma camisa nova para o João!’ Quando não é isso que vai faze-lo feliz.. Tenho que deixar que o Céu decida, mas eu posso oferecer. A resistência, às vezes, é de receber. Eles são muito naturais. Temos que nos colocar disponíveis para pedir e para receber. Está escrito, ‘pedi e recebereis; batei abrir-se vos há’. A gente pede, mas não está disposto a receber. O pedido é sempre vertical, a entrega é horizontal.

O livro coloca que, quando a gente oferece um milagre a gente já ganha, no momento em que você ofereceu você já ganhou, só está recebendo agora. Por isso, às vezes, a gente leva tempo para receber, ou a pessoa para qual a gente ofereceu leva tempo para aceitar e receber.

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Capítulo 1 – O significado dos milagres
VII . Distorções dos impulsos para o milagre
5. É necessário um fundamento sólido devido à confusão entre medo e reverência, a qual já me referi e que é feita freqüentemente. Eu disse que a reverência não é apropriada em relação aos Filhos de Deus porque não deves experimentar reverência na presença dos teus iguais. Todavia foi também enfatizado que a reverência é apropriada na presença do teu Criador. Eu tenho sido cuidadoso em esclarecer meu papel na Expiação sem exagerá-lo ou atenuá-lo. Estou também tentando fazer o mesmo com o teu. Tenho salientado que a reverência não e uma reação apropriada a mim devido a nossa igualdade inerente. Alguns dos passos que vêm mais tarde nesse curso, no entanto, envolvem uma aproximação mais direta com o próprio Deus. Não seria prudente iniciar estes passos sem uma preparação cuidadosa, ou a reverência será confundida com medo e a experiência será mais traumática do que beatífica. No fim, a cura é de Deus. Os meios te estão sendo cuidadosamente explicados. A revelação pode ocasionalmente te revelar o fim, mas para alcançá-lo, os meios são necessários.

Jorge: A compreensão da reverência é uma questão que devemos reavaliar, porque ela pode ser facilmente confundida com medo.

Se eu sou auxiliar de escritório, é comum, eu sentir medo do diretor da empresa e começar a prestar-lhe referência, isto cria um campo de desigualdade.
Gera uma barreira entre nós e isso me torna desigual. O diretor vai perceber e vai pensar porque eu me coloquei neste sentido de desigualdade, então ele vai me perceber como um desigual, não porque ele perceba a desigualdade, mas porque eu me coloco no campo de desigualdade.

Costumo contar uma experiência minha, que é assim:

Eu trabalhava numa empresa muito grande. Um dia a pessoa que trabalhava na manutenção disse-me: Jorge, o doutor Ivo quer trocar a mesa dele, está ruim, eu tinha que autorizar. Eu conhecia de vista o presidente da empresa, mas eu nunca tinha conversado com ele.

Fui lá ver, quando cheguei na ante sala perguntei para a secretária se o presidente estava com uma pessoa na sala, ela disse que não, eu fui entrando. Ela veio atrás assustada, e quando cheguei na sala, o presidente perguntou’ quem é você, o que você quer aqui?’ Eu sou o Jorge, você não queria trocar a mesa? Tratei-o como você, naturalmente. Ah, então você é o Jorge que veio trazer a mesa. Eu falei pra ele que eu achava que não havia necessidade de trocar a mesa, mandando envernizar ela ficaria boa, porque era uma mesa muito boa. Ele concordou. Conversei com ele, sem medo.

Nesta empresa tinha um restaurante onde nós almoçávamos e havia uma separação entre as mesas da presidência, diretoria, do primeiro, do segundo e terceiro escalão, até os faxineiros. Cada um ia ficando mais distante do outro.

Quando o presidente me via, ele me convidava pra almoçar com ele ‘ah, Jorge, você já almoçou? Vem aqui pra gente conversar!’ Os colegas comentavam ‘o que o Jorge tem? Será que ele é conhecido, ou amigo, ou parente do presidente?

Por que ele não convidava as outras pessoas? Por que ele almoçava separado das outras pessoas? Porque ele tinha medo e porque as pessoas tinham medo dele e isso fazia com que ele sentisse medo das outras pessoas. As pessoas prestavam uma reverência tornando-os desiguais . Não temos medo de alguém que é igual a gente. Eu não tenho medo de convidar o meu colega de trabalho para almoçar, mas eu tenho medo de convidar o presidente da empresa onde eu trabalho ‘Oh, Ivo, vem almoçar aqui comigo!’ Isso pode parecer ridículo, ‘mas como?? você não tem medo???’.

Quando nós não temos medo, nós todos nos vemos como iguais, não precisamos de reverências. A reverência nos coloca em nível de desigualdade. Se Jesus coloca que nós não devemos a ele reverência, mas respeito, eu nunca desrespeitei a pessoa, também não lhe fiz nenhuma reverência, o tratei como um igual.

As experiências que a gente vai tendo na vivência da nossa existência, é ali que a gente vai colher os aprendizados.

A reverência à pessoas que nos parecem mais importantes, vão colocar distância entre nós . Respeito é bom, reverência nos distancia, nos faz sentir menos. Nos coloca no nível de desigualdade. E nós todos somos muito iguais, não há um diferente do outro. Eu vou respeitar tanto o faxineiro quanto o diretor da empresa. O faxineiro não me deve reverência e eu não devo reverência ao diretor. Somo todos iguais, apenas ocupamos funções diferentes. Exercemos cargos diferentes. O que não nos coloca em desigualdade como Filhos de Deus, como pessoas, como seres humanos.

Participante: É a primeira vez que participo da reunião, me chamou a atenção da maneira que ouvi as horas, ‘oito mais quarenta’.

Jorge: Entendemos que existem duas compreensões, ou duas leis que regem o universo, uma é a lei da abundância e a outra é a lei da escassez . Eu posso escolher se quero estar na abundância ou na escassez e eu escolho isto através de pensamentos, palavras, atos e omissões, é como nós fazemos as nossas escolhas. Estes são os instrumentos que temos para construir, as mesmas ferramentas.

Tem uma escritura, acho que bíblica: ‘Aquele que mais tem, mais lhe será dado, e aquele menos tem até o pouco que tem lhe será tirado’.

Existia um papagaio que tinha uma especialidade, sua era que ele dizia a hora, o tempo inteiro, era um papagaio relógio, o tempo inteiro só falava a hora certa. Esta não era a maior especialidade do papagaio, a maior especialidade dele era que ele dizia a hora duas vezes, ele, por exemplo, falava assim: São oito horas mais 42 minutos, hora de rico; Faltam dezoito minutos para as nove, hora de pobre.

O que a gente aprende com isso? A hora é a mesma, a energia é a mesma, o planeta e o mesmo, as possibilidades são as mesmas, as leis são as mesmas, mas para o pobre sempre está faltando.

Até na hora sempre está faltando. Como a gente começa a produzir prosperidade, abundância? Quando começa sobrar ao invés de faltar! Você escolhe abundância e não escassez, começa por aí, pelos pensamentos, pelas palavras, pelo que fazemos, pelo que deixamos de fazer.

As pessoas perguntam, o que eu digo quando eu chegar em casa e a geladeira estiver vazia? Está sobrando espaço na minha geladeira! Como é espaçosa a minha geladeira! Geladeira espaçosa é coisa de rico, não é? Então você já começa a entrar na idéia de abundância.

Exercício da semana: Vamos fazer o exercício da lei da abundância. Vamos treinar para eliminar do nosso vocabulário a palavra ‘falta’ e colocar ‘sobra’. Então vamos ver que o que está à disposição do pobre e do rico é a mesma coisa. Nós não recebemos porque nós não aceitamos, porque nós achamos que não merecemos, porque para nós sempre tem que faltar. ...porque eu sou menos. Vejam como isso tem a ver com este parágrafo onde fala sobre a reverência. Por que nós acreditamos que somos desiguais, porque nós reverenciamos quem é mais rico e julgamos que somos menos porque somos mais pobres. O papagaio diz que a hora é a mesma, depende como você interpreta. A hora do pobre e a hora do rico, o que está mostrando no relógio é a mesma coisa. Você pode interpretar como você quiser.

Vamos exercitar o respeito ao invés da reverência. Se você ver o bispo passando na sua frente , diga: Bom Dia, bispo, tudo bem aí?

Quando você vê a desigualdade da reverência, você apenas trata a pessoa com respeito. Quem tem menos, quem tem mais, coloca os dois no mesmo mostrador do relógio, porque é só uma percepção nossa que o outro tem menos, é só uma percepção nossa que o outro tem mais. Quando você se der conta de que está faltando pão, você troca para está ‘sobrando espaço’. Olha está sobrando espaço aqui, vamos colocar mais pão!

O rei momo não é mais nem menos do que eu, a rainha da bateria não é mais, nem menos do que eu, o presidente não é mais, nem menos do que eu, pra mim sobra tudo!

O exercício da abundância remete para a igualdade, lembrem-se a hora é igual, a nossa interpretação é que torna o horário desigual. A reverência é desigualdade, coloca o outro como mais e eu como menos, eu tenho a perder com isso, me coloco com sentimento de perda, eu sou menos, ou que eu sou mais do que a pessoa que faz a limpeza. Somos todos iguais, ocupando situações e funções diferentes. Isso implica em trazermos para nós a possibilidade de entrarmos na abundância e na prosperidade, quando nós nos tornamos todos iguais.

Não adianta eu querer torná-lo igual dando 50 reais para ele. Não adianta ele me dar 50 reais, se ele é mais rico que eu, e ele dizer: ‘Bom, agora o mesmo dinheiro que eu tenho no bolso, você também tem’. Se eu digo: ‘Sim senhor, somo iguais!’ Neste caso continuamos desiguais, pois eu estou tratando o outro como ‘senhor’. O dinheiro não vai igualar as pessoas, esta igualdade tem que ser trabalhada na mente, como o livro diz, que este curso é um treinamento (treina-mente). É para treinar a mente para nos sentirmos todos iguais para que possamos todos ter as mesmas oportunidades, as mesmas condições, porque as capacidades temos todas elas em igualdade e os milagres são naturais.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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