UM CURSO EM MILAGRES
25 DE AGOSTO DE 2004
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 46
O Espírito Santo é o mais elevado veículo de comunicação. Milagres não envolvem esse tipo de comunicação, porque são instrumentos temporários de comunicação. Quando retornas à tua forma original de comunicação com Deus, por revelação direta, a necessidade de milagres acaba.

Jorge: O Espírito Santo é o mais elevado veículo de comunicação. Os milagres acontecem enquanto ainda estamos na dimensão do tempo. Quando a pessoa se desliga do tempo, chega ao nível do Espírito Santo, não tem mais necessidade de milagres, já estará em revelação direta com Deus. Os milagres são necessários enquanto ainda necessitamos deles. Em outras palavras: É como tudo! Precisamos duma namorada até que arrumamos uma. Os milagres, se você colocar neste nível, também funcionam assim. Enquanto nós ainda não conseguimos estar evoluídos até o nível do Espírito Santo, quando estaremos em comunicação direta com Deus, os milagres são necessários, depois acaba a necessidade, até do milagre.

Participante: No nível do Espírito Santo não tem falta, por isso não há necessidade do milagre.

Jorge: A gente tem que elevar a nossa mente a este nível e sair fora de todas as faltas e de todas as necessidades . Enquanto ainda estamos no tempo sempre vai estar faltando, “faltam quinze para as oito”, “faltam três meses para o Natal”, e assim por diante. Ainda a gente vai estar no tempo, ele é uma medida de falta, uma medida de escassez. Enquanto ainda estamos com a mente ligada nestas situações de falta e de escassez ainda precisamos de milagres. Porque o conteúdo perceptivo dos milagres é a integração, conforme um dos Princípios anteriores, ele desfaz o senso de isolamento, escassez, de falta, até chegar ao ponto de não faltar mais nem o milagre. A nossa mente pode chegar a este nível, onde não falta nada. Isso também tem uma alusão com “Escolhe o Reino e tudo vos será dado por acréscimo”, “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”.

Este “...nada me faltará” não quer dizer que eu vou ter todas as coisas materiais, às vezes é interpretado de maneira incorreta, porque a nossa tendência de interpretação é ao nível físico. Equivocadamente é interpretado como: Se nada me faltará então eu vou ter um iate, vou ter um avião, vou ter uma casa na praia, vou ter dinheiro sobrando. Não é assim! Este nada te faltará vai te dar um sentimento de ausência de falta ou ausência de escassez . Por exemplo, eu não tenho um iate, mas isto não me faz falta, eu não tenho um carro importado, mais eu não sinto falta disto. É neste sentido que temos que obter a compreensão. Aquilo que nós não temos não faz falta, porque o sentimento é inesgotável enquanto estivermos nele . Não adianta você ter um iate, um carro importado, um apartamento de cobertura, vai estar faltando cada vez mais. Se não falta mais nada, falta um marinheiro para cuidar do iate, falta um caseiro para cuidar da casa da praia, depois falta dinheiro para pagar todas as despesas, então você vai ter que trabalhar mais para poder suprir as faltas com relação à manutenção.

Neste sentido o “nada te faltará” é que não importa o que você tenha, não é que você não possa ter, mas aquilo que você não tem não te fará falta. Quando você entra neste nível, você é feliz . O que deixa as pessoas com ansiedade, com angústia e infelizes? A falta!

Você vê uma pessoa bem feliz saindo de casa e ela vai passear no shopping, quando ela volta para casa está irritada, porque viu umas coisas lá que ‘precisa’ comprar e antes de ver aquilo não precisava. ‘Ah, não posso viver sem aquele sapato’. Falta de preencher o vazio, tudo isto é falta. Tínhamos uma amiga que vinha do terminal do ônibus até aqui, observando tudo o que estava exposto nas vitrines das lojas, ela sabia todas as mercadorias que estavam expostas, cor, tamanho, modelo e tudo ela estava precisando.

Imagine em que estado vamos estar quando chegarmos ao ponto em que alguém pergunta: Quer um milagre ? E nós respondemos: Não, não preciso!

Participante: Ainda não compreendi bem o que significa ‘revelação direta’.

Jorge: O Espírito Santo faz a mediação entre o Pai e o Filho. Considera, assim, que tu és o Filho, assim como eu , assim como todos, somos a Filiação. Deus tem um único Filho que se fragmentou em muitos cacos . Fragmentos ou cacos, ‘frag’ em grego é caco, então, são pedaços ou cacos da única mente . Ele tem um Filho Unicamente como Pai . O Filho se fragmentou, nós somos o Filho, cada um é parte do Filho. Então neste sentido esta comunicação direta com o Pai foi cortada, porque nós estamos com medo do Pai, porque alguma coisa nós fizemos de errado.
Assim como a criança tem medo de falar com o pai porque aprontou alguma, ela tem que usar o intermediário. Quem é o intermediário do filho para falar com o pai? A mãe! Vejam que na Triade Sagrada, não tem mãe, é: Pai, Filho e Espírito Santo. Assim como a mãe aqui faz a comunicação, a mediação entre o pai e o filho, porque a mãe tem esta sensibilidade para sentir a necessidade do filho e chegar ao coração do pai, o Espírito Santo faz a mesma mediação, por isso que diz ‘é o mais elevado meio de comunicação’. Quando você chegar ao nível do Espírito Santo, não precisarás mais de mediação e nem de milagres, você já vai estar em comunicação direta ou revelação.
A propósito do ‘frag’ que me parece vem do grego, a Renata me ligou para me dizer uma curiosidade, ela disse que a palavra ‘diabolos’ vem do grego e significa: aquilo ou aquele que divide ou separa ou fragmenta. Em português o vocábulo é diabo.

Participante: Ou seja: ‘O diabolo nos fragmentou’.

Jorge: Como na Oração do Pai Nosso ‘....perdoai as nossas dívidas’. A palavra ‘perdoare’ significa: zerar, fechar . Fechar as divisões para obter a integração, a integridade, a unidade.

Livro Texto
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Capítulo 3- A PERCEPÇÃO INOCENTE
V . Além da percepção

10.
Enquanto durar a percepção há lugar para a oração. Uma vez que a percepção se baseia na falta, aqueles que percebem não aceitam totalmente a Expiação nem se entregam à verdade. A percepção baseia-se em um estado separado, de modo que qualquer pessoa que percebe seja o que for, necessita de cura. A comunhão, não a oração, é o estado natural daqueles que conhecem. Deus e o Seu milagre são inseparáveis. Como são belos, de fato, os Pensamentos de Deus que vivem à Sua Luz! O teu valor está além da percepção, porque está além da dúvida. Não percebas a ti mesmo sob luzes diferentes. Conhece a ti mesmo na Luz Una onde o milagre que tu és está perfeitamente claro.

Participante: A intuição faz parte da percepção?

Jorge: A intuição é chamada de percepção extra-sensorial, além dos sensores, além dos cinco sentidos. Os cinco sentidos são as percepções dos sensores físicos, que são: audição, tato, olfato, paladar e visão. Nós percebemos a intuição como sendo uma percepção extra-sensorial, mas ainda é uma percepção.

O livro, num parágrafo que já passamos, diz ‘até mesmo a visão mais santa, ainda é uma percepção’. As percepções não duram para sempre . Sem percepção é quando a pessoa está em comunhão, ela toma conhecimento e está em comunhão com todas as pessoas, está em estado de graça.

Um dos degraus é que você começa a dominar os sentidos, ao invés de ser dominado por eles, este é um dos graus que se alcança neste caminho, mas ainda vai além, isto quer dizer que ainda tem a aprender.

Temos que começar a entrar no estado de comunhão, união da nossa mente com a mente de Deus.

Participante: Jesus ensinava contando parábolas.

Jorge: Jesus falava através de parábolas, não existe como estender este conhecimento para uma pessoa que está no nível das percepções, porque percepção e conhecimento não se misturam . Não há como transmitir o conhecimento para quem ainda está só percebendo. O que se faz? Se conta histórias! Porque uma coisa de que você não tem idéia de como seja, a tua mente não consegue entender. Todo conhecimento para ser transmitido ao nível das percepções, como nós nos comunicamos , nós nos percebemos, tem que se criar um campo analógico. Cria-se uma analogia, uma historinha, uma parábola daí a pessoa se fixa naquilo, você pode ver que no final dá um puxão para o lado e diz ‘...no reino do céu á assim’.

As pessoas perguntam como é o reino do céu? Não tem como explicar isto. Cria uma história com algo que a pessoa conhece , depois tira a história fora, porque ela só serviu para conduzir ao ponto de equilíbrio e a conclusão é: ‘...o reino do céu é mais ou menos assim’. Daí a pessoa consegue compreender. Tem que se criar a analogia porque o nosso cérebro, que processa as informações, é analógico. Não conseguimos entender nada sem analisar com alguma coisa que já tenhamos visto antes. Você não consegue desenhar uma coisa que você nunca viu. Você não consegue falar sobre alguma coisa que você não tem nenhum registro anterior, não há como.

Participante: Me parece que o ser humano percebe em degraus, conforme a sua evolução, materialmente e em todas as situações.

Jorge: Nós escolhemos os veículos, você pode ir de bicicleta, pode ir caminhando, pode ir de carroça, pode ir de avião, mas não tem como saltar um espaço, deixando um espaço em branco, o único método para fazer isto é o milagre, o milagre faz isto, o milagre quebra as lei do tempo, ele não está sujeito às leis do tempo, ele realmente dá um salto na tua compreensão. Por isso ele faz a cura acontecer.

É mais ou menos assim: Por exemplo, uma ferida no pé , a pessoa vai no médico e ele diz: muito bem, a recuperação normal para este tipo de lesão é trinta dias, antes disto, nem pensar! É o tempo que leva, nunca ninguém conseguiu curar uma ferida destas em menos de trinta dias. Aí o que acontece? O mundo gira e nós estamos num ponto deste mundo, vamos supor que 30 dias é o tempo que leva um giro, então você tem que esperar passar por todo esse giro.

O que o milagre faz? Você está naquele ponto, é a mesma coisa que explicar as horas para uma criança, agora o ponteiro está aqui, quando chegar neste ponto aqui, estará na hora, aí a criança fica esperando, é aquele tempo normal que tem que passar para a coisa acontecer. O milagre faz você sair fora do tempo, quando você volta, dentro tempo, é equivalente a já ter dado esse giro e você volta no mesmo lugar que você estava. Então aquela ferida fica curada imediatamente.

É como se você saísse fora, segura e volta. Quando você volta você volta no mesmo ponto em que todos os outro estão, porque eles não avançaram no tempo, mas você deu um salto vertical, saiu fora e quando você cai já fez aquele trajeto e volta.

Este é um exemplo de uma cura física e é assim que acontece também a cura na mente.

Eu acho que a pessoa chega a esse nível, de estar comunhão, ela não precisa mais falar e as pessoas não precisam mais ouvi-la.

Uma história:

Uma vez aconteceu que entrou uma pessoa na livraria, se vestia com um manto púrpura, da cor da flor da árvore de Buda. Essa pessoa chegou e entrou na livraria, começou a olhar, a olhar. Percebi e pensei ‘que pessoa interessante, eu vou lá falar com ela’. Eu fui, quando eu cheguei na frente da pessoa, ela olhou para mim. Quando ela me olhou eu não tinha mais o que perguntar eu sabia todas as respostas, como se ela tivesse entrado em comunhão plena comigo, todas as minhas perguntas desapareceram , não tive mais necessidade de perguntar nada, como se eu soubesse tudo.

Voltei para fazer as outras tarefas, entraram outras pessoas na livraria e esta pessoa ficou a tarde inteira na livraria.

Naquela tarde esteve uma outra pessoa que ficou um tempão na livraria conversando comigo. Num momento pensei ‘não vou deixar esta pessoa me distrair, vou lá falar com a pessoa de púrpura, antes que ela vá embora, não sei o que aconteceu, mas eu quero falar com ela e não vou deixar passar’ e outra vez eu fui, quando cheguei perto dela ela simplesmente me olhou e aconteceu a mesma coisa. Voltei e continuei a conversar com esta outra pessoa que estava aqui, conversamos mais um pouco e no final da tarde ela saiu e eu resolvi fazer nova tentativa de me aproximar e conversar com ela, perguntar, por exemplo, quem ela é o que ela faz. Quando eu saí na direção, para conversar com ela, ela outra vez me olhou e foi embora. Bom, zerou tudo, tudo que eu queria perguntar sumia, quando ela me olhava, eu não tinha mais necessidade de perguntar nada. Depois que ela foi embora, perguntei para a pessoa que estava conversando comigo se tinha visto esta pessoa de púrpura e ela disse: Qual pessoa, não tinha ninguém aqui! Eu disse, sim havia uma pessoa aqui e resolvi ligar para algumas pessoas conhecidas que estiveram, naquela tarde, na livraria e elas confirmaram que também tinham visto esta pessoa com um manto púrpura.

É ausência de ego, a pessoa entra num estado de comunhão plena.

Participante: Se esta pessoa estava sem ego, o que ela veio buscar na livraria?

Jorge: Uma vez eu vi a imagem de Chico Xavier na televisão, as pessoas vinham cumprimentá-lo e ele só ficava com a mão estendida, ele estava fora, não tinha mais necessidade do mundo.

A pessoa está aí, ela se alimenta, ela faz as coisas, lava louça, varre o chão se precisar fazer, mas ela está num estado praticamente de êxtase , de comunhão, está íntegra, integrada. A pessoa veio passear na livraria, pode ser que ela compre um livro, ela não precisa ler um livro e provavelmente não tem vontade de escrever um livro, também.

Participante: Jorge, da tua experiência o que esta pessoa passou para você?

Jorge: Naqueles momentos em que eu me aproximava dela e que ela me olhava, zerava tudo, zerava o ego, mas depois voltava, daqui a um pouquinho voltava de novo.

Eu acho que é possível a gente estar em atividade, sem julgar. No livro diz assim: Primeiro você ainda percebe, mas você começa a perceber, a santificar a tua percepção, é um dos passos. A tua percepção começa a ficar mais sã, é quando você já não julga, porque você compreende, você começa a compreender. Francisco de Assis dizia: “Quero mais compreender do que ser compreendido”. Nós buscamos mais ser compreendidos, do que compreender . Quanto mais você compreender, menos você julga.

Veja por exemplo, uma pessoa pegou a minha caneta e levou embora. Fico julgando ‘porque ela levou as minha caneta...?, Será que ela não se deu conta que pegou a minha caneta...? Se você percebe que a pessoa levou a caneta e você compreende porque a pessoa está fazendo aquilo, você não julga e não sente falta da caneta, você sente ausência da caneta, mas não sente a falta, você percebe que a pessoa levou a caneta, mas aquilo não te faz falta, porque você compreende que a pessoa é distraída ou pegou a caneta propositalmente, você não julga por que a pessoa fez, compreende e não julga, assim começa a santificar a tua percepção.

O que acontece quando você começa a fazer isso? Você pára de sofrer! O que me traz sofrimento? Quando fico pensando e falando: “Porque que esta pessoa levou a minha caneta!” Se você parar de julgar e compreender que a pessoa fez isso porque está com os valores invertidos, porque ela não se deu conta ou porque ela estava precisando ou porque ela acha que levar vantagem é correto, você decide: Não vou julgar!

Participante: Podemos oferecer um milagre para a pessoa.

Jorge: Ao invés de julgar nós deveríamos oferecer um milagre para ela entrar na percepção certa. Quando você começar a oferecer milagres, a medida que você pára de julgar, você vai santificando a tua percepção, você vai curando a tua percepção, tem o mesmo sentido. Por isso que diz: enquanto você ainda tem percepções, você ainda precisa de cura, porque você está doente, isso deixa a gente doente. Não importa aonde você vá, isso não é externo, é interno. Porque você pode abandonar tudo e ir para qualquer lugar, isso vai contigo, porque você não se curou daquilo. Então você vai começar a julgar, você está percebendo e vai julgando, vai julgando e vai sofrendo. Percebendo, julgando e sofrendo.

Ultimamente os meus julgamentos estão dando todos errados. Por exemplo: Não encontro a minha caneta, daí fico pensando e falando, deve ter sido a secretária que levou a minha caneta, ou então foi o Fábio ou então foi o Luiz! Daqui a um pouco caminho e piso na caneta, ‘ah!.. a caneta estava aqui no chão!’. Mas eu já critiquei, já julguei, já condenei a secretária, o Fábio, o Luiz e a caneta estava aí.

Participante: Quando eu me vejo livre de todas as amarras, deixo a porta do meu apartamento aberta, por exemplo, eu não vou ter medo das pessoas.

Jorge: Lá em casa eu só fecho a porta quando eu estou em casa, só tenho alguns móveis lá. Se você não tiver coisas de valor para esconder, não precisa fechar a porta, o ladrão chega e vê a porta aberta e é capaz de pensar que é uma armadilha pra ele e não entra. (risos)

Participante: Jorge, quando você falou que ficamos percebendo, julgando e sofrendo, isto tem a ver com a projeção, não é? A medida em que eu me livro da raiva e de sentimentos não amorosos, passo a criticar menos, a julgar menos. No exemplo que você usou da caneta, quando eu não encontro a caneta eu já projeto em alguém aquela raiva que tenho dentro de mim.

Jorge: A caneta, o valor material dela não afeta a minha estrutura financeira, vamos colocar assim. Então, o que me afeta é a raiva, o julgamento, como você colocou, eu projeto a minha raiva naquela coisa.

Participante: Perceber e não julgar é a percepção inocente.

Jorge: Podemos escolher como usar as nossas percepções: para o aprendizado ou para a separação. Na percepção inocente a pessoa percebe mas não sente. Foi boa a sua colocação. Eu percebo que a pessoa está levando a caneta, mas não transformo aquilo em sentimento, por isso é: “percebe i no cente”. O que nos faz sofrer são os sentimento e não os fatos, se alguém levou a minha caneta, isto não é motivo para sofrimento, mas o sentimento em relação ao fato é que me faz sofrer. Durante a nossa vida inteira é assim. Por exemplo, quando trabalhamos o Renascimento, fazemos os nossos retornos à nossa memória, o que nós desfazemos, o fato que gerou o sentimento de raiva, de angústia, de medo, de bloqueio, tensão? Não, o fato não há como desfazer! O que nós desfazemos é o sentimento que nós tivemos quando aconteceu aquele fato. Vamos dizer que a minha mão não me queria, então eu criei um sentimento de raiva e agora eu projeto isto em todas as mães. O fato ‘a minha mãe não me queria’ aquilo eu não posso mudar, posso mudar o meu sentimento em relação aquilo. Então, percebo mas não sinto raiva, não sinto medo, não sinto, não sinto abandono, não sinto nada.

Participante: A criança quando nasce ainda não julga, como se dá isto?

Jorge: Começa a nascer já sente frio, já tem a percepção do tato já está ativa. Se o tato está ativo, é uma das percepções, você já está percebendo. Se você percebe, você julga, está fio ou está quente, por exemplo.

Participante: Então mesmo antes de nascer a criança já percebe estas sensações?

Jorge: Têm correntes que dizem que sim, têm outras que dizem que é a partir do momento que inicia o processo de nascimento. A diferença de opinião das correntes não é importante, importante é sabermos que o sentimento surge a partir de percepções e como nós julgamos as nossas percepções . Para desfazer toda aquela carga que nós temos de equívocos que foram trazidos através dos cinco sensores ou até mesmo por pensamentos equivocados, palavras, atos e omissões, nós temos que desfazer o sentimento. O fato não há como desfazer. Se não há como desfazer o fato, você passa ver o fato, mas não sente mais aquela mesma coisa, você se curou daquilo. A cura é nos sentimentos, você não sente mais aquilo em relação aquele fato.

Por exemplo: Quando eu senti tristeza pela primeira vez? Quando alguém gritou comigo, porque eu queria uma coisa, me senti impotente, fiquei muito triste e comecei a chorar de tristeza. Porque tinha uma coisa que eu queria e eu não podia pegar, quando eu tinha um aninho de idade. Aquele sentimento ficou. Hoje eu ainda sinto muita tristeza, só que não me lembro de onde vem esta tristeza. Se eu for fazer um retorno no meu registro de memórias eu vou chegar lá naquele ponto onde aconteceu a causa da tristeza. Se aconteceu a causa lá naquele momento, aquele momento não tem como eu mudar, mas eu posso desfazer o sentimento, não tem como eu voltar, no nível físico, a um ano de idade, mas eu posso voltar na minha mente. Agora, quando eu me lembro daquele fato não sinto mais tristeza, eu olho para aquilo neutro, aquilo não me afeta mais. Se aquele momento, que me gerou o sentimento de tristeza, não existe mais, de repente eu vou ver que aquela tristeza que eu tinha no peito, que eu não sabia de onde vinha, sumiu, é causa e efeito, desfaz a causa, desfaz o efeito.

No parágrafo que lemos hoje, dá uma receita também ‘Enquanto durar a percepção há lugar para a oração’. Por quê? A oração é o veículo dos milagres e ela tira a gente do nível da percepção.

Quando eu era criança, eu tive um pesadelo, acordei e aquilo estava acontecendo dentro do meu quarto eu sentia tanto medo, eu estava paralisado, não conseguia me mexer, nem gritar, então eu comecei a rezar, desfez aquela percepção, que era uma percepção equivocada. Todos os nossos pesadelos, não importa se estamos dormindo ou acordados, eles parecem reais, enquanto estamos diante daquela percepção.

Em qualquer situação em que nós percebermos medo ou as várias manifestações do medo, a receita é: oração. Porque a oração tira a nossa mente do estado da percepção. Os orientais cantam mantras , nós aqui no ocidente rezamos, é a mesma coisa. Se você entrar no estado de oração, sai do medo. Quanto mais você sentir medo, mais você pode colocar, no lugar do medo, a oração. Enquanto houver percepção, tem lugar para oração, depois não precisa mais, assim como não vai precisar mais o milagre, também não vai mais precisar rezar.

Participante: Gostaria de compreender melhor ‘Deus e o Seu milagre são inseparáveis’.

Jorge: Deus e o seu milagre são uma coisa só, não está separado. Como coloquei antes, quando a gente chega nível da Revelação, estamos no estado de milagre, você não precisa mais milagre. É como se você está com sede até estar cheia de água. Não quer dizer que você não precisa da água porque não precisa mais, quer dizer que você não precisa mais porque você já tem a quantidade inesgotável de água. Deus e seus milagres são inseparáveis. Você não tem mais necessidade de milagres, porque você estando em Revelação direta com Deus, você já está em estado milagroso.

Participante: Jorge, você ficou de contar sobre a árvore de Buda!

Jorge: Ah, sim! Há mais ou menos 6 anos uma professora de biologia, esteve aqui e nos contou que, passando numa praça aqui perto, viu uma flor no chão e identificou a árvore donde a flor caiu. Como ela não conhecia aquela árvore, como bióloga ela foi pesquisar. Descobriu nas suas pesquisas que aquela árvore era originária da Índia e o nome científico da árvore é ‘bombac’, é conhecida como a árvore de ‘bo’, ou a árvore de Buda. Porque dizem que Buda se iluminou sentado embaixo desta árvore.

Vamos, então, ler os parágrafos do novo subcapítulo “VI. O julgamento e o problema da autoridade”

Livro Texto
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Capítulo 3- A PERCEPÇÃO INOCENTE

VI. O julgamento e o problema da autoridade

Jorge: Depois da leitura, alguém gostaria de comentar algo sobre os parágrafos do novo subcapítulo, antes de iniciarmos o estudo de parágrafo a parágrafo?

Participante: Chamou a minha atenção, no parágrafo número 8, onde se lê: Essa crença é muito assustadora para eles, mas dificilmente abala a Deus. Ele está, todavia, ansioso por desfazê-la; não para punir Suas Crianças,....

O meu questionamento é em relação os termos ‘dificilmente abala a Deus’ e que Deus estaria ‘ansioso’, porque até aqui aprendemos que Deus é Amor e não reconhece outra coisa que não seja Amor.

Jorge: No meu entender é o segundo erro de tradução que encontrei neste livro, um outro momento diz que o ‘Espírito Santo impõe uma maneira de ser..’, o Espírito Santo não impõe nada, assim com Deus também não está ansioso . Em um outro momento o livro coloca que ‘Deus não sente nada a nosso respeito’, no entanto o céu não está completo porque não estamos presentes. Deus não sente nem ausência, nem ansiedade. Isto deve ser reflexão do sentimento de quem já se deu conta de que isto nos torna infelizes, mas colocado num nível como Deus ‘percebe’, é uma projeção. Imagino que foi uma tradução incorreta. Talvez fosse assim: no entanto nós devemos perceber, não que isto gera ansiedade e nos torna infelizes.

Transmitir este conhecimento, da maneira como este livro interpretou este conhecimento, já exige tradução para o nível das nossas percepções, isto já não é fácil. Além disso teve a pessoa que transcreveu, a Helen, depois disto teve o Bill que datilografou, depois teve a correção que normalmente se faz na gráfica, revisão do texto, depois ainda a tradução para o idioma português . É claro que por mais cuidado que tenham tomado, tem coisas que às vezes podem passar despercebidas. Parece que levaram dez anos para traduzir, estamos sujeito às imperfeições inerentes às percepções.

São raras as falhas que encontramos no livro. Como o livro dá margem à percepção ele necessita de cura.

Participante: Não estamos julgando, pois aqui ele contraria o que ele antes já tinha afirmando.

Jorge: Estamos lançando um olhar amoroso para fazer a correção.

Nosso ego fica procurando o erro, está atento. Por quê? Porque o natural e o que se espera é a perfeição, quando acontece algo que não está de acordo com a perfeição, imediatamente é identificado por aqueles que buscam a perfeição. Por isso que se torna, vamos dizer, de difícil aceitação, quando estamos buscando a perfeição, que se encontre um erro. Isso é fácil de compreender . Vamos supor uma parede toda descascada, suja, borrada, manchada, você vai lá e amassa um grão de feijão na parede, pode ser percebido, mas aquilo não faz diferença, não faz sentido. Aí você fica uma semana inteira lixando a parede, pintando, ficou perfeita, chega alguém e esfrega um grão de feijão nesta parede, aí você não quer aceitar.

Isto significa que nós apenas estamos caminhando acertadamente, estamos em busca da perfeição.

Quando vemos alguma manchinha que pode desestabilizar aquela perfeição, nós notamos , não como uma condenação, mas como algo a ser corrigido.

Uma história:

No edifício onde moro, as paredes internas do elevador são pintadas com tinta a óleo. Os moradores sobem e descem com carrinhos de supermercado, bicicletas, brinquedos, malas, sacolas, etc. De repente aquela pintura estava toda arranhada, porque ela é sensível a arranhões. Sempre havia julgamentos que as pessoas não cuidavam. Tivemos um síndico que toda a semana mandava pintava o elevador, as paredes do elevador estavam sempre boas, ninguém mais se abalou com arranhões.

Quando tinha um arranhão, não era motivo de julgamento, era motivo de correção. As pessoas pararam de reclamar dos arranhões e passaram a cuidar para não arranhar, porque sabiam que toda vez que acontecia um arranhão iria ter que se fazer a correção. Mas o síndico nunca reclamou, nem falou nada, nunca colocou uma câmera lá para descobrir quem arranhava para condenar ou julgar, ele simplesmente, quando via que tinha um arranhão, fazia a correção. Também não colocou cartaz pedindo para não arranhar as paredes, ele simplesmente fazia a correção.

Participante: Mas aumentava a conta do condomínio!

Jorge: De alguma maneira ele absorvia este gasto, porque as pessoas tornaram-se mais cuidadosas em tudo, perceberam que quando se comete um erro tem que se fazer a correção. Se começamos a purificar as nossas percepções, começamos a ver que o caminho é esse, de não julgar, não criticar, não procurar um culpado, projetar em alguém. Se vê um erro, corrige, um dia as pessoas vão começar a se transformar, porque vão aprender que o julgamento se torna uma arma de defesa e de ataque.

Na primeira vez que ele pintou as paredes, no dia seguinte estavam todas riscadas, daí as pessoas riscaram mesmo, se sentiram atacadas. Ele simplesmente pintou de novo. Cada vez tinham menos riscos. Vejam, como nós buscamos aprender nós podemos aprender com tudo, nosso caminho está pleno de oportunidades para aprendermos . Temos que sair do julgamento e saímos do julgamento a medida que saímos da percepção, porque a percepção é que nos faz julgar, buscar culpados. Quando entramos neste caminho, entramos no caminho da correção.

Já estudamos anteriormente que: A Expiação é o princípio, o milagre é o meio e a cura é o resultado. Até que por fim as pessoas se curam, e começam a ter mais cuidado.

Participante: Se convivo com uma pessoa que reclama muito, então, ao invés de reclamar disto, eu a compreendo, isto seria a ‘pintura nova’?

Jorge: Sim, seria! Começa a fazer a correção. A pessoa vai começar a perceber que reclamar não adianta , tem que fazer a correção.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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