UM CURSO EM MILAGRES
25 DE JUNHO DE 2003
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 39

O milagre dissolve o erro porque o Espírito Santo o identifica como falso ou irreal. Isso é o mesmo que dizer que por perceber a luz, a escuridão automaticamente desaparece.

Jorge: Como a maioria de nós já fez renascimento, eu vou me utilizar dum pequeno exemplo para que possamos entender melhor.

Uma história: Uma vez uma pessoa tinha muitos problemas com relacionamentos, não dava certo com os namorados. Um dia ela foi fazer renascimento e descobriu que, quando criança, ela viu a vizinha brigar muito com o namorado dela. A criança registrou que não queria ter namorado, tinha na época 3 aninhos. Depois esse registro ficou esquecido. Bom, ficou guardado lá nos núcleos mais profundos, mais escuros do ser dessa menina. Quando ela cresceu queria namorar e não dava certo, ela não entendia o porquê. Quando ela fez esse trabalho se deu conta que era por aquela razão, porque aquilo veio na sua mente, fluiu naquele momento que era por esta razão que ela tinha tomado aquela decisão. Ela perguntou: E agora o que vai acontecer?

O que acontece é justamente o que está escrito no Princípio. Quando você busca uma informação, que você vê, mesmo que ela te pareceu verdadeira para aquele momento, para este momento ela não tem significado, ou hoje ela vai te parecer falsa, porque você interpretou equivocadamente, em algum momento, um acontecimento que você percebeu, que você presenciou.Vai acontecer o efeito que a luz causa na escuridão: Aquilo vai ser dissolvido. Pode levar um tempo para dissolver, você assimilou aquela informação durante muito tempo. Agora você tem que assimilar que aquilo é falso, que aquilo não te interessa mais, que você não quer mais aquilo. Pessoas, por exemplo, levam um tempo para namorar com alguém, até que resolvem ficar com aquela pessoa. Quando ela resolve que ela não quer mais namorar, ela vai levar um tempo para assimilar aquela informação daquilo que ela não quer mais. Porque, quando ela começou a namorar com outra pessoa, para ela aquela pessoa era o príncipe encantado, era a verdade dela. Quando ela descobriu que aquela verdade não interessa mais, ela vai ter que assimilar para se desfazer daquela verdade. Neste sentido a palavra “verdade”, está sendo utilizada no lugar da palavra “crença” ou “percepção”, porque a pessoa acredita que aquilo é. E depois, como isso pode acontecer de não ser, então a verdade não é num dia e no outro dia deixa de ser, só para esclarecer este aspecto a respeito da verdade. São as nossas crenças a respeito do que é, as nossas percepções a respeito do que é a verdade. Mas como comumente nós falamos assim: “isso é a minha verdade”, as pessoas até colocam assim, mas não existe “minha verdade”, porque se não, todas as outras não seriam verdadeiras, existe somente “a verdade”. Mas nós puxamos para nós que a minha percepção é que é a verdadeira, a minha crença é a verdadeira. Temos tantas crenças ainda que julgamos verdadeiras, mesmo que não saibamos mais de onde elas vieram, é o que se chama de “paradigma”, a gente continua a executar o mesmo padrão. O que faz o milagre? Ele joga luz na escuridão e a escuridão se dissolve por si só. É o tempo da luz alcançar aquele ponto escuro, é o tempo que leva. Tem uma medida que é a velocidade da luz, não sei quantos quilômetros por hora no espaço, isso quer dizer que ela leva um tempo para chegar, é o tempo que nós levamos para assimilar a luz, assim, como nós também temos que assimilar a escuridão é isso que nós aprendemos com o dia e a noite. Nós temos um tempo para assimilar a noite e outro para assimilar a luz, até o momento que a gente vai ser só luz dentro de nós. Tudo vai estar claro dentro de nós. Os paradigmas ou essas crenças que fizeram os padrões de comportamento se formam desta maneira, nós não sabemos de onde se formam e o que diz é que o milagre dissolve. Sobre como se formam os paradigmas, tem uma historinha bem interessante.

Uma história:

Dizem que um grupo de cientistas pegaram 5 macacos e os colocaram dentro de uma sala. No centro desta sala tinha uma escada e no alto da escada tinha um cacho de bananas. Quando os macacos olharam para cima e viram um cacho de bananas, todos queriam subir para pegar as bananas. Quando um macaco colocava o pé na escada para subir, todos eles levavam um jato de água gelada. Chegou um momento em que, quando um se arriscava subir os outros iam para cima dele de tapas. Porque? Porque todos levavam jato de água gelada e eles não gostavam. Aí os cientistas fizeram o seguinte: - pegaram um dos macacos do grupo e o retiraram e colocaram um novo. O que aconteceu? O novo não conhecia a história, ele tentava subir a escada e apanhou de todos os outros, sem saber porque. Os cientistas retiraram mais um macaco e inseriram um novo macaco no grupo, é claro que ele quis subir a escada e, é claro que apanhou dos outros 4 macacos, inclusive do último que nem sabia porque é que ele estava batendo. Assim, eles substituíram todos os macacos, até chegar ao ponto que, daqueles que sabiam que, se subisse a escada levava um jato de água gelada, não tinha mais nenhum. E toda vez que eles introduziam um novo macaco que olhava para as bananas e tentava subir, ele apanhava, nenhum deles sabia mais porque.

É assim que nós criamos as nossas crenças e os nossos paradigmas, a gente anda se batendo, mas ninguém mais sabe porque. Essas crenças que a gente tem, esses registros de erro, registros equivocados que nós guardamos e não sabemos porque, por aqui por este mundo é assim, a gente erra e guarda. Quando acontece um milagre, ele desfaz o registro do erro, porque traz na mente das pessoas a compreensão do porquê aquilo é assim. Aí nós vemos que aquilo não tem sentido, que pode ter sido muito interessante quando a criança tinha 3 anos, ela ficava assustada quando o casal de namorados lá do outro lado da cerca brigava. Então ela disse: “Eu não vou namorar nunca, isso é muito ruim”. A mesma coisa que os macacos, eles não vão subir na escada por que é muito ruim. O que aconteceu? Era uma verdade para a criança e não é para a adolescente e ela mantém o mesmo padrão sem saber por que. O que a gente faz? A gente pode oferecer para esta pessoa um milagre. O milagre vai dissolver o erro, libertando a pessoa para que ela possa viver com liberdade, para que desfaça aquele paradigma anterior do erro. É isso que fala o Princípio 13 do Curso em Milagres que nós revimos na semana passada, traz para o presente o passado, que são os registros anteriores que estão lá formando paradigmas ou padrões de comportamento, dissolve e libera o futuro. É assim que o milagre funciona. Mais uma vez está colocado dessa maneira.

Livro texto
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5. O valor da Expiação não está na maneira na qual ela é expressa. De fato, se é usada de forma verdadeira, inevitavelmente vai ser expressada do modo que for mais útil para quem recebe, seja ele qual for. Isso significa que um milagre, para atingir a sua plena eficácia, tem que ser expressado em uma linguagem que aquele que recebe possa compreender sem medo. Isso não significa necessariamente que esse é o mais elevado nível de comunicação do qual ele é capaz. Significa, contudo, que é o nível mais alto de comunicação do qual ele é capaz agora. Todo o objetivo do milagre é elevar o nível da comunicação e não descê-lo por aumentar o medo.

Jorge: A primeira frase: “O valor da expiação não está na maneira na qual ela é expressa”. Quer dizer que você pode fazer a Expiação de diversas maneiras, talvez sempre seja através do perdão, do exercício do perdão, de desfazer o erro. Agora, se você desfaz o erro que está registrado em você através de uma compreensão simples, ou através de uma terapia, ou através de outra pessoa, o que importa que ela seja feita, não como ela é expressada. É como se dissesse : Não importa que palavras você usa, contanto que você vá lá e desfaça. Não importa o caminho que você toma, o que importa é que você vá lá e faça.

Uma história: Uma vez uma moça estava me contando uma história e ela disse que foi lá e fez o que tinha que ser feito, mas mo caminho aconteceu isso, aquilo, aquele outro, quando ela estava voltando também e foi detalhando tudo, o caminho de ida e de volta. O que a gente compreende? Não importa o que tinha no caminho, importa que você foi lá e fez o que tinha que ser feito. A maneira como é expressado ou qual instrumento você usa não é tão importante, contanto que você faça.

O milagre sempre vai ser um meio de elevação, nunca de colocar a pessoa mais para baixo. Nunca ele vai colocar a pessoa num nível mais baixo do que este que ela está, sempre vai trazer para a pessoa um nível mais elevado. Até aonde a pessoa chega nesse nível mais elevado, não quer dizer que é o nível mais elevado que ela possa chegar, quer dizer apenas que é o nível mais elevado que ela conseguiu chegar naquele momento.

A outra questão é, você oferece simplesmente o milagre sem a intenção, porque você não sabe realmente o que é bom para a outra pessoa naquele momento, eu acho que continua sendo válida. O milagre não surge a partir da tua mente, ele surge através da tua mente, porque você se conecta com teu Eu Superior, com o Espírito Santo e através desta conexão você oferece milagres horizontalmente para a outra pessoa. Então você faz a conexão vertical e estende o milagre horizontalmente. Como você vai fazer vertical e você não está mais acima, isso não quer dizer que você não pode estar mais acima, quem está mais acima de mim, ainda é o nível do Espírito ou do Espírito Santo. Ele consegue ver o que pode ser melhor para aquela pessoa.

Uma vez me perguntaram, falando a respeito de “deixar que as pessoas encontrem o que elas estão procurando, não interferir na vida das outras pessoas. Porque nós sempre achamos que o que é bom para nós é o que é bom para o outro. É o que nós trabalhamos anteriormente. Os nossos paradigmas. Acreditamos que, como para nós foi ruim subir na escada para pegar as bananas, para o outro também vai ser, então vamos tentar impedi-lo. Falando a respeito disso, uma pessoa perguntou: Mas Jorge, se você visse que tem uma pedra no meio duma pessoa, você não iria retirar a pedra? Vocês retirariam a pedra? A minha resposta foi: “Eu não retiraria a pedra”. Por quê? Porque eu não sei se não é isso que a pessoa está procurando durante sua vida toda. Aí eu vou retirar a pedra e ela vai continuar procurando e não vai achar. Mas eu não iria me omitir. Para não pecar por omissão e para não pecar por interferência, eu aviso a pessoa: “Tem uma pedra ai na sua frente, você quer que te ajude a desviar da pedra, ou quer que eu retire a pedra para você, ou quer deixar onde ela está?” Assim, nós não interferimos e nós não nos omitimos. Às vezes é aquela pedra que a pessoa estás procurando, a pedra que ela perdeu que não acha. Cada vez que ela está a ponto de achar, alguém vai lá e esconde ou tira do caminho dele. Isso às vezes serve em todos os níveis, no nível mental , emocional e físico. A pedra é simbólica. Todas as coisas materiais são simbólicas e estão aqui para o nosso aprendizado, para nós aprendermos com elas. Lógico que nós cometemos erros ou pecamos, por pensamentos, palavras, atos e omissões. Eu posso pecar por um ato, retirando a pedra sem perguntar para a pessoa se ela quer que retire a pedra ou não. Também posso pecar por omissão. Vou deixar a pedra, deixa ele tropeçar e quebrar o dedo. Talvez a maneira mais adequada seria esta: -Avisar a pessoa e deixar que ela decida. Isso é amor incondicional, você respeita a pessoa.

Participante: Numa hipótese de eu estar vendo que tem uma pedra no caminho da pessoa e a pessoa não estar vendo?

Jorge: Por isso que você diz para ela.

Participante: Ontem pela manhã eu foi caminhar e encontrei um pingüim na beira d’agua. Fiquei com pena do animalzinho ali perdido. Peguei o pingüim com intenção de procurar ajuda do IBAMA, porque pensei que se ele ficasse ali com certeza ele iria morrer. Lá pelas tantas encontrei dois salva-vidas na praia e fui falar com eles para pedir orientação, ajuda sobre o que fazer com o pingüim. Os salva-vidas riram do que eu falei sobre salvar o pingüim. Eles disseram: “Ah! É normal eles vêm pra cá pra morrer. Se ligar para o IBAMA eles vão vir aqui, vão jogar o pingüim na água ele vai nadar até sair”. O outro salva-vidas disse: “Isso faz parte, existe uma grande quantidade de pingüins, alguns tem que morrer”. No primeiro momento eu fiquei muito indignada pelo descaso destas pessoas , até porque a função deles ser salvar vidas. Depois pensei, eu fiz o que eu achava certo, na minha percepção e não era esta a percepção das outras pessoas, no caso dos salva-vidas. Certamente eles pensaram: “É só o que me falta tratar um pingüim perdido. Vai passear na praia, não tem o que fazer e fica querendo salvar pingüins”. Quanto a mim, se não fosse pedir ajuda eu iria me sentir mal por não tentar ajudar.

Participante: Na semana passada uma cachorrinha, com seus filhotes, entrou para o pátio lá de casa, ela estava fugindo dum cachorro grande. Fiquei com pena dos cachorrinhos, então arrumamos um local para ela e seus filhotes passarem a noite alimentados e bem protegidos do frio. Depois que estava tudo ajeitado eu fiquei preocupada, porque eu pensei: “Se ela não for mais embora, como eu vou fazer? No momento eu não posso ter um cachorro, muito menos com filhotes. Mas, pela manhã bem cedo a cachorrinha e seus filhotes saíram sozinhos da nossa casa, não foi preciso fazer nada. Aí entendi que ela só queria mesmo um lugar para dormir naquela noite.

Jorge: Tudo serve para o aprendizado e se confirmou agora que pingüim é uma ave. Porque se tem pena de pingüim. Concluímos que cachorro também é uma ave, temos pena de cachorrinhos. Pingüim, por ser pequeno eles não dão bola, se fosse uma baleia, aí tem que salvar porque é grande. Há uns anos atrás encalhou um baleia aqui no balneário. Uma amiga nossa que morava ali veio contar que alguém ligou para ela e disse: “Sabe, tem uma baleia encalhada aqui no balneário”. Ela disse: “Encalhada, não! Eu não estou tão gorda e não estou encalhada”. Até que pediram para ela ligar a TV para ela se convencer que tinha realmente uma baleia encalhada na praia.

Qual é o sentimento que ele, o pingüim, puxou em você? O que ele fez aflorar em você ? O que você vê é o espelho. O que você sente quando vê a reflexão, o reflexo. Você não tem que olhar para o espelho, tem que olhar para o que ele reflete, o que você sente quando vê o espelho.

Participante: Se, uma situação que vejo, provoca irritação em mim?

Jorge: Aí você descobre que você tem irritação, tem que trabalhar a irritação em você. Se ela sentiu irritação quando o salva-vidas disse: “Ah, deixa pra lá este pingüim”, isso serviu para mostrar que ela ainda tem irritação.

Todas as coisas estão aqui para nós percebermos o que nós somos. Que tipo de sentimento despertou a cachorrinha nas pessoas da casa onde ela chegou para comer e dormir, o que eles sentiram? Isso é que é importante, não o cachorrinho. O que aconteceu quando as outras pessoas se omitiram, quando foi pedido ajuda a elas? Você ficou com raiva, ficou irritada, que sentimento você teve? O sentimento já estava aí, é isso que tem que ver. Ele faz aflorar em você aquilo que você tem. Se você fica irritado, você tem irritação, tem que pensar assim: Tenho que dar um jeito de eliminar a irritação que eu tenho dentro de mim.

Participante: Se eu vejo as coisas e não sentir nada?

Jorge: O único sentimento que você tem que ter é amor, os outros não. Teríamos que ter sentimento de amor constante, pelo pingüim. Se o salva-vidas diz: “Pára de me perturbar, deixa este pingüim pra lá” e daí você fica irritado, então, tem amor, mas ainda tem irritação.

Outro dia eu aprendi com um poeta assim: “Se o avião cair, o problema é dele, eu continuo voando”.

Participante: Eu queria entender melhor sobre a função do espelho.

Jorge: A função do espelho é refletir você, é isso que você tem que observar. O espelho é a provocação. O que ele provoca ou o que ele reflete, neste sentido, vamos usar esta palavra, provocação ou reflexão, o sentimento que ele provoca ou desperta ou reflete em você é aí que você tem que se prender. O pingüim em si não é importante se ele vai viver ou vai morrer. O que isso trouxe de aprendizado para mim? Isso não quer dizer que eu tenha descaso pelo pingüim. Mas é para não concentrar a ocasião toda no pingüim, porque se não vai ter que aparecer outro pingüim depois.

Para irmos para o céu nós temos que ter limpado todos os sentimentos que não são amor. Temos que conservar só amor. O que não é amor, tem que limpar. Então, o pingüim não é importante, o importante é você aprender com o pingüim. Porque assim poderia ser uma pessoa, um cãozinho, poderia ser qualquer coisa. Se você aprendeu, o pingüim vai embora sozinho, como fez o cachorrinho. Quando você aprende a lição ele pode ir embora, você já aprendeu. Mas enquanto você não aprende ele vai voltar, vai vir outro, e outro, até você aprender a ser totalmente amor.

Participante: A pessoa estando no estado de amor, aquela situação que acontece que a pessoa aprende a trabalhar o sentimento dela, essa situação acaba ali?

Jorge: Acaba com a situação. Por quê ? Porque às vezes nós temos uma raiva guardada dentro de nós e não percebemos. Mas para você ir para o céu, você tem que limpar isso. Qual a maneira de mostrar para você que você tem raiva? É provocar isso paras aflorar para você. Por isso que todas as coisas materiais que estão a nossa disposição estão aí para nos mostrar o sentimento de percepção equivocada, para que possamos fazer a correção. Uma hora você tem que aprender. De um jeito ou de outro você vai pegar o céu. Você pode escolher o caminho mais fácil ou o mais difícil, mas do céu ninguém escapa. Enquanto a gente não aprende, aquilo vai acontecer.

Uma história: Eu tinha um amigo que era extremamente brigão, por qualquer coisinha queria sair batendo em todo mundo. Ele sempre apanhava. A última que eu soube foi que o filho dele foi encher o pneu da bicicleta no borracheiro e este cobrou 1 real do menino, ele ficou tão brabo e foi lá bater no borracheiro. Voltou com o nariz quebrado, o borracheiro era mais forte que ele.

O que ele tem que aprender? Por que esta situação se repete? Porque ele tem muita raiva, muita irritação dentro dele. É o que ele tem que trabalhar para eliminar isso.

Porque nós não vamos para o céu se nós tivermos esse sentimento dentro de nós.

Outro dia eu falei:- “O que está em cima é igual ao que está em baixo”. Falei isso num curso. Depois uma pessoa disse: - “Ah, eu queria aprofundar esse conhecimento”.

Eu disse a ela: - “Aprofundar não, ‘emergir’, aprofundando você vai mais para baixo, nós temos que ir mais para cima, mais para perto do céu”.

Ela disse: - “Você está muito contraditório, porque você falou que ‘o que está em cima é igual ao que está em baixo’ ”.

Eu pensei: ‘e agora, como saio dessa’! Aí eu olhei para cima e disse: “me ajuda, né’! Aí o que me veio para dizer foi assim: - “ Você tem razão, o que está em cima é igual ao que está em baixo. Esta é a realidade. Diferente é o caminho. Para ir para o céu você começa se libertando de toda a tua bagagem. Porque o nosso peso, o que nos prende ao nível do solo, é o peso que nós carregamos na nossa consciência. Todos os erros, as raivas, os ódios, os medos, todos os sentimentos equivocados, os pecados, os karmas, seja lá como você preferir dizer, é que pesam. Se nós nos libertarmos de toda essa bagagem, nosso corpo físico sem si não tem peso, ele vai ficar tão leve que você poderá caminhar sobre as águas, como Jesus fez. A partir daí você pode flutuar, vai ascender e vai para o céu. Esse é o caminho lógico para você ir para cima, para você emergir. Agora, se você quer se aprofundar, você faz assim: - Você começa a cavar, cada vez mais fundo, cada vez mais fundo, você vai passar pelos núcleos mais profundos da terra e continua cavando, continua cavando, você vai um dia chegar do outro lado. Do outro lado você vai estar no nível do solo. Aí o que você faz? Começa a soltar toda a sua bagagem. Então, de fato você tem razão, “o que está em cima é igual ao que está em baixo”. Você pode escolher libertar a tua bagagem e flutuar ou pode escolher e ir cavando, cavando e chegar no outro lado, você vai estar outra vez no nível do solo, aí você começa a soltar toda a sua bagagem, toda a tua raiva, toda a tua ira e vai acontecer a mesma coisa. Então, não é verdade que o que está em cima é igual ao que está em baixo? Você pode escolher o método para chegar lá. Você pode começar a soltar a sua bagagem fazendo a expiação agora e emergindo ou pode ir buscar isso nos núcleos mais profundos, cavando cavando, cavando. Qual o melhor método, emergir ou aprofundar, os dois são iguais, um leva mais tempo e dá mais trabalho para aprofundar. Quem escolheu aprofundar vai chegar ao nível do solo e vai ver o céu outra vez? Vai! Nós dissemos que do outro lado de onde estamos está o Japão, não sei se é exatamente, teoricamente estou sentado em cima do Japão. Se eu começar a cavar, cavar, vou chegar no Japão. Como é no Japão? Vou estar no nível do solo. Quando eu olhar para cima vou ver o céu. Então, não tem como fugirmos do céu. A questão é como escolhemos chegar até lá.

Participante: Às vezes me encontro em situações onde a pessoa coloca seu ponto de vista que é diferente do meu, eu não devo ficar com raiva, cada um pode fazer a sua escolha, tenho que colocar amor.

Participante: Mas se vejo na TV um pai maltratando um filho, eu não vou sentir raiva?

Jorge: Vamos colocar assim: Se fosse o pingüim que você encontrasse, você pode sentir um intenso amor, olhar para cima e oferecer milagres para o pingüim. Dizer para ele: “Amo muito você, que tudo aquilo que você necessite seja realizado, que se torne possível para você”. E vá embora. Não iria brigar com o salva-vidas. Essa seria a atitude correta. Não espere me ver agindo assim, porque aquela questão de olhar o espelho. Muita gente se olha no espelho e não olha a sua própria imagem. Eu já vi gente dizer: “Eu não vou mais lá no Jorge , ele diz uma coisa e faz outra. Ele disse que é isso que tem que fazer com o pingüim e quando ele viu o pingüim ele ficou com raiva... Então, aquilo lá tá tudo furado”! Não! Todos estamos aprendendo a olhar o reflexo, não o espelho. Eu sou espelho, não o reflexo. Você é o meu espelho. Então nós vamos trabalhar para sermos espelhos, uns dos outros, o que nós temos que observar é o meu sentimento quando eu vejo aquilo acontecer, não o que o espelho está fazendo. É isso que nós temos que aprender. Então a atitude ideal seria que agíssemos assim. Se víssemos um pai maltratando um filho, não importa em que nível, nós teríamos que sentir a mesma coisa. Aquele pai está precisando muito de amor, porque toda atitude agressiva é falta de amor. Então nós poderíamos, ao invés de despertar a raiva, que eu já não tenho mais, só tenho amor, quando vejo uma coisa dessas não vai vir raiva para fora, vai vir amor. Não tenho mais raiva, já trabalhei isso tudo para botar para fora. Já fui em não sei quantos Renascimentos, já fiz outros tantos Reikis, já me trabalhei com não sei quantos capítulos do Curso em Milagres, já rezei 1000 Ave Marias, tomei todos os Florais, já fiz Yôga, Lian Cong, massagem, já fiz de tudo. Minha foto Kirlian está toda cor de rosa, cheia de amor. Então o que é que iria despertar numa pessoa, que está nesse nível? Iria despertar raiva do pai?Iria despertar amor, porque é isso que ele tem. Agora, amor todos nós temos, mesmo que eu ainda tenha raiva, irritação, amor eu tenho também. Isso é uma questão de nesse momento fazer a escolha. O meu consciente ego, racional vai puxar raiva para fora, não amor. O Espírito Santo vai tentar puxar o amor, aí é que agem as duas forças e você tem o controle sobre as duas. Qual você escolhe. Se você ainda está fraco é mais provável que vai escolher a raiva eu também. Se me pega num momento de fraqueza vou escolher a raiva. O que temos que fazer? Você pode escolher novamente. Em seguida você se dá conta, “espera aí, eu não tenho que ficar com raiva da pessoa”. Eu tenho que ficar com amor. Então o que você faz? Você olha para cima e diz: “ Puxa vida, tem um pai ali que está tão fora de si, que está maltratando o filho”. Isso não muda o fato, mas muda o teu sentimento. Você sente amor e diz: “Eu gostaria de oferecer, para esse pai, um milagre para que ele sentisse mais amor, e vai embora. Você fez o que tinha que ser feito. Isso é fácil? Não é!

Uma história: Outro dia um pessoa estava dizendo aqui no grupo, ele é matemático, disse: “Quando ele estava aprendendo matemática o professor disse para ele : se você quer aprender matemática não veja TV”. Perguntou por que, o professor disse: “Porque você vai ficar com tanto sentimento contraditório que não vai conseguir somar 1+1. Tua mente vai ficar ocupada com o guarda que fez não sei o que; com o ladrão que xingou o guarda; com a guerra no oriente e com a paz que falta no ocidente e você não vai conseguir desenvolver os Teoremas, porque a tua mente está ocupada com outra coisa”.

Veja que interessante, um professor de matemática dizendo para um aluno. É este o trabalho que temos que fazer, se assistir TV despertas raiva, desligue a TV ou troca de canal. Às vezes até fico vendo lá uma situação, porque a gente tem que aprender com tudo. Eu tenho que aprender na favela e na cobertura, aonde quer que eu esteja. Se eu estou na favela e vejo como as pessoas estão trabalhando lá, se agredindo e sinto raiva, então tem alguma coisa errada, mas neste momento eu não quero sentir raiva, então desligo a TV. Por que? Porque eu ainda não estou conseguindo olhar aquilo sem sentir raiva, tenho que me trabalhar mais um pouco até o ponto de eu ver aquilo e não sentir ódio. Quando caíram as torres lá de Nova York, a maior parte das pessoas foi contaminada pelo ódio, poucas pessoas desejaram a paz naquele momento. A maioria das pessoas queria vingança. Então você vê, a paz está em você, o medo, o ódio e a vingança também, o amor também. Então, você pode escolher. É difícil fazer essa escolha? É! É por isso que eu estou aqui, para aprender a fazer escolha, me fortaleço com o grupo. Porque com o grupo eu aprendo, porque o grupo se fortalece nisto. Quando eu estou com o grupo eu aprendo a escolher o que eu quero sentir. Então eu posso sentir amor e posso sentir medo, posso sentir alegria ou posso sentir tristeza. Vocês podem observar que o mesmo fato acontece para duas pessoas e o sentimento das duas é diferente. A mesma coisa que acontece para uma, acontece para a outra. Cada pessoa pode sentir diferente esse mesmo acontecimento. É assim que trabalhamos. Você pode escolher o amor.

Alguém quer comentar sobre o parágrafo ou alguma dúvida?

Participante: Eu ainda tenho dúvidas sobre a “comunicação apenas mental”.

Jorge: Ele está tratando de duas questões aí. Primeiro ele diz sobre a Expiação, não importa como ela é expressada. Nós, a nível do mental superior, somos todos ligados. Por exemplo: Se eu magôo você e mentalmente eu peço perdão. Será que isso vai acontecer nesse nível de comunicação meu para você , horizontal? Então vamos ver se funciona! Concentre-se um pouquinho, feche os olhos os olhos, eu vou te mandar uma mensagem, Ok? Pode abrir os olhos! O que mandei de mensagem para você? Você não captou aí eu dizendo “hoje é dia 25”? Não! Então seria melhor expressar “hoje é dia 25”. Porque nós estamos habituados a uma comunicação mais palpável dentro do nível em que nós estamos. Eu vou lá e expresso o perdão para você, da maneira como ele é expressado não é importante, mas tenho que expressar. Às vezes a nível do pensamento eu não consigo expressar. Por isso que, às vezes, eu digo: Eu acredito que a nível do pensamento eu consigo pedir e oferecer perdão, mas se eu for lá me expressar eu vou acreditar mais em mim mesmo do que só no nível do pensamento, porque eu não fui educado para acreditar nos meus pensamentos. Por exemplo, eu fico com raiva duma pessoa e digo: “Tomara que machuque o pé” Aí a pessoa aparece , no dia seguinte, com o pé machucado. Você acredita que foi culpa sua? Você pensa: “Eu não tenho nada a ver com isso, eu não empurrei ninguém”. Não é isso que a gente alega? Jesus uma vez disse assim: “Dá a Cezar o que é de Cezar e ao Céu o que é do Céu. No nível da matéria nós temos que trabalhar sob as leis da física, por isso a gente aprende física no colégio, para entender e obedecer as leis físicas. Para entender e obedecer o nosso código de leis também. Nós temos que nos sujeitar à todas. A gente não pode dizer: “Eu estou muito espiritualizado, por esta razão não vou pagar impostos, não vou mais pagar aluguel”. Temos que tratar as coisas físicas pela compreensão da física. Nós aprendemos na escola, Educação Física, Física, Matemática, Comunicação Verbal e Escrita, todas as outras ciências, para que?

Para conseguirmos andar neste planeta, para saber como as coisas funcionam, para podermos interagir, para que possamos fazer a Expiação e expressar. A maneira como vou me expressar não importa, o que importa é que a outra pessoa receba aquela comunicação.

Participante: Estou insistindo neste assunto da “comunicação”, pelo seguinte:

Há alguns meses uma pessoa tomou uma atitude que me magoou muito. Tenho trabalhado isso comigo mesma para dar o perdão, fazer a Expiação. Não aconteceu mais uma oportunidade de falar a sós com esta pessoa. Esta semana eu fui na casa dela e puxei o assunto devagar, eu queria tocar de uma maneira amável naquele assunto, Ela contou uma série de coisas dela e lá pelas tantas falou que tinha errado com isso, com aquilo, mas dentre todas as coisas que ela citou e tem consciência de ter errado, não citou aquilo que eu estava magoada. Aí eu a percebi tão cheia de culpas, que se eu falasse, acrescentaria mais uma. O amável que eu pretendia ser, o perdão que eu estava querendo levar para ela, seria mais uma carga para quem já estava carregada de culpas. Assim, eu não consegui expressar o perdão, o perdão ainda não aconteceu.

Jorge: Neste parágrafo trata duas situações: da Expiação e do milagre. A Expiação é uma comunicação horizontal e o milagre vertical. Então, quando diz: “do mais alto nível de comunicação”, ele fala no sentido vertical que é a questão do milagre, não da Expiação.

Não adianta você forçar uma expiação. Porque quando a gente força uma situação, às vezes fica muito complicado. A oportunidade vai surgir se você tem a reta intenção de fazer a Expiação, a oportunidade vai surgir espontaneamente. Pode acontecer que, no momento que a pessoa se encontra, falta coragem, o que adia aquele momento. Vai ter outros, se você continuar com intenção a pessoa vai facilitar. Pode ser, também, que a pessoa está contornando porque tem medo de ter ofendido você, ela também deve estar preparando a Expiação. Se ela começou a contornar, ela se deu conta, apenas não conseguiu enfrentar você para dizer. Isso é um momento muito difícil, porque é um momento de muita tensão, você não consegue estar sutil, essa coisa funciona num nível mais sutil. Se você não estivesse tão tensa, teria percebido a sutileza da coisa e teria dito algo assim: “Olha, você sabe que eu acabei magoada por engano, achei que você queria me atingir”! A pessoa talvez dissesse: “Ah, não me diga que te magoei, me perdoa..”

A coisa vai acontecer de uma maneira muito suave, muito leve, contanto que você não vá forçando isso. Enquanto ainda tiver que forçar é porque ainda não está maduro, vocês dois ainda estão encaminhando-se ao ponto da Expiação, mas ainda estão se chocando. De repente vai acontecer de maneira muito natural.

Uma história: Uma vez eu briguei com um amigo, ficamos quase um ano entre choques, nós nos encontrávamos e saía faísca. Até que um dia a gente se encontrou numa reunião e eu disse pra ele: “Eu queria aproveitar a oportunidade de pedir perdão a você”. Ele disse: “Ah, Jorge, isso já passou”. Para mim não, o fato já passou, a raiva já passou, ainda ficou pendente eu dizer pra você: “Me perdoa por eu ter dito aquilo”! Aconteceu num ambiente alegre, tinham outras pessoas envolvidas, não sei se entenderam ou não, mas ficou tudo resolvido.

Muito fácil. Quando você tem a intenção da Expiação, todo Universo vai preparar a oportunidade para você.

Participante: O Universo conspira a favor.

Jorge: Não usei esta palavra, ‘conspira’, porque ela tem uma conotação de que é contra, quando na verdade trabalha a teu favor.

Exercício da Semana: Vamos fazer outra vez o exercício do espelho. Vamos lembrar do pingüim. Toda vez que aparecer uma situação na nossa frente vamos lembrar da história do pingüim. Vamos olhar para este espelho com amor. Escolhendo o sentimento de amor. Vamos identificar o sentimento que ainda temos em nós. Essa semana vamos olhar para o espelho e escolher sentir amor. Se você escolher sentir amor, a luz por si só dissolve a irritação. No momento que você escolher sentir amor, dissolve a raiva que tem dentro de você. A raiva, naturalmente, ainda estava lá. Você iria projetar no salva-vidas, no caso. Sentir pena também não é amor, não adianta ficar com pena do pingüim, correr e pedir ajuda para o outro, o outro não ficando com pena, você vai sentir irritação, vai ligar para o IBAMA e se eles não virão, você vai sentir raiva, aí o pingüim vai morrer você vai sentir ódio. Depois disto tudo tem que fazer terapias e mais terapias para resolver isso, então já sinta amor na primeira, você já resolve tudo com o primeiro espelho. Tenta resolver tudo com o pingüim e pronto.

Segundo o que nós trabalhamos hoje, não é para ter medo do amor, então você escolhe sentir amor na primeira. Se o que vocês fizerem for coerente com o que está escrito, isso vai se resolver sozinho, de uma maneira surpreendente a teu favor,é isso que está prometido aí, vamos ver se funciona? Você vai ter que ser muito coerente consigo mesmo, para ver se realmente estás sentindo intenso amor por todas as pessoas que estão envolvidas. Você vai se dar conta de mais uma coisa, que todo esforço que você faz foi inútil. Nós já estudamos anteriormente que “Você vai despender um esforço para chegar no mesmo lugar”. O esforço inútil é quando você tentou aprofundar-se, é que você cavou, cavou..., teve que desviar o mar, se cavasse reto..., quando chegar lá, vai se dar conta que o esforço foi inútil, não precisaria ter se aprofundado. Se você tem amor já no começo é só fazer: Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil e estou contente de ser útil naquele momento, não preciso me preocupar com o que dizer e o que fazer, não preciso telefonar a para o IBAMA para isso, para aquilo. Ser útil naquele momento, verdadeiramente, contente por ter encontrado um pingüim. Não adianta você se desgastar, fazer esforço inútil, tem que escolher sentir amor e aceitar a Expiação, compreender que tudo é uma oportunidade de aprendizado. Então vamos olhar o espelho, escolher amor e não precisa se preocupar.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

 

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