UM CURSO EM MILAGRES
18 DE ABRIL DE 2005
2ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 26
Milagres representam a libertação do medo. “Expiar” significa “desfazer”. Desfazer o medo é uma parte essencial do valor dos milagres na Expiação.

Jorge: Não tem um tipo de medo, tem várias projeções do medo. Se você tem medo, você tem medo! Projetar o medo em alguma coisa para ver se tem medo disto ou daquilo é conseqüência de ter medo. Com a Expiação o medo desaparece por completo.

Participante: Às vezes sabemos que temos que mudar alguma coisa, mudar de faculdade, por exemplo, mas temos medo, nos acomodamos e ficamos.

Participante: Me parece que este medo colocado aqui é o medo dos perdões não concedidos, acumulados. Também tem o medo de preconceitos, de quebrar paradigmas. Ou é tudo isto junto? Então se você tem medo, um temor de uma certa área.

Jorge: Tudo junto! Você está direcionando o medo para aquela certa área, fazendo dela um ‘bode expiatório’.

Participante: Mas o medo é daquela área mesmo, não?

Jorge: Não! Você projeta o medo, aí você expressa daquela forma o medo. Mas pode mudar o modo de expressar o medo em outra coisa.

Só existem duas condições em que nós podemos estar, no amor ou no medo. Se temos medo, é claro que não podemos ter medo de tudo, se a gente tem medo de tudo, temos a tal síndrome do pânico, daí a pessoa tem medo de sair de casa, tem medo de dormir, tem medo de acordar, tem medo de tudo. Isso é um estado amedrontador. Não conseguiríamos viver neste estado, então canalizamos o medo numa direção. O medo gera a dúvida.

Veja como a gente não liga a causa com o efeito.

Por exemplo, passei no supermercado, tinha lá uma cesta de bombons, eu peguei um bombom e coloquei no bolso, não passei no caixa. Mas eu fiquei o tempo todo com medo. Até eu sair do supermercado eu fiquei com medo que alguém me parasse . Depois que saí do supermercado eu fiquei com medo que alguém tivesse me visto. Esse medo se instalou devido a um erro, a uma atitude sem amor. É uma atitude sem amor pegar alguma coisa que não me pertence. Erro é uma atitude sem amor, que é a mesma coisa que equívoco, ou pecado.

Eu não quero me lembrar a todo momento que eu peguei um bombom no supermercado. Então, o que eu faço? Esqueço a causa. Mas eu não consigo esquecer o efeito, o efeito é o medo. Agora se passaram vinte anos, eu estou na faculdade e quero trocar de faculdade e estou com medo de trocar a faculdade.

O que aprendemos aqui? A Expiação dissolve o medo. A certeza vem de Deus e o medo vem do erro, da atitude sem amor. Pra você perder o medo e a dúvida das coisas você tem que começar a abrir a ‘caixa preta’ e resolver o que está lá dentro. Se você não tem medo de ver o que tem lá dentro, se você tem força pra isso, arranje forças, pra começar a trabalhar o perdão a disponibilidade para perdoar e pedir perdão, aí as coisas vão acontecer e você não vai ter mais medo. Um dia você diz ‘vou fazer uma coisa bem diferente’ você vai sem medo. Ai você não tem medo de viver, não tem medo de saltar de para quedas, de asa delta, de andar de barco, de andar de avião, você não tem medo de trocar de faculdade, de trocar de namorado, de se relacionar com alguém, você não tem medo de mais nada. Ai você realmente vai viver, intensamente, sem medo.

O nosso mecanismo do ego fez, criarmos um mecanismo de defesa desse medo, desligamos a causa do efeito. Esse fato de desligarmos a causa do efeito fez com que nós projetássemos o medo em outras coisas que não tem nada ver com a causa.

Agora o problema é: Você tem o efeito e não sabe onde está a causa. Não quero ficar sempre me lembrando ‘ai, Meu Deus, peguei um bombom no supermercado!’ Isso é terrível para a gente, fica rodando na cabeça da gente.

As pessoas dizem: ‘Esquece que você pegou esse bombom de uma vez por todas, pára de te atormentar! Esquece isso, ninguém viu, isso não é nada!’ Alguém vai ensinar você a jogar a causa lá dentro da caixinha preta. Só que você fica com medo, porque o medo você não consegue desfazer ou esquecer. Aí você vai andando pela vida, num determinado momento você tem medo de uma coisa e não sabe mais qual é a causa. Por isso que se diz: ‘Por causa de que você está com medo de fazer isso...?’

Se fosse só o bombom do supermercado, iria fazer um exame na consciência e você descobriria que a única coisa foi o bombom, mas são tantas coisinhas, aí você não sabe mais, todas elas causam medo. Temos que ir desfazendo todas, por isso é tão importante fazer a Expiação. Se não andar nessa direção a gente vai ficar com medo sempre. Por mais que ninguém saiba, eu sei! Esse medo vai me acompanhar. Mesmo que a outra pessoa não ficou sabendo, mesmo que o dono do supermercado não ficou sabendo, ninguém viu, mas eu vi e eu sei! Tenho que ir lá e confessar o erro, pedir perdão e pagar o bombom.

Participante: Pode explicar de novo a Expiação?

Jorge: Expiação é o ato de desfazer o medo. O medo surge dos erros que a gente faz. Se você quer desfazer o medo, você começa a desfazer os erros. Você vê aquilo que você lembra, é nessa direção que vamos. Você lembra que pegou um bombom no supermercado e não pagou, começa por aí! Vai lá, chama o gerente e diz: ‘Olha você não sabe o que aconteceu, eu estava passando na prateleira de bombons com o bolso aberto e um bombom pulou dentro do bolso...quando cheguei em casa eu comi o bombom, e agora eu vim pagá-lo.’

Participante: Tem tantos jovens com síndrome de pânico, será que é fruto de tantos erros?

Jorge: Não tem outra explicação. Vejam o que acontece com os jovens, sempre tivemos, desde a minha geração e a geração dos meus pais uma séria crença, muito forte com relação ao pecado e um dos pecados mais conhecidos é da nossa sexualidade, tudo era pecado. Trazemos isto da geração dos meus pais até a minha, houve uma transição, e agora nesta geração está assim uma liberação com relação a isto. Só que liberou no físico, mas não na mente. O sexo está liberado, todas as pessoas estão ficando com todas as pessoas, mas o medo do pecado não desapareceu. Então, o que acontece? Cada vez que este jovem fica com uma parceira diferente, fica com mais medo. Se a pessoa não tem idéia do pecado tem idéia da AIDS, a pessoa se pergunta: ‘Será que eu consegui sair dessa inteiro?’ Isso pode se manifestar daqui a dez anos, quinze anos. Os jovens estão cheios de pânico, de medo. Tem medo porque a AIDS é o castigo do pecado, é assim que se vê isto, castigo pelos seus pecados.

Porque isto está com os jovens? Eles estão, se olharmos por este lado, estão se saindo grandes pecadores. Estou dizendo isto num clima até de gozação, porque às vezes eles não se dão conta, mas eles têm muito medo. É uma onda que esta geração está passando, não tem como ficar fora, entra com medo e sai com mais medo ainda. Está afetando mais os jovens, começa a perguntar, o que você fez?

Participante: Às vezes eu tento mostrar isto...mas eles não querem nem ouvir!

Jorge: Não tem como doutrinar os jovens, eles não aceitam determinação nenhuma. Não tem o que fazer. A única coisa que podemos fazer é o que trabalhamos no exercício da semana, é você acender a tua lusinha, à medida em que você vai ficando bem as pessoas vão começar a perceber que você está diferente, embora estando no meio, você pode se amiga das pessoas, pode conviver com elas, mas não precisa compactuar com os erros, se foi isto que você escolheu. Daqui a pouco as pessoas vão dizer: ‘Como é que você está tão bem, como é que você não tem medo disto e daquilo?’ Um dia você pergunta: ‘Se você quer mesmo saber, venha participar de uma palestra de duas horas muito chata!’ Daí você explica para ele.

O medo atrai as coisas erradas para a vida da pessoa , já trabalhamos isto aqui. Quem é que o cachorro vai morder? Quem tem medo! Quem é que o assaltante vai pegar? Quem está com medo! Quem é que vai ser abordada na rua por uma pessoa mal intencionada? Quem está com medo! Mesmo que seja abordada por uma pessoa mal intencionada, se você não tem medo, você transforma a intenção da pessoa. Um dia fui abordado por uma pessoa suspeitamente mal intencionada, aí conversei normalmente com a pessoa, no final da conversa ele me disse: ‘Que Deus lhe abençoe!’

Participante: Tem um determinado lugar onde tenho que passar, mas eu tenho medo de passar lá com as minhas jóias.

Jorge: Se você não tem medo de ficar sem as jóias, você pode ir lá. Uma vez eu morava à beira de uma favela, tinha uns cinco quilômetros de favela. Tinha um caminho no meio da favela que era um atalho para sair do outro lado, ninguém se arriscava a passar ali. Eu passava, nunca tive medo e nunca ninguém me incomodou. As pessoas me cumprimentavam. A minha casa era bem pertinho da favela, assaltavam as casas do lado, roubavam, na minha casa nunca ninguém roubou nada. A minha casa era a última casa antes da favela, a polícia não entrava lá. Eu não entrava para ser corajoso, desafiador. O desafiador tem medo. Eu passava normalmente, eu não tinha medo das pessoas, eu não tinha medo que alguém atirasse em mim. Quando você não tem medo, você pode subir o morro, ninguém sabe se você vai voltar vivo, mas pode-se dizer ‘foi porque não tinha medo’. Então você não pode ter medo de morrer também. Se você vai cheio de jóias, você tem que se dar conta que pode estar provocar e dizem também que ‘a ocasião faz o ladrão’. Se eu tiver, por exemplo, com alguma jóia, e tiver que entrar na favela, de repente eu tiro a jóia e coloco no bolso. Não é porque tenho medo de ser assaltado, porque acho que a gente tem que ter consciência das coisas. Você está no mundo, você vai ficar mostrando dinheiro na rua? Não se faz isso! Temos que saber o que está certo e o que está errado. Você sabe que está cheio de gente que está na beira do desespero, então não temos que provocar o assédio das pessoas.

Se você tem algum medo, não importa de que, ele é oriundo de algum erro, não sei qual, porque nós desconectamos a causa com o efeito. As doenças também são produtos do medo. É a mesma coisa. Se você tem uma doença, você tem medo. Está no medo, no erro. Então, tem que começar a desfazer os erros. Esse é o processo que a gente vai trabalhar o tempo inteiro aqui, de diferentes maneiras, com diferentes abordagens.

Livro texto
Página 47
Capítulo 3 – A Percepção Inocente
V.Além da percepção
1. Eu tenho dito que as capacidades que possuis são apenas sombras da tua força real e que a percepção que é inerentemente julgadora, só foi introduzida após a separação. Ninguém tem estado seguro de coisa alguma desde então. Eu também fiz com que ficasse claro que a ressurreição foi o meio para o retorno ao conhecimento, realizado pela união da minha vontade com a do Pai. Podemos agora estabelecer uma distinção que esclarecerá algumas das nossas declarações subseqüentes.

Participante: Quando percebo, estou julgando, tenho que parar de julgar para que possamos retornar ao conhecimento.

Jorge: Temos que ver como as coisas são na matéria, para entendermos como são nos níveis além da matéria. Dizem que o que está em cima é igual ao que está embaixo.

Você conhece uma pessoa e casa com ela. Quem casa é porque conhece, conheceu. O João conhece a Maria e ela conhece o João, os dois casam. Vivem bem, até que se separam. Quando se separam começam os julgamentos. “Como é que eu não percebi que ele era assim...; Como é que eu não percebi que ela tinha as orelhas grandes...?’ No nível do julgamento físico, das leis físicas, colocadas pela sociedade, vai a julgamento das leis da sociedade para ver quem é que fez isso...quem é que fez aquilo...

Começamos a perceber defeitos na outra pessoa .

Uma vez um rapaz foi numa vivência de Renascimento e ele é advogado. A noiva dele queria muito ir junto. Ele não levou a noiva. Depois comentou com a gente, como ele trabalha com pessoas que estão se separando, ele disse:’As pessoas se conhecem e se casam, vivem bem até o dia em que separam. No dia em que separam é incrível como eles tem coisas guardadas do tempo antes de se namorarem. Começam a tirar do bolso aquelas perdas para jogar um no outro. Eu não vou trazer a minha noiva aqui, não sei como é isso, vá que eu fale alguma coisa...!’

É o medo não é? Se tem medo é porque fez alguma coisa errada, senão não teria medo.

Participante: Quem não deve, não teme, não é?

Jorge: É justamente isso, e é exatamente assim!

Estamos revendo isso, porque é muito difícil nós entendermos esta tal ‘separação que aconteceu na nossa mente’ que o livro fala. Que é a separação de Deus, a separação do espírito, que a Bíblia conta como ‘o homem saindo do paraíso’. Que o homem separou-se de Deus, saindo do paraíso. Isso, de repente, fica fácil de entender, porque a pessoa que está com Deus, na sua mente e sua mente está unida ao espírito, essa pessoa vive como se tudo fosse um paraíso. Separou, já sai do paraíso. Nós devemos ter saído, em algum momento, na nossa mente, desse estado paradisíaco, para vir para o estado da percepção.

Saímos do conhecimento para entrar nas percepções, as percepções são julgamentos. Toda a nossa existência está baseada no que nós percebemos, e em vista do que percebemos, julgamos. Por isso que se diz que os julgamentos são os nossos erros. Julgamos por pensamentos, palavras, atos e omissões. Então, temos uma nova palavra para significar erro ou pecado, julgamento é a mesma coisa.

Participante: Situações assim: achamos que aquele matou o outro...

Jorge: Acho que é uma das coisas mais difíceis. Tem que ter a sabedoria de Salomão para poder ser um bom juiz.

Uma história:

Duas mulheres brigaram por causa de uma criança, cada uma dizia que ela era a mãe verdadeira da criança. Salomão disse: Vou cortar a criança ao meio, darei a metade para cada uma de vocês. A verdadeira mãe se manifestou dizendo: Não corte, dê a criança para ela, então!

Numa outra situação bem semelhante aconteceu assim:

Duas moças estavam brigando por causa de uma rapaz. Uma dizia que o rapaz tinha que se casar com ela e a outra dizia a mesma coisa. As duas moças, as mães das moças e o rapaz foram falar com Salomão. Em defesa das moças estavam as mães das moças que diziam: ‘Porque ele tem que casar com a minha filha!’ A outra mãe dizia: ‘Este rapaz tem que se casar com a minha filha!’ Cada mãe colocou suas argumentações. Salomão pensou ‘já que funcionou quando ele era pequeno’ disse: ‘Então, vamos cortar o rapaz no meio e cada moça leva um pedaço do rapaz!’ Aí uma das mães das moças disse: ‘Então pode deixar que case com ela.’ A outra disse: ‘Corte-o ao meio!’ A quem Salomão disse que ficava o rapaz? Para aquela que disse ‘pode cortar ao meio’, porque só uma sogra aceita cortar o genro no meio. Essa é a verdadeira sogra! Sogra é diferente de mãe! (Risos).

Livro texto
Página 47
Capítulo 3 – A Percepção Inocente
V.Além da percepção
2.
Desde a separação, as palavras “criar” e “fazer” passaram a ser confusas. Quando fazes alguma coisa, fazes a partir de um senso específico de falta ou necessidade. Qualquer coisa feita para um propósito específico não tem nenhuma generalizabilidade* verdadeira. Quando fazes alguma coisa para preencher uma falta percebida, estás implicando tacitamente que acreditas na separação. O Ego inventou muitos sistemas de pensamento engenhosos com esse propósito. Nenhum deles é criativo. A inventividade é um esforço desperdiçado mesmo na sua forma mais engenhosa. A natureza altamente específica da invenção não é digna da criatividade abstrata das criações de Deus.

Jorge: Tudo o que você faz em função de uma necessidade é do ego, não é do espírito. Quando você quer saber se uma coisa é do ego ou do espírito, você usa esta regrinha. Tudo que você faz em função de uma necessidade, não é do espírito, porque não é criativo. Quem tem o conhecimento não tem necessidade, então não precisa fazer nada. Então tudo que está aí, está certo, está na mais perfeita ordem.

Participante: O que quer dizer ‘sistemas de pensamento engenhosos’?

Jorge: Fala a respeito da nossa engenhosidade. O ego criou muitos sistemas de engenhosidade para complicar a nossa vida. Tudo o que é feito, tudo o que nós fazemos em função de uma falta é uma coisa desnecessária, não precisaria.

Uma história:

Quando Einstein estava na universidade, na aula de física, o professor perguntou para ele: Como é que você mede a altura de um edifício, usando um barômetro? Einstein respondeu: Você sobe até o telhado do edifício, amarra o barômetro numa corda e solta até o chão, depois recolhe a corda e mede. O professor deu um ‘zero’ para ele. Ele reclamou e disse: A menos que tem uma conspiração contra mim, isto é uma resposta perfeita para a lei da física!

O assunto foi levado para o Conselho e lá resolveram que iriam dar uma nova chance para ele responder de outra maneira, aquela maneira, embora correta, não era a maneira de um aluno de física responder. Einstein respondeu que tinham muitas maneiras de fazer aquilo, usando um barômetro. Pediram para ele dizer uma delas. Ele falou: Uma delas é: Pego um barômetro, coloco-o na posição contra o sol e vejo qual a sombra que ele projeta em relação à sombra do edifício, uso a fórmula..., e calculo a altura do edifício.

Concluíram, que a resposta não tinha nada a ver com barômetro, mas que ele tinha usado o barômetro da maneira correta. Aceitaram a resposta, e perguntaram para ele: Quais são as outras maneira?

Einstein disse: Subir no telhado do edifício e usar o barômetro como pendulo, ele iria medir a resistência do ar e do movimento do barômetro, aí iria usar uma regra tal ;

Outra é subir pelas escadas com o barômetro e ir marcando 1, 2, 3...até o topo do edifício, depois era só somar quantas vezes você marcou o tamanho do barômetro e saberá a altura do edifício. Ele disse: Tem outros jeitos ainda de saber, um deles é ir até a casa do síndico e dizer: Senhor síndico, se o senhor me disser a altura do edifício eu lhe dou esse barômetro de presente!

Daí disseram pra ele: Mas por que você está complicando tanto e não dá a resposta que a gente aprende nas aulas de física? Ele respondeu: Porque a resposta que se aprende nas aulas de física é engenhosa e molda as pessoas para não desenvolverem a inteligência, para ficarem presas somente naquilo que se ensina nas aulas de física e tem tantas outras maneiras.

Ele mostrou como funcionam os sistemas da engenhosidade, qualquer resposta daquelas era uma resposta correta para aula de física, e era incontestável, só que não aceitaram, queriam a resposta que eles ensinaram para aquela pergunta.

Vejam, tudo isso é da engenhosidade, não precisa essas coisas. Não precisa usar o barômetro, se existem tantas outras maneiras para se chegar à resposta. Quem tem o conhecimento, não precisa da engenhosidade do ego. Não precisa fazer equações matemáticas, usando os neurônios para fazer complicadas fórmulas para saber a altura do edifício, pega aquilo e faz de maneira simples. Por quê? Porque ele sabe que as coisas são simples, ele não cria um instrumento para uma necessidade sendo que aquilo está tão fácil. Vejam, se a maioria das coisas que nós temos não são coisas que inventaram para preencher uma necessidade e complicaram a coisa cada vez mais.

Os micros que nós temos, o que dizem as pessoas que trabalham com micro ‘inventaram isso pra resolver problemas que antes da existência do micro a gente não tinha!’ Essa coisa incomoda tanto, e antes a gente não tinha isso. O que é isso? Mais uma coisa que fizeram para suprir uma necessidade, agora a gente tem que ter um micro, no fim gasta muito mais tempo do que se fizesse no papel! Comprei o micro para ficar mais tempo sem fazer nada, eu já acordava mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada, aí comprei o micro para ficar mais tempo sem fazer nada.(risos)

Ficava muito tempo escrevendo nos livros Caixa, Controle de Estoque, agora já não dá tempo para fazer nada, tenho que ir lá para o escritório faz esta tabela, e aquela outra, e mais uma ..., quando parece que está tudo bem, aquela coisa pifa, aí tem que fazer tudo de novo.

Caderno, Livro Caixa, nunca pifou, nunca perdi os dados, agora de vez em quando a gente está perdendo tudo. Vejam que todas estas coisas de fato não precisava. Assim como, o medo da informática as pessoas vão perder o emprego, perderam determinadas funções, mas quantas outras apareceram em função dos micros. Tem profissões que hoje estão quase desaparecendo, sapateiro, alfaiate, lavadeira. Não é que aquela profissão está gerando desemprego, está gerando muito mais empregos na outra área, porque essa coisa está dando tanta dor de cabeça que precisa tanta gente para trabalhar naquilo. Estão mudando as atividades.

Tudo isso são engenhosidade, são obras da engenharia, quem tem conhecimento não precisa disto. Faz as coisas sem precisar disto tudo.

É isto que está dizendo aí, tudo aquilo que nós fazemos para suprir uma falta é do ego, não é do espírito. Quem está no espírito não precisa nada disto. É Tudo muito mais simples. Nós nos perdemos nestas nossas engenhosidades. Criamos necessidades com as nossas engenhosidades. Criamos coisas para suprir necessidades, depois criamos necessidades para suprir as nossas engenhosidades e ficamos dentro deste circulo. Fora disto deveríamos experimentar, para ver como tudo se torna mais simples. A gente pode até levantar mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada. Hoje levanto mais cedo para ficar mais tempo trabalhando do micro. A gente ocupa o tempo inteiro para essas coisas.

A necessidade a falta, não é do espírito, é do ego. Qualquer coisa que nós sentimos necessidade ou falta é um equívoco da nossa percepção.

Uma história:

Um dia eu conversando sobre isto com uma pessoa ela me disse:

-Na teoria é simples isso, mas aplique-se!?

Eu disse:

-O que você acha que você não poderia viver sem?

-O carro, não é Jorge!?

-Onde você mora não passa ônibus?

-Passa! Tá eu admito que eu poderia viver sem carro, mas têm coisas que não dá para ficar sem! Microondas até que dá, porque antes eu vivia sem, mas a geladeira, por exemplo, não tem como!

-Tem sim, você só prepara os alimentos que vai comer naquela refeição e só compra as frutas e verduras que vai comer naquela refeição.

-Tá bom Jorge, mas fogão não dá para viver sem!

-É só não comer nada cozido.Comer frutas e uma porção de coisas que dá pra comer cru.

-Pois é, por enquanto, assumo que necessito destas coisas.

Participante: Sem uma casa não dá para ficar!

Jorge: Morar numa casa é uma coisa, achar que não dá para viver sem ela é outra. Se eu ficar sem a casa eu vou viver igual, então, de fato não é uma necessidade daquelas imprescindíveis.

Participante: Sei de uma coisa que a gente não vive sem: A água!

Jorge: Se não tiver mais água, você vai querer viver para quê? Não vai poder tomar banho, não vai poder beber água, não vai ter mais nada para comer, também, tudo vai estar seco.

Dá para viver sem essas necessidades externas. Quando eu era criança não tínhamos geladeira, a minha mãe conservava carne, o ano inteiro, sem geladeira, na lata de banha.

Participante: Na minha casa não tinha rádio, nem televisão, nós brincávamos até o escurecer e as brincadeiras eram completamente diferentes de como são hoje.

Jorge: Todas estas coisas, que hoje são as necessidades sem as quais não fazemos nada, como por exemplo, as pessoas pensam que estão se amando, não podem casar se não tiverem fogão, geladeira, sofá , telefone, microondas, televisão, DVD, tem que ter tudo

Para casar, senão não pode.

Vejam, como criamos necessidades que não são fundamentais. Às vezes as pessoas vêm aqui: -Ah pois é a gente queria casar; - Por que não casam? – Ah, porque a gente não tem dinheiro para comprar a geladeira! – Mas isso não precisa! Isso é tudo superfulo! Amanhã, de repente você tem que ir embora, daí vai ficar essa tralha toda aí.

Uma vez eu conheci uma pessoa que veio aqui quando estava se separando e a briga era por causa de um televisor e de uma geladeira. Como o casal tinha um filho e o filho ficou com a mulher, a geladeira e a televisão eles tinham comprado juntos, ele achava que não podia sair de casa porque não podia levar a televisão e a geladeira, se eu levar depois ela vai me acusar que deixei o nosso filho sem geladeira e sem televisão e se eu não levar, eu também ajudei a pagar, e acho que tenho direitos. Estavam brigando por causa disso. Então, pedi pra ele ir no móveis usados e ver quanto custa uma geladeira e um televisor usado. Disse a ele: Você trabalha um mês que eu te ajudo a pagar, pra pararem com essa briga.

As pessoas pegam naquilo que parece que tem valor, que sem aquilo não pode mais viver. Todas essas coisas, de fato, não são necessárias. Quanto menos coisas a gente tem, melhor a gente vive.

Tem uma sabedoria dos povos do deserto, são aqueles povos lá do oriente, árabes, são muito ricos, dizem: Não invista em nada que você não possa carregar! Vai comprar geladeira? Não, não compre geladeira, se você precisar sair andando, o que vai fazer com ela? Se precisar mudar de cidade, você perdeu o investimento, porque, se pagar o caminhão da mudança vai custar o preço da geladeira. Então não invista em nada que você não possa carregar, apenas aquilo que você pode carregar é necessário.

Têm muitos povos que têm sabedoria que nós não temos. A gente compra uma casa, já começa a olhar para as paredes ‘como é que eu posso mudar essa casa? ..posso tirar essa parede daqui e colocar lá!’ Cheio das necessidades. Daí tem que encher a casa com móveis e depois passa o final de semana inteiro limpando.

Uma história:

Conheci uma pessoa que morava num kitnet e ela tinha um jogo de jantar para 120 pessoas, era uma moça solteira e ela não arrumava namorado. Começamos a trabalhar para ver porque ela não arrumava namorado. Perguntei:

- O que você gosta de fazer?

- Gosto de ira à praia!

- Por que não vais?

- Por que no final de semana tenho que ficar limpando as louças!

- Quantas pessoas cabem na tua Kitnet para um jantar?

- Umas 4 pessoas!

Vejam, como as necessidades que nós criamos, criam necessidades para nós, porque você tem que deixar tudo limpo, tem que cuidar.

Participante: Mas quando gostamos de nos arrumar, isso também é superfulo?

Jorge: Isso é vaidade!

Têm coisas que são para aprender e têm coisas que são para prender. Por exemplo você usa uma roupa para prender, prender o namorado,

Todas as coisas são úteis. Você vai diferenciar uma coisa assim: O quê é necessário e o quê é útil? E fica apenas com o que é útil. Porque as nossas necessidades são intermináveis, mas aquilo que realmente é útil,é muito pouca coisa.

Todo o que é criado para a necessidade é criado para a falta, enquanto você estiver na falta , não está na abundância, é essa a chave. Enquanto você está pensando na falta você não entra no estado de abundância. Tudo o que você faz para suprir uma falta reforça o teu estado de escassez , por isso você não está no estado de abundância. Esta é a chave do trabalho de hoje, deste parágrafo que estamos trabalhando.

O espírito é abundância, por isso tem um ditado que diz: Procura primeiro o Reino do Céu, e tudo o mais te será dado por acréscimo! Por quê? Porque você saiu da escassez, enquanto estiver na escassez você não entra na abundância.

Quando você sair da escassez, você vai começar a ter abundância. Enquanto as coisas forem extremamente necessárias, provavelmente vão ter pouca utilidade. Quando você se prender aquilo que é útil, as coisas vão ser abundantes para você , tudo o que você precisa, você vai ter e se você não se cuidar você vai ter além do que necessita. Aí todas as necessidades vão ser supridas. Isto está na parábola do Sermão da Montanha “Olhai as aves do céu e o lírios do campo...”

Então temos duas situações para rever esta semana:

-Temos a situação do medo, se você tem medo, você vai avaliar do que você tem medo. Se você tem medo de alguma coisa é porque você tem medo. Por exemplo, tenho medo de ficar velhinho e alguém me cuidar; Tenho medo de ficar sem dinheiro no futuro; Tenho medo de ficar com fome; Tenho medo de que roubem a minha mochila quando eu estiver viajando. Você tem medo, apenas está direcionando o medo para aquilo ou aquela coisa ou situação. Vamos fazer esta avaliação. Você vai se dar conta que tem medo.

- então você vai começar a fazer a Expiação.

Uma História:

Numa oportunidade Raquel e eu estávamos em Belo Horizonte. Iríamos pegar o vôo das 13 horas para São Paulo. Às 11horas, mais ou menos, não tínhamos mais o que fazer, já tínhamos concluído todas as nossas tarefas, entramos saímos para caminhar um pouquinho. Entramos numa livraria de um amigo e enquanto eu conversava com ele, a Raquel foi olhar os livros que tinham ali. Daí um pouco a Raquel veio com um livro de poesias na mão para comprá-lo. Ela comprou o livro. Eu notei que a Raquel estava estranha. Perguntei: O que foi? Ela respondeu: Nada, depois eu te conto!

Daí um pouco ela abriu o livro, nós iríamos viajar de avião até São Paulo e no livro tinha uma poesia mais ou menos assim: ‘...pode ser que morram de repente em pleno vôo...’. Ela me contou e eu disse: Bom, o avião é uma coisa estável. Se você ficou com medo é porque tem medo. Se você preferir, quem sabe a gente vai de ônibus? Ela disse: Não, nós vamos de avião.

Entramos no avião, eu me acomodei e dormi. Quando chegamos em São Paulo, ela me disse: Como é eu pode, eu aqui ... e você dormindo...nem se importou comigo!

Em São Paulo tínhamos contratado um hotel num lugar que a gente não conhecia. O vôo atrasou e chegamos no final da tarde em São Paulo. Estava escurecendo e estava se preparando para chover. Entramos num táxi, damos o endereço para o motorista e ele perguntou: Vocês vão ficar lá? Lá é muito perigoso! A gente ficou quieto. Num determinado momento o cara disse: Esse prédio aqui moram todos os marginais de São Paulo, é traficante, ladrão..e o hotel de vocês é nessa esquina. Chegamos no hotel, a diária que tínhamos combinado era cem reais, o cara passou cento e cinqüenta. Disse que não tinha diária de cem reais. Tínhamos imprimido o email onde constava o valor combinado e mostramos para ele. Fez um telefonema e disse: É verdade é cem reais!

Fizemos a ficha e o cara disse: Vocês não querem cofre? Não, não temos nada de valor. E ele falou: Então o senhor assina esta declaração que o senhor não quer cofre! Eu disse: De que tamanho é o cofre? ...acho que vou querer ficar aí dentro! Chegamos no apartamento, era no décimo andar. No apartamento do lado tinha um cara mexendo na fechadura com uma chave de fenda. Pensamos que esta pessoa estivesse arrombando o apartamento. Liguei para a portaria e falei que no apartamento ao lado tinha alguém mexendo na fechadura, e perguntei se estava tudo certo? O porteiro respondeu, ah tá, ele está consertando a fechadura.

A noite descemos para jantar e a Raquel com o livrinho na mão. Perguntei a ela, o que poderia induzi-la a ter medo? Estávamos na metade da viagem, no outro dia iríamos tomar o vôo para Florianópolis, ainda poderia acontecer. Mas eu não estou com medo nenhum! Começamos a avaliar. A Raquel disse que ela chegou a conclusão que tinha medo por não ter falado para a sua mãe sobre a viagem. Eu disse, eu não tenho! O que poderia me fazer ter medo de morrer em pleno vôo? As únicas coisas talvez sejam as contas da livraria..quem é que vai pagar as contas? Isso era uma coisa que poderia fazer com que eu ficasse com medo.

Disse para a Raquel: Me dê o livro, deixa eu abri uma página para eu ler! Abri e lá estava escrito: No céu não tem contabilidade, não tem contas a pagar e não tem contas a receber! Adivinha quem ficou bem acordado durante o vôo de São Paulo a Florianópolis? A gente acha que não tem medo, mas ele está lá!

Exercício da Semana:

Esta semana vamos ver de que temos medo. Se tem medo, tem alguma coisa que você acha que fez errado, então vamos fazer a Expiação e partir para a correção.

Participante: A correção tem que ser pessoalmente?

Jorge: Sempre que possível. Porque pessoalmente, hoje, é relativo, pode fazer por telefone, por correio eletrônico, por carta, eu ainda acho que, sempre que possível é fazer pessoalmente. Agora, mentalmente, eu acho que ainda não cheguei neste estágio de evolução para conseguir fazer isso mentalmente. Se vou pedir perdão para você mentalmente, mas você não é telepata, como é que você vai saber o que estou mentalizando!

Você tem que se dar conta que você tem que fazer a correção. A melhor coisa sempre é a correção, é o melhor caminho. Tudo o que você puder fazer pessoalmente, faça pessoalmente. O que você não conseguir, pode usar todos os meios que estão a tua disposição. É aquilo que a gente consegue fazer. Às vezes é difícil. São coisas que a gente vai trabalhando. O ruim é ficar sem corrigir as coisas. Então vamos partir para a correção. Isso vai desfazer os nossos medos. Cada correção que a gente fizer, é proporcionalmente, menos medo que a gente tem de coisas que a gente não associa com aquilo.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

 

©  2004 - Milagres