UM CURSO EM MILAGRES
17 DE NOVEMBRO DE 2004
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 8
Milagres são curativos porque suprem uma falta; são apresentados por aqueles que temporariamente têm mais para aqueles que temporariamente têm menos.

Participante: Se eu estou conseguindo me colocar num estado mais amoroso que a outra pessoa, então estendo este amor, oferecendo ao Espírito Santo a minha intenção de estender o amor para a outra pessoa, que vai suprir esta falta, que é a falta de amor.

Jorge: Ninguém está ‘zerado’ no amor, enquanto ainda não estamos plenos. Pode ser que você, temporariamente, pode ter menos ou ter mais que o outro, enquanto não estiver em sua plenitude. Porque tudo é temporário. A plenitude vai ser alcançada quando você não tiver, temporariamente, com menos ou com mais. Quando a plenitude acontecer nós teremos mais e não será temporariamente, será definitivamente. Enquanto temporariamente eu tenho mais eu posso estender a aquele que temporariamente tem menos.

A maneira como eu vou estender este amor não deve ser direcionado de mim para a pessoa, mas de mim para o Espírito Santo que vai, então, fazer aquela parte da meditação que diz ‘Agora você não precisa mais se preocupar com o que dizer ou o que fazer, porque Aquele Que te enviou te dirigirá’. Quando você sentir que, temporariamente, tem alguém com menos, o que significa que você percebe que, temporariamente, tem mais, então, não vá pensar em dar diretamente para a pessoa, direciona para o Espírito Santo que Ele te orienta como fazer e o que fazer. Einstein dizia: ‘Penso 99 vezes, quando paro de pensar ‘eureka’!

Hoje pensei 99 vezes. Comprei umas prateleiras de aço para colocar em cima de uma plataforma que tem lá no escritório, é mais alto que o piso, o local seria bem aproveitado e seria prático e acessível. Quando chegaram, sobrou um tanto da prateleira de um lado e do outro lado tinha uma viga de concreto, não cabiam ali. Fiquei mais de uma hora pensando ‘O que eu faço? O que não faço? Porque eu não medi estes espaços antes de comprar!’ Chegou uma hora em que eu pensei assim: Quer saber de uma coisa? Se eu comprei as prateleiras é porque me deu a idéia de comprar. Pronto! Estão aqui! Agora, se vai dar certo ou não..., eu vou montar as prateleiras e deixá-las aí, o Espírito Santo vai dar uma solução! E não é que eu montei as prateleiras e achei uma solução, parece que foi medido antes, ficou perfeito!

Quando eu parei de ocupar-me em encontrar uma solução, o Espírito Santo me mostrou direitinho o que tinha que fazer e ficou perfeito. Se eu tivesse medido antes, não daria certo. É isto que nós temos que aprender, nós não temos que nos preocupar, as coisas já aconteceram antes, temos que entregar. Neste caso o milagre é oferecido por quem, temporariamente, tem mais para quem, temporariamente, tem menos, quer dizer isto. Se você tem mais, não é para oferecer diretamente porque se não vou começar a tirar as medidas daquilo que o outro está precisando e não é por ali que vamos achar a solução, é capaz nós darmos alguma coisa que não vai servir para a outra pessoa.

O que é o amor que nós estendemos para a outra pessoa? Às vezes é um pedaço de pão, às vezes não. Às vezes o pedaço de pão é o que não vai funcionar.
Às vezes, quando damos a moeda, tiramos a dignidade. Então, o que fazer? Entregar! Temos que treinar isso diariamente, o tempo todo, a todos os momentos em todas as situações.

Se você quer estender um milagre para alguém, às vezes é um serviço que você tem que prestar para a pessoa, às vezes é uma palavra, um ação, um pensamento. Como eu vou saber o que é ? Entrega para o Espírito Santo, que Ele vai orientar! Você vai conseguir fazer a coisa exata. Isso em tudo o que você fizer, não só as coisas que você faz para a outra pessoa, mas tudo que você faz. Deixa quieto, se aquiete, na hora certa as coisas ficam certinhas! Não se precipitem em querer ajudar a outra pessoa diretamente, por sua conta, isto é como tentar conduzir o destino da outra pessoa de acordo com aquilo que eu acho que ela merece ou como eu acho que ela deveria ser ou agir. Passa pelo julgamento. As pessoas perguntam muito assim: Como eu vou deixar de julgar? Se estou percebendo, então, também, estou julgando? Não, necessariamente! Você pode perceber sem julgar! A percepção você vai ter, porque você vai ver, só se você ficasse sem os teus cinco sentidos, daí você deixa de perceber a outra pessoa. À medida que você vai percebendo, vai dividindo em graus, intervalos e aspectos.

O que temos que fazer? Percebe e não julga, entregar para o Espírito Santo, Ele orientará qual a melhor ação. As pessoas têm muita dificuldade em pedir uma orientação, elas querem ser autores de si.

Tem uma antiga história, assim: Os discípulos que iam buscar um mestre, eles faziam a entrega de coração, cabeça e mão. Eles se entregavam ao mestre de coração, cabeça e mão. Eu não tenho mais cabeça, eu não penso por mim mesmo, então, não vou pensar nada. O mestre pensa e me orienta. Tudo que você quiser eu farei. A mão significa que você está disposto a doar o seu trabalho, a sua energia, tudo que o mestre me mandar fazer, as minhas mãos estão dispostas para fazer. O coração significa que vai fazer isto com amor. Quando a pessoa treina para fazer isto com amor, ele consegue se superar, porque a cabeça é o ego, a mão é o trabalho. Então, entrega o ego, as decisões, as orientações, o trabalho que é o seu serviço, aquilo pelo qual você está aqui para colaborar, para fazer e faz isto entregando de coração. Era assim que o discípulo deveria chegar até o mestre. Hoje isto pode nos parecer um absurdo. (Como eu não vou pensar por mim mesmo?) Mas é isto que nós vamos experimentar fazer! Por quê? Porque o mestre não vai pensar por você, ele vai ajudar a você entregar isto ao espírito. Inicialmente o mestre diz ‘vá fazer...’ Por quê? Porque é um ‘treina mete’, é para treinar a mente para esta entrega.

Já percebemos aqui que tudo o que nós criamos é perfeito. Tudo o que nós fazemos dá defeito. Temos que parar de tentar fazer por nós mesmos. Quando eu entrego e é o espírito que me orienta, não fico tirando medidas antes, querendo ser o autor disto, daquilo, daquele outro. Se der uma coisa errada, se tirei todas as medidas e deu algo errado, de quem é a culpa? É minha! Eu vou me sentir culpado por ter feito aquilo. Eu errei. Mas eu não errei porque fiquei tirando medidas, errei porque não entreguei logo. “Estou aqui, o que é para fazer?”

Participante: Tenho dificuldade , quando eu vou oferecer milagres, vejo, percebo que a pessoa está com tais e tais carências, quando isso acontece eu já julguei. Qual a diferença?

Jorge: Você percebeu. Você percebe, mas não julga o que pode ser bom para a pessoa. A percepção você vai ter igual. O que você não precisa mais ter é o julgamento. Você vai perceber que a pessoa tem uma necessidade ou está em falta. Julgamento é quando você começa a julgar o que ela precisa, você pára por aí. Quando eu vejo uma pessoa sentada na rua pedindo, eu digo: Esta pessoa está precisando de alguma coisa. Mas o quê? Parou aqui! Apenas percebi que ela está na falta, na escassez. O julgamento começa a partir da percepção, quando você começa a pensar e imaginar o que esta pessoa precisava.

O que é o julgamento do juiz? Quando chega alguém na frente do juiz, ele percebe que a pessoa veio reclamar uma falta, está faltando alguma coisa . O juiz percebe. A partir da percepção é que começa o julgamento. Dali em diante o juiz começa a julgar e vai dizer o que deverá ser feito. É isso que não precisamos mais fazer entre nós. Que a pessoa receba aquilo que ela precisa, aquilo que é melhor para ela, é assim: ‘Se a minha vontade estiver de acordo com a Tua’; ‘Faça-se a Tua Vontade assim na terra como no céu’. Como você não sabe o que fazer , ‘faça-se a Tua Vontade’. Isso é muito interessante se a gente conseguir chegar a este posicionamento, assim, a gente se exime de qualquer responsabilidade, se der uma coisa errada, você olha para cima e diz: Conserta!

Participante: Já ouvi alguém dizer: Eu não sei o que é bom para mim, me ajuda!

Jorge: Praticamente todos você já conhecem a minha história desde que eu cheguei aqui. Neste meu caminho, desde o momento que eu fui buscar eu tive muitos mestres. Mestre não precisa ser uma pessoa, pode ser qualquer coisa, pode ser uma árvore, um cachorro, pode ser uma nuvem, porque o mestre aparece quando o discípulo está disposto a aprender. Um dos meus mestres foi uma instituição chamada CVV (Centro de Valorização da Vida). Fui voluntário lá durante algum tempo, tive um grande aprendizado com relação a conselhos.

O CVV é uma instituição para a valorização da vida e eles trabalham atendendo pessoas, por telefone ou pessoalmente, com o objetivo de trabalhar para que as pessoas não se suicidem. O índice de suicídios é muito grande e os suicídios não são divulgados pela mídia, em nenhum lugar. Isto é uma coisa que não aparece nas estatísticas da mídia. Mas o índice de suicídios é muito grande no mundo inteiro.

Então é assim: Teve um padre, não lembro de que país, logo após a segunda guerra mundial, se deu conta que as pessoas estavam se suicidando exageradamente, porque tinham se separado da família, porque os parentes estavam mortos, não viam mais razão de viver. Então, ele criou um Centro para aconselhar as pessoas. ‘Não faça isto...! Porque você vai fazer isto.. a vida é tão bela.....? Muita gente vinha até ele em busca de conselhos e ele se tornou o conselheiro geral.

Um dia ele estava atendendo uma pessoa e chegou uma pessoa desesperada, estava num desespero total. A secretária dele foi lá e bateu na porta e disse: Está aqui fora uma pessoa que eu acho vai se suicidar aqui mesmo, está num desespero muito grande. Ele disse: Mas eu não posso interromper, agora estou atendendo outra pessoa, quando eu terminar eu vou atender esta pessoa. Daqui a pouco a secretária entrou novamente, olhe não tem jeito, não estou conseguindo acalmar a pessoa, o senhor tem que atendê-la. Ele disse: Só quando eu terminar o atendimento que estou fazendo! Isso foi, aproximadamente, às 14 horas. As pessoas da fila foram entrando e ele esqueceu totalmente. Lá pelas 18 horas ele lembrou e foi lá perguntar para a secretária , que respondeu: Eu esqueci de mandá-la entrar. Como o senhor não atendeu, ela ficou aí falando com o motorista e depois foi embora, muito bem. O padre respondeu: Com o motorista!? O motorista não pode atender as pessoas ele não tem a qualificação. Chame imediatamente o motorista aqui, quero chamar a atenção dele! Quando o motorista chegou, ele perguntou: Uma pessoa assim... que estava desesperada, o que foi que você disse para ela? O motorista disse: Nada! Como nada? Eu não disse nada, ela ficou falando e eu apenas dizia: Claro! Sim! É! Como você está se sentindo? Como você gostaria que acontecesse? Você está se sentindo bem? O que você gostaria de fazer? É!

Sim! A pessoa saiu muito bem, mas eu não disse nada, só perguntei. Aí o padre mandou localizar a pessoa e foi falar com ela. A pessoa disse: Graças ao motorista, eu encontrei a solução para os meus problemas, ele disse tudo o que eu precisava. Ele disse o que era para eu fazer.

-Mas como o motorista disse que não disse nada!

- Ele falou, entendi tudo!

-O padre foi falar com o motorista novamente e o motorista disse: Realmente eu não disse nada

-Mas ela disse que você falou...

-Não falei nada, sou apenas o motorista.

O padre resolveu experimentar a tática do motorista. A pessoa chagava e ele dizia: Então em que posso ser útil?

-Ah, estou com problema...

-Como você gostaria que acontecesse?

-Ah, o meu marido brigou comigo...

-Como você está se sentindo em relação ao seu marido?

O padre não disse mais nada, só perguntou, perguntava e a pessoa respondia. Descobriu que as pessoas não precisam de conselhos, precisam de ouvidos. Desta história surgiu o Centro de Valorização da Vida. Se você ligar para lá, o telefone é 2224111, você vai ouvir ‘ Como você está se sentindo?’ ‘O que você está sentindo?’ Eles se revezam dia e noite lá. Todas as pessoas atendem igual, ninguém pode dar conselho, não podem interferir, é a não ação. Você interage, mas não interfere. Esse foi um dos meus aprendizados.

Participante: A pessoa não fica constrangida em falar?

Jorge: É tudo sigiloso. A pessoa não dá seu nome, endereço, nada é gravado. Se eu te atendi lá, jamais eu posso te perguntar aqui fora ‘e daí, resolveu aquele problema?’. O assunto ficou lá dentro, é naquele momento, a gente não traz para fora. É um trabalho muito, muito bom. Ali eu tive este grande aprendizado, que o conselho não é a melhor coisa a se fazer.

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Capítulo 4 – As Ilusões do Ego
Introdução
1.
A Bíblia diz que deves ir com um irmão duas vezes mais longe do que ele te pede. Certamente não sugere que o retardes em sua jornada. Do mesmo modo, a devoção a um irmão não pode te retardar. Só pode conduzir ao progresso mútuo. O resultado da devoção genuína é a inspiração, uma palavra que compreendida de modo adequado é o oposto da fadiga. Estar fatigado é estar des-espiritualizado, mas estar inspirado é estar no espírito. Ser egocêntrico é ser des-espiritualizado, mas estar centrado no Ser no sentido correto é estar inspirado ou no espírito. Os verdadeiros inspirados são iluminados e não podem habitar na escuridão.

Participante: Compreendi que, quando nós nos colocamos à disposição do Espírito Santo, e nos deixamos guiar por ele a gente faz o que deve ser feito e não ficamos cansados, não há desgaste.

Jorge: Vou falar de mais um mestre que tive, que fala a respeito deste esforço.

Uma História: Houve um tempo em que eu vendia consórcio de televisão colorida, naquele tempo ela era muito cara. No começo eu não vendi nada, porque eu tentava convencer as pessoas a comprar. Poucas pessoas tinham televisão a cores. Eu fazia uma conversa: Porque é colorida...porque isto.... porque aquilo...., eu ficava lá tomando o tempo da pessoa e não vendia nada. Um dia eu disse: Eu vou mudar a tática!

Um dos meus mestres disse: Jorge, se eu amarrar um contrato no rabo dum cachorro e soltar ele na rua, no final da tarde o cachorro vai voltar com o contrato assinado. Porque alguém vai parar e olhar o que é aquilo e vai dizer: É justamente o que eu estou precisando! Esta pessoa vai assinar o contrato e o cachorro vai trazer o contrato até aqui.

Decidi fazer como o cachorro, vou pegar o contrato, não tinha porteiro eletrônico e os problemas de acessibilidade às pessoas que temos hoje. Ia de elevador até o último andar e depois vinha descendo, de porta em porta. Tocava a campainha e dizia: Consórcio de televisão a cores! Alguém está interessado? Quando respondiam: Não! Eu dizia: Obrigado pela atenção! Seguia em diante. Comecei a vender bastante, porque eu não perdia tempo com quem não queria. A coisa fluiu, eu estava oferecendo o meu trabalho, o meu serviço, aquilo que eu tinha para oferecer, mas não me preocupava em tentar convencer as pessoas.

Em outro produto que vendi, eu deixava o mostruário com a pessoa, deixava num dia e no outro voltava lá e me entregava o pedido pronto, não precisava conversar, nem convencer. Porque as pessoas já sabem o que querem, ninguém precisa convencê-las.

Hoje quando vou comprar alguma coisa é assim. Estas coisas mostram para a gente que, às vezes, fazemos um esforço imenso para convencer a outra pessoa de uma coisa que ela não está interessada.

Então, o que a gente faz, se estou vendendo a idéia do Curso em Milagres? Não faz esforço! Não fica te esforçando. Apenas oferece, coloca um cartaz. Olha estou participando do Curso em Milagres, é um grupo aberto! Não adianta fazer esforço, as pessoas acabam vindo por elas mesmas, elas descobrem, lêem, buscam, aquilo que elas querem, no momento que elas querem. O próprio Curso, começa dizendo ‘este é um curso obrigatório, todos terão de fazê-lo, mas todos são livres para decidir, quando querem e quanto querem de cada vez’. Isto quer dizer que você é livre para, por exemplo, parar e daqui um tempo voltar novamente. Não precisamos usar o Curso como veículo, porque ele diz: ‘O Curso em Milagres é um veículo dentre milhares’ e não diz que é ‘o veículo’. O curso é o mesmo, veículo, existem milhares.

Quando ele diz aqui sobre a devoção pelo irmão, quando o irmão pede para andar um quilômetro você tem que andar dois com ele, isto mostra a devoção que nós temos pelo irmão. O irmão não pode atrasar a gente.

Participante: Se o irmão empaca, daí como é que fica?

Jorge: Se ele pede, não quando você está empurrando. Ali diz ‘..se o irmão te pede...’ . Se ele não quer ir, não empurra dois quilômetros! Se ele não pediu, você não tem que empurrar.

Uma vez aprendi com um outro mestre que carona não se dá pela metade. Quando você vai dar carona para alguém, não deixa a pessoa na estrada para depois pegar táxi, leva a pessoa até em sua casa.

Isto vale para todas as situações. Se ele te pediu para ajudar em alguma coisa, faça mais um pouco, além do que ele te pediu. Faça alguma coisa além. Quando você vai além, junto com o outro, é você que avança mais.

Participante: Em que sentido que é isto?

Jorge: Em todos os sentidos!

Um outro mestre meu disse assim: Naquele tempo tinha a Mesbla, lá eles vendiam de tudo, desde um palito de fósforo até lança, avião, tudo o que se podia imaginar tinha na Mesbla. Um dia um vendedor começou a trabalhar na Mesbla e bateu o recorde de vendas. Esse vendedor vendeu para um só cliente, um carro importado; uma lancha; um monte de equipamentos; mais isso; mais aquilo... O chefe de vendas chamou o vendedor e perguntou: Como você teve esta sorte de vender tanto num só dia?

-O cliente veio aqui comprar um absorvente para a esposa. Aí eu pensei: Eu vou além e disse para ele:

-Já que a sua esposa está menstruada, por que o senhor não sai para pescar?

-Está aí uma boa idéia!

Aí vendi o anzol, a carretilha, linha...

-O Senhor já tem lancha?

-Não!

Então, vendi a lancha para ele.

-Como é que o senhor vai rebocar a lancha?

Daí vendi o reboque e disse a ele que precisava um bom carro importado para puxar o reboque.

Ele foi além do que a pessoa pediu.

O que fazemos normalmente? Por vezes saímos da loja com a metade do que pedimos.

Participante: Sobre a história da carona. Se eu não puder dar a carona inteira para a pessoa, então é melhor não dar a carona?

Jorge: Existem as duas possibilidades. Você tem que amar a ti mesmo como ao próximo. Isto não significa que você deixa de amar a ti mesmo para amar o próximo. Amar o próximo como a ti mesmo! Você vai se sentir amorosa, indo por exemplo, só até o centro da cidade, depois disto você vai ficar com raiva, aí acabou o teu amor e o amor ao próximo. Começa a raiva a ti mesmo e ao próximo.

Este ‘amar a ti mesmo e ao próximo como a ti mesmo’ vai até o teu limite, até aonde você quer andar.

Agora, se você tem mais amor para estender, pergunta ‘você não quer que eu já te deixe lá?” A pessoa pode aceitar ou não. Assim, você não está impondo, empurrando. Você oferece. Esta coisa da carona é simbólico. Porque nós vamos fazer isto em todas as situações.

Por exemplo, uma pessoa pede ajuda para você ajudá-la resolver alguma coisa, lembra da história do vendedor da loja, então pergunta ‘você não precisaria de mais alguma coisa que eu possa fazer por você?’ Em tudo o que você faz, você sempre pode andar um quilômetro a mais sem forçar .

Participante: Às vezes fica difícil.

Jorge: Mas isto você vai fazer se você tem amor até tal ponto. Se o amor acabou no centro da cidade, é aí que acaba a carona.

Participante: Mas a pessoa pode ter algum interesse em estar oferecendo carona.

Jorge: Se houver interesse físico, físico é ego! O ego está aliado ao físico. Por exemplo, por que eu vou dar carona para uma moça bonita e não dou carona para um velhinho? Isto é o ego. O ego separa em grau, aspecto e intervalos. Aí você não está sendo amoroso.

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Capítulo 4 – As Ilusões do Ego
Introdução
2.
Tu podes falar a partir do espírito ou a partir do ego, conforme escolheres. Se falas a partir do espírito, optaste por “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Estas palavras são inspiradas porque refletem conhecimento. Se falas a partir do ego, estás repudiando o conhecimento ao invés de afirmá-lo e estás, assim, te des-espiritualizando. Não embarques em jornadas inúteis, pois de fato são em vão. O ego pode desejá-las, mas o espírito não pode embarcar nelas, pois se recusa sempre a sair do seu Fundamento.

Jorge:

Uma história: Uma pessoa deu uma carona para dois índios. Os índios não eram de falar muito. A pessoa que estava oferecendo carona falou:

-deixo você onde vocês quiserem , não se preocupem!

-nós queremos ficar em tal lugar.

-mas não querem que eu leve vocês além?

-não! Queremos ir só até aí.

Aí a pessoa deixou os índios num ponto da estrada onde eles queriam ficar. Eles desceram do carro e ficaram parados, bem no meio da estrada. Olhou pelo retrovisor e viu os índios parados. Foi diminuindo a velocidade e parou lá na frente, para ver para que lado os índios iriam. Ele estava disposto a andar um pouco mais para levá-los onde eles quisessem. Voltou e perguntou:

-Vocês têm certeza que é aqui que vocês querem ficar?

-É aqui mesmo! Nós agradecemos a carona!

-Mas então, vocês vão ficar parados aí?

-Acontece que você veio com tanta velocidade que o corpo chegou, mas ainda não chegou o espírito, estamos esperando o espírito chegar, porque sem espírito nós não vamos para lugar nenhum!

Esta historinha mostra a devoção de quem deu a carona, ele queria levar os índios um ou dois quilômetros a mais, e mostra que os índios sem espírito não vão a lugar nenhum.

Então, o que é inspiração? Inspiração é estar ‘in’ espírito.

O que as pessoas vêm buscar numa bola de cristal que pode responder as suas perguntas. Bola de cristal não tem nada. Quanto mais pura, mais cara. O que é que tem numa bola de cristal, em que você olha, olha, olha e não acha nada? O que é que as pessoas procuram dentro do cristal? Nada! Quando você aquieta a mente e entra em contato com o ‘nada’, a resposta vem. Cristal vem de cristalino, Cristo. Então, com certeza, uma bola de cristal pode responder tudo para você, de qualquer cristal. Por esta razão o cristal é tão buscado pelos místicos, pelos esotéricos, pelas pessoas que buscam respostas. Quanto menos impurezas tiver, melhor fica de ver tudo.

Se você tivesse uma bola de cristal dessas, qualquer coisa que você fosse fazer, você não iria primeiro consultar a bola?

Participantes: Iria!

Jorge: A bola de cristal é o Cristo, você não precisa do objeto! É o espírito! A bola de cristal faz você lembrar o Cristo, o Cristalino, o puro, por isso que o cristal atrai tanto. O espírito é o cristalino. Enquanto nós estivermos tendo percepções, estamos fora do espírito. Quanto menos você perceber, mais inspirado você fica. Este é o sentido de cristal. Você olha para a bola de cristal e não vê nada, você olha com o microscópio eletrônico e não vê nenhuma impureza, chega valer 500 mil reais um quilo . O cristalino é o espírito, se você tivesse uma bola de cristal e soubesse olhar para a bola e não ver nada é quando você iria encontrar as respostas.

Assim como é com tudo, temos que repetir, para nós é difícil esta conexão com o nada absoluto, que é o espírito, ele não contém nada ao nível das nossas percepções, ali temos a conexão com todo o conhecimento, por isso usamos um cristal como instrumento de acesso. É assim que funciona.

O cristal tem sido usado muito nas meditações, é um auxílio muito grande. Cada vez mais as pessoas usam mais cristais. Você não precisa do objeto, mas pode usá-lo como veículo, porque a nossa mente está muito presa aos objetos. Tendo um objeto que contém o nada, que não reflete nada, não mostra nada, você consegue refletir a tua mente sã ali. A nossa mente sã é a pureza.

Além disto os cristais estão sendo usados nas comunicações, guardam a memória, daí possibilita a comunicação. Na central de rádio, por exemplo, para ativar e desativar a rádio, usam um cristal. Um cristal conectado a instrumentos, possibilita você fazer conexões. Nas emissoras de TV. Os relógios mais puros funcionam com cristal líquido. Como eles possibilitam isto, também, guardam ou armazenam informações que a tua mente consegue decodificar. Dizem que os cristais laser (espécie de cristal), armazena as informações da Cura Avançada de Alta Complexidade. Eles contém os códigos para a pessoa acessar na mente o contato com as Curas Avançadas de Alta Complexidade.

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Capítulo 4 – As Ilusões do Ego
Introdução
3.
A jornada à cruz deve ser a última ‘jornada inútil’. Não vivas nela, mas despede-a como já tendo sido realizada. Se podes aceitá-la como a tua última jornada inútil, estás também livre para te unires à minha ressurreição. Enquanto não fizeres isso a tua vida, de fato, é desperdiçada. Ela meramente re-encena a separação, a perda do poder, as tentativas fúteis que o ego faz para reparar e finalmente a crucificação do corpo ou a morte. Tais repetições não têm fim até que se desista delas voluntariamente. Não cometas o erro patético de “te agarrares à velha cruz áspera.” A única mensagem da crucificação é que podes vencer a cruz. Até então, tu és livre para crucificar a ti mesmo tantas vezes quantas escolheres. Não é esse o Evangelho que eu pretendi oferecer-te. Nós temos outra jornada a empreender se leres estas lições cuidadosamente, elas te ajudarão a te preparares para empreendê-la.

No Antigo Testamento as pessoas faziam sacrifícios de animais, sacrificavam a melhor ovelha. Julgavam que através do sacrifício conseguiriam absolvição dos seus pecados. Quando uma pessoa cometia um pecado, como punição, pegava a melhor ovelha e a oferecia em sacrifício, a pessoa não comia a ovelha.

Quando eu era criança, me lembro que os fazendeiros davam, para igreja, sacos de trigo, do melhor que eles colhiam. Já não tem mais, modificou o sacrifício. Sacrificavam parte do trigo, às vezes, sacrificavam uma vaca , doando para a igreja, um terreno ou alguns bens, sempre daquilo que eles tinham de melhor. Uma fatia da melhor parte do bolo, do melhor bolo, era dado em sacrifício. Acreditava-se no Antigo Testamento que isso era feito buscando a absolvição dos pecados. Só que eles acreditavam que os pecados que a humanidade tinha cometido eram tantos, que estes sacrifícios eram muito insignificantes. Eles iriam absolver alguns pecadinhos, mas isso não garantia que eles tivessem acesso ao céu. Porque para chegar ao céu, depois de terem cometido tantos pecados, só um Messias, só um Salvador, então, sim, abriria as portas do caminho para o céu. Um dia apareceu esta pessoa que nós conhecemos como Jesus. Jesus dizia às pessoas:

-O céu está aberto, vocês podem ir, nada impede de irem para o céu!

-Mas como você está dizendo isto?

-Porque eu sou o Filho de Deus e estou dizendo para vocês! Estou aqui para cumprir a vontade do meu Pai! Estou aqui só para ser verdadeiramente útil, estou dizendo que vocês: Podem ir para o céu. Não têm pecados que impedem vocês de irem para o céu.

Mas a mente estava bloqueada, as pessoas não conseguiam compreender ou aceitar que já podiam ir para o céu. Então, eles não iam, porque a mente estava bloqueada. As pessoas morriam e não iam para o céu, ficavam no purgatório ou iam para o inferno. Para o céu ninguém se atrevia ir, porque os pecados não permitiam que eles fossem para o céu.

Participante: Qual a origem desta crença?

Jorge: O ego! Que resultou da primeira separação, quando Adão cometeu o pecado e já ajeitou sua própria punição.Deus nunca expulsou ninguém. Com o primeiro erro aconteceu o primeiro sentimento de culpa e o primeiro sentimento de ‘eu tenho que ser punido por isto’. Deus nunca puniu ninguém. A própria pessoa buscou a punição. A partir daí, para todo o sempre, até quando houver tempo no tempo, enquanto estivermos sujeitos ao tempo, esta crença vai estar persistindo.

Então, voltando ao diálogo anterior, Jesus dizia para as pessoas:

-O céu está bem em cima da tua cabeça, é só colocar as mãos para cima que as bênçãos de Deus são derramadas!

-Isso não é possível! Ainda por cima ele diz que é filho de Deus!

-Mas o que é que vocês acham, então, que deveria acontecer para abrir um caminho para o céu? Porque vocês não acreditam em nada do que eu estou dizendo!

Como as pessoas estavam baseadas na idéia da punição, a libertação viria através do sacrifício , então, disseram para Jesus:

-Para libertar-nos desta idéia de inferno e purgatório e que podemos, finalmente, entrar no céu, só com um grande sacrifício vai ser possível, algo inimaginável, ainda não conseguimos conceber, senão nós já teríamos feito!

-O que é que vocês costumam sacrificar?

-A melhor ovelha, o melhor cordeiro!

-Pois bem, eu sou o Filho de Deus, eu sou o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, eu me ofereço em sacrifício por vós para a liberação dos vossos pecados e vou para o crucificio!

-Mas isso não garante que a gente possa ir para o céu, mesmo que você vai se oferecer em sacrifício, como é que nós vamos saber que você foi para o céu? Você vai morrer e nós vamos continuar na mesma!

-Não fiquem presos na “áspera cruz”!

-Prestem atenção na ressurreição, porque eu vou ressurgir da morte, vou provar para vocês que a morte não existe . Vou ressurgir num corpo de Luz , vocês vão me ver, então, vão ter que acreditar na ressurreição e de que vocês podem ir para o céu. Aí vocês acreditariam?

-Se você ressurgir, acreditaremos!

Naquela história de Judas, nunca aconteceu a traição, porque Ele disse para Judas: -Alguém vai ter que me entregar para os romanos!

Judas perguntou:-Mas por que eu?

-Só você pode fazer isto!

Pedro se levantou e disse: -Por acaso você acha que eu não seria capaz?

-Você não seria capaz. Ainda hoje antes do galo cantar você me negarás três vezes.

Este é o sentido do crucifício (sacrifício na cruz), no qual nós não devemos ficar presos. Por quê? Porque esta conta já foi paga!

Jesus não falava em sacrifícios, as pessoas é que falavam. Ele não veio para negar a Lei, veio para reinterpretá-la, para que nós a entendêssemos. O sacrifício não serve para nada, não fiquem presos à cruz, olhem para a ressurreição. Eu gosto muito do simbolismo da cruz, porque não tem como simbolizar a ressurreição sem passar pela cruz.

Agora, você vê na cruz aquilo que você quer: Você pode ver a cruz áspera do sacrifício ou você pode ver um imenso gesto de Amor, Daquele que se ofereceu para a libertação, daí você verá a tua libertação e você verá que esta conta já foi paga. Bem como diz aí:

-Não fiquem presos à cruz, eu já fiz isto por vocês!

-Não precisa mais se sacrificar! Esta conta já foi paga!

Participante: Outro dia fui no cinema ver um filme sobre a vida de Jesus. Na parte da crucificação, muitas pessoas soluçavam, gritavam, acredito que nem se deram conta da ressurreição de Jesus, pois ainda estavam soluçando. É dado ênfase no sofrimento.

Jorge: São Francisco conseguiu ter esta compreensão, pois ele disse: Onde houver sofrimento que eu leve alegria! Enquanto nós ‘onde há sofrimento, vou chorar junto’

Participante: Então não temos mais pecados, estamos todos salvos?

Jorge: Você não precisa mais de punição. A punição acabou com o sacrifício de Jesus na cruz. Agora você precisa de expiação, precisa expiar.

Antes, onde você sentia culpa, você tinha que colocar a punição.

Agora, você tira a punição, o sacrifício, porque punição é sacrifício, coloca a expiação.

Participante: Na Bíblia consta que Jesus disse Jesus: ...primeiro reconcilia-te com teu irmão.

Jorge: Se você errou e sentiu-se culpado...punição não! Expiação ou correção, vá lá e corrige, não precisa sofrer, basta a correção.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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