UM CURSO EM MILAGRES
14 DE JANEIRO DE 2004
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

Princípio 14

Milagres dão testemunho da verdade. São convincentes porque surgem da convicção. Sem convicção deterioram-se em mágica, que não faz uso da mente e é, portanto, destrutiva; ou melhor, é o uso não-criativo da mente.

Jorge: Os milagres convencem porque surgem da convicção. Quando não é espontâneo e necessita de convicção, se deteriora em mágica, não faz uso da mente criativa. Tudo que não é criativo é destrutivo. Tudo que nós fazemos que não é criativo, é destrutivo em algum nível.  Tudo que fazemos que é criativo, é criativo em todos os níveis.

Quando os milagres podem se tornar destrutivos? Chamados de ‘milagres’, porque não são milagres, são mágica. Quando é uma mágica é destrutivo.

Hoje eu sei, por ex.,  que tenho na minha mente um determinado poder, tenho capacidade, quando uma pessoa me fizer alguma contrariedade, de mentalizar tão forte que esta pessoa tenha um mal estar, falando de uma maneira mais leve, ou tropeçar, cair e se machucar. 
Se eu quero, por ex., namorar com uma moça  e ela não quer, eu posso fazer uso deste meu ‘poder’ para penetrar nos pensamentos dela pra ela começar as gostar de mim. Isto que a meninada mais quer fazer, isto que buscam tanto na magia. Neste nível é destrutivo. Porque você poderia estar usando esta energia para oferecer milagres e você está usando isto para manipular as pessoas, para elas fazerem o que você quer.
Isto é o grande vigiai e orai que temos que fazer à medida em que nós vamos nos dando conta do poder  que nós temos na nossa mente. Porque nós vamos ser tentados a isso.

O ego sempre tentou negar que você tinha este poder, ele sempre te diz: isso não pode!...isso não funciona!... você não pode fazer isto! Você não pode fazer aquilo! Aí você deu um salto, saltou por cima destes obstáculos, agora você começa a se dar conta que você tem poder, que você pode, então e ego vai tentar puxar isto para as coisas egoístas.  O ego tem que trabalhar pelo egoísmo, esta é a função dele. Se o ego trabalhasse pelo teu espírito, não seria o ego, passaria a ser espiritualista e não egoísta, então ele perde o emprego, porque traiu a si próprio.  Ele vai tentar dizer pra gente usar este poder em proveito próprio. Usar este poder em proveito próprio é o uso da magia, para fazer que as pessoas façam aquilo que você quer.

Tem um princípio que já estudamos que fala da questão do uso dos milagres para atrair a crença através dos fenômenos. Como as pessoas buscam os fenômenos! A busca do fenômeno externo é uma coisa impressionante.  Querem mágica. O ‘fulano’ faz acontecer isto, faz acontecer aquilo...! ‘Estava chovendo e ele levantou a mão e a chuva parou’, a pessoa diz: ‘é atrás deste cara que eu vou! Ele é muito poderoso, por isso que ele consegue... Ele deve estar bem conectado...!’Ele faz os fenômenos acontecerem’.

Muitas religiões que começaram assim atraíram muitos seguidores, porque alguém começou a fazer mágica. Isso confunde as pessoas. Acham que aquele é o poderoso, o milagroso, o homem dos milagres,...porque ele é o guru, o mestre....

É neste ponto que se diz que o maior milagre é não fazer milagre nenhum, porque se ele começa a fazer isto, com a intenção, não de oferecer ao outro o milagre mas de oferecer a si mesmo uma determinada aureola de poder o que descaracteriza o milagre, ele está fazendo uso equivocado dos milagres, isto é destrutivo.

Se a pessoa pára de buscar externamente, porque descobre que não está lá fora, daí ela começa a buscar internamente estes fenômenos. Ela quer ver coisas. Isto também acontece. Este é outro aspecto que também temos que ter cuidado. Primeiro queremos descobrir todo o universo  lá fora, que é viajar pelo espaço, quer pousar em Marte, quer sair da galáxia, quer conhecer outras estrelas, outros planetas . Depois ele desiste disto, vira místico, aí o que acontece? Senta no seu banquinho de meditação e daí quer ver estrelas, planetas, ele apenas mudou o sentido de buscar fenômenos, isto também não é nenhum milagre.  Mais uma vez você está correndo atrás do fenômeno. Não importa se está sentado no banquinho ou se viajando numa nave espacial. Porque não tem fenômenos. Você vai encontrar a verdade quando os fenômenos cessarem, quando cessar a tua busca dos fenômenos.

Todos estes fenômenos do que fala aí, quando o milagre se deteriora em magia, que a pessoa começa a apresentar fenômenos mágicos que são atribuídos como coisas milagrosas, isto tudo desvia a nossa direção.  É para desviar a nossa direção! É para você parar de estar atento ao seu interior e outra vez olhar para fora. Ou então o ego começa a trabalhar internamente para dizer ‘viu você encontrou alguma coisa, agora pode parar de procurar’. É para você não ir adiante. Todas estas situações temos que estar atentos para observar qual é o milagre real e o que é mais uma viagem, cujo destino é a desilusão outra vez. Você cria expectativa que vai ver alguma coisa e quando você chega lá não tem nada. Então é outra decepção.

Neste livro tem 50 aspectos, princípio que devemos aprender para discernir a diferença entre milagres e fenômenos. É muito fácil fazer um fenômeno acontecer para atrair a crença, mas é muito difícil você conduzir a pessoa ao caminho dela, verdadeiro, dizendo que não é para olhar o fenômeno.  Porque o fenômeno outro vez é uma ilusão.

Tem uma história que haviam duas pessoas perdidas num floresta escura, era um filósofo e um místico. Eles não conseguiam achar o caminho e era uma noite de tempestade e aconteceu um raio que bateu numa árvore bem próximo a eles e que deu um grande clarão. O filósofo se pôs a filosofar, ‘porque o raio bate na árvore e a natureza se volta contra a própria natureza de uma forma destrutiva que arrancou a árvore, que se assustou com o estrondo, que o clarão foi isso..., que o clarão foi aquilo...’, ficou lá filosofando, vamos dizer assim.  De repente ele olhou para o místico e perguntou: O que você acha? Daí percebeu que o místico não estava mais ali.
O místico tinha ido embora, ele aproveitou a luz do raio para e encontrou a saída.

É isto que devemos aprender, não olhe o fenômeno, aproveite a luz, ache o caminho e ande. É isto que acontece muito com estas questões que abordam, justamente, este princípio.

Tudo que não cria, é destrutivo em algum nível. Quando eu uso mecanismos para conduzir uma outra pessoa para algum objetivo que eu quero, isto em algum momento vai causar uma determinada forma de destruição no objetivo da outra pessoa. Porque a outra pessoa não queria vir aqui, ela queria estar fazendo outra coisa. Vai chegar um dia em que ela vai despertar e vai dizer ‘mais o que eu estou fazendo aqui?’

Participante: Se eu vejo que uma pessoa vai cometer um erro, então eu ofereço milagres para ele não fazer isto, neste caso estou usando a mágica?

Jorge: Se você pedir milagres para a pessoa não fazer isso, você está querendo desmanchar a mágica, usando o milagre como instrumento.

O milagre sempre tem que ser assim: Quando você pede um milagre para alguém que você percebe que não está fazendo correto, mas ele não consegue perceber, só o milagre vai colocá-lo de volta na percepção amorosa. Porque a pessoa que ama liberta o outro.

O que eu tenho dito muitas vezes é assim: Os instrumentos de magia são muito diferenciados, você pode usar a tua mente para projetar num objeto, que daquele objeto vai para a mente da outra pessoa, ou pode usar diretamente a mente. Só ficar mentalizando aquilo, mas você sabe que daquilo pode vir uma reação adversa, porque a outra pessoa pode não aceitar. Ela pode se submeter àquilo porque naquele momento parece que não tem outra coisa a fazer, mas isso não quer dizer que ela é submissa.  É uma diferenciação a fazer.

Sei que muita gente usa a magia para fazer isso. Outro dia veio uma moça aqui para comprar um livro sobre cozinha mágica, porque ela queria fazer uma mágica para colocar na comida, porque o rapaz com quem ela queria namorar iria almoçar na casa dela. Ela queira fazer uma mágica para o rapaz se apaixonar por ela.  Eu disse pra ela que isto não existia, isto não era assim e ela disse: mas eu sei que tem!

Você imagina assim: Se existisse uma mágica pra você colocar na comida e a pessoa se apaixonar por você eu, se fosse cozinheiro de restaurante eu iria colocar na comida de todo mundo no restaurante. Depois do almoço eu teria duzentas pessoas apaixonadas por mim, querendo namorar comigo.

Algumas pessoas criam um encantamento pra iludir as outras pessoas, pra acharem que aquela pessoa é o máximo, que é o guru, que é o iluminado, a gente vai criando uma imagem. O que eu tenho dito a respeito dos iluminados, já que foi dito que vamos viver uma era de muitos falsos profetas, existe um fenômeno fisicamente constatável que a pessoa que consegue a fusão com a luz , porque a luz vem do espírito, se ele consegue esta fusão mental com a luz, ilumina sua mente, acontece um processo que a mente reproduz tudo no corpo, o corpo da pessoa se ilumina. Então é possível se perceber luz em torno da pessoa. Isto você ouve em todos os relatos de pessoas que tiveram encontros com santos ou manifestações de pessoas santas, que têm aquela aureola de luz , uma aureola dourada de luz sobre a cabeça, são os iluminados. Porque se fundiram com a luz do espírito. O que eu digo é assim: Convida o iluminado pra jantar e quando estiver bem escuro você vai lá e desliga os disjuntores. Se ele brilhar é um iluminado. Se não brilhar não é.
É a aura da pessoa que se purifica, quando purifica a mente a tua aura fica iluminada. A tua aura, o teu campo energético é composto por milhares de pontos luminosos, cada vez que você comete um erro, uma mágoa, um equivoco, um ressentimento, você apaga uma ‘lampadinha’, vai apagando a tua luz.
Se você quer acender a tua luz começa a fazer a Expiação, você reacende o teu campo energético, fica envolto em luz. Muitas pessoas mais sensíveis podem perceber isto.  Às vezes não consegue perceber com o olho físico, ele não vê a luz, mas chega perto da pessoa é como se sentisse que ali tem uma luz envolvendo aquela pessoa.  As pessoas dizem ‘você tem uma luz’, mas não conseguem ver fisicamente, é uma percepção extra-sensorial.

Participante: Tem pessoas que materializam coisas...

Jorge: Por exemplo, você diz ‘Jorge estou com sede’, daí eu materializo um copo d’agua  pra você tomar, se sou um mestre iluminado eu posso fazer isso.  Tem que ver se estou fazendo isto com o ego, teoricamente é possível fazer isto.  Não pela teoria científica, mas pela teoria dos místicos. Se tudo é matéria, então é possível. Vejam a experiência, você planta uma árvore dentro de uma lata com 20 quilos de terra. Depois que a árvore estiver com 2 metros de altura você vai lá e arranca a árvore. Quanto pesa a árvore? Quanto tem de terra? A Árvore pesa mais de 20 quilos e você vai ver que ainda tem uns 15 quilos de terra. Então de onde que veio aquilo? É uma materialização, ou não?  Visto por este ângulo é! Aconteceu uma materialização, mas de onde se não consumiu a terra? Não é uma transformação, exatamente, existe uma materialização.

Materializa com o quê? Com o que está no ar! Pelo processo de captação de energia do ar, da água, dos elementos. Se você consegue compreender isto num nível elevado, talvez você possa compreender os mecanismos que proporcionam a materialização e fazer isto acontecer com o poder da tua mente.

Participante: Não precisa ser um ser iluminado, então?

Jorge: Não! Pode ser uma pessoa que conseguiu desenvolver na mente com a teoria e foi até que conseguiu ter a compreensão de como isso acontece e a mente humana tem muito poder por isto ela pode fazer isto. Necessariamente  não expressa que a pessoa é um ser espiritual, um santo. Um santo não tem interesse nenhum em materializar coisas, ele não tem interesse em provocar fenômenos para que fiques submisso a ele, porque isto vai prender você a ele.

A pessoa, cuja mente já está santificada ela não quer ninguém preso a ela . Porque se você ficar preso a mim, eu também não estou liberto. Se eu não estou liberto, eu estou dividido, estou preso. Então não sou mais santo. Mas o ego precisa de submissos o santo não. O egoísta quer que você seja o meu discípulo. Jesus, por ex., quantos discípulos ele teve? Doze! Eles só se transformaram em discípulos depois que surgiu a ‘pomba’ do Espírito Santo. Porque antes deles terem esta compreensão eles eram, de fato, seguidores, mas não eram discípulos ainda porque não compreendiam o que o mestre dizia, mas achavam que era um cara legal.

A pessoa não deve ter discípulos, o Jorge, por ex., mesmo que ele fique 500 anos explicando o Curso em Milagres. Se vocês se dedicarem a este trabalho vão ser um discípulo deste Curso, não do Jorge. Porque se não eu vou ficar preso a você e você vai ficar preso a mim.  O dia em que eu me libertar do corpo, eu vou querer ir para o Céu, aí fica alguém me chamando ’Jorge!’, daí não posso ir. Este tipo de mestre fica preso ao seu discípulo e quem tem a compreensão de que isto acontece, porque nós já estudamos no Curso sobre a divisão da mente, o devedor e o credor, ambos estão presos na mesma divisão, ou na mesma dívida e que o credor está mais preso do que aquele  que deve. Aquele que está devendo pensa ‘ah...um dia eu pago!’, mas aquele que tem para receber não descansa, ele põe na justiça, ele briga, corre, vai lá tentar receber alguma coisa. Então o credor está mais preso à divida do que o devedor.

A mesma coisa se segue neste processo, o que está em cima é igual ao que está em baixo. Se você acha que se tornou uma pessoa muito espiritual e agora quer ter seguidores, não deixe, porque muitas vezes eles vão querer  ser discípulos do espetáculo.  O dia em que você deixar de fazer espetáculo os discípulos vão embora. Porque o mestre não ensinou um caminho, ensinou o fenômeno, o espetáculo.

A Raquel me contou uma história muito interessante, chama-se o Canto de Josefina:  Tinha uma mulher que ficava, durante a horário do almoço, cantando na praça. Muitas pessoas se aglomeravam na praça pra ouvir a mulher cantar, isto acontecia todos os dias. Um dia ela disse que iria pedir para a prefeitura lhe pagar, pois estava  cantado para todas estas pessoas. Ela foi na prefeitura e eles não pagaram. Então ela não foi mais cantar na praça.
As pessoas continuaram a ir na praça, mas não foram pedir pra ela voltar a cantar. Ela se deu conta que as pessoas não iam até a praça pra ouvi-la cantar, elas iam na praça porque era o único momento que elas podiam ficar em silêncio com elas mesmas. Não eram seguidores dela, não tinham nada a ver com ela.

O verdadeiro mestre que tem este conhecimento ele não tenta fazer com que a pessoa que está ali em busca  de um caminho, pense que ele é o caminho. A pessoa que compreende isto apenas tenta conduzir a pessoa a colocar o pé no caminho. Porque você não pode caminhar pela pessoa. Ás vezes você fica prendendo a pessoa um tempo desnecessário dizendo que o caminho é o fenômeno. Você cria uma ilusão para as pessoas dizendo que o caminho é o fenômeno. É fazer o cristal ficar colorido..fazer isto...fazer aquilo..dizendo que o fenômeno vai fazer a coisa acontecer. Assim você cria um outro ponto de fuga.

Às vezes o mestre acha que vai fazer muita falta no mundo se ele ficar ausente. Daí ele vai embora e ninguém sentiu a falta dele.

O que temos que aprender aqui é discernir a diferença entre milagre e mágica, pra não acreditarmos na mágica  e ficarmos enredados na mágica.

A convicção surge apenas de um lugar, que é o conhecimento. Aquele que conhece, aquele que experimentou, aquele que está convicto. Só o conhecimento pode traduzir-se em convicção. 
Aquele que está convicto pode convencer os outros. Quem não está convicto precisará dos fenômenos pra convencer os outros.
Isto que temos que cuidar, ao invés de ser criativo é destrutivo, você pode prender a pessoa numa ilusão e destruir a oportunidade da pessoa de caminhar.

Vocês já tomaram suco de graviola? Se você não tomou vai ser difícil de você me convencer a tomar. Então você vai ter que usar de artifícios pra vender suco de graviola pra mim.  Você vai ter que inventar isto. Mas já a pessoa que experimentou e que gostou, está convicta que aquilo é bom, vai convencer a outra pessoa com facilidade, não precisa fazer fenômenos mágicos pra convencer. A certeza surge da convicção, a convicção surge da certeza, só tem certeza quem experimentou o conhecimento. 

Quem não experimentou precisa criar um espetáculo.  Chego aqui e digo: Vamos fazer um passeio, vamos conhecer as Cataratas do Iguaçu, vocês dizem: Ah, não sei....! eu digo: É assim.., assim...., eu já estive lá, é fantástico, é bonito, é uma maravilha. Tem gente que nunca foi lá, o que fazem pra convencer as outras pessoas? Ele mostra uns slides, cria um espetáculo pra convencer a outra pessoa a seguir aquele caminho.

Participante: Penso que quem tem este conhecimento realmente e quer passar isto para a outra pessoa não tenta convencer.

Jorge: Isso mesmo! Não precisa fazer esforço pra convencer, ele apenas oferece. Ele vai dizer ‘estou indo pra lá..’, as próprias pessoas, às vezes, dizem ‘posso ir junto?’ Elas vão buscar este mesmo caminho.

Vejam que tem guia de turismo que fala tão efusivamente sobre a Bahia, sem nunca ter estado lá . Você vai numa agência de viagem e o cara te convence  a ir pra lá. Daí você vai lá e não gosta. Então a técnica não significa nada, isto não serve. Aprender na técnica pra conduzir as pessoas num determinado estágio, não é que a pessoa atingiu a iluminação, ele aprendeu uma técnica.
Aí você vai aprender a discernir a diferença. Quem oferece um milagre, oferece e vai embora independente da causa, da conseqüência, ele libera o milagre pra você.  Aquele  que dá a mágica quer o fenômeno, o efeito, isto confunde as pessoas, porque elas não sabem discernir entre o que é milagre e o que é mágica. Isto começa ficar mais simples na medida em que vocês começam a entrar nesta direção, trabalhar o discernimento.

Participante: A gente procura algo em algum lugar, vemos se serve ou não, passamos adiante porque vemos que ali não é o real mesmo, mas é um caminho...

Jorge: Uma vez meu irmão me convidou pra ir pescar. Eu disse pra ele que eu não sabia pescar. Ele falou: Não tem problema, eu te ensino. Fomos com uma canoa para o meio do rio Iguaçu, meu irmão, uns amigos e eu como aprendiz de pescador. Meu irmão foi me ensinar como é que prepara a linha e na hora de preparar a linha ele enfiou o anzol no dedo. Os amigos começaram a dizer ‘presta atenção pra ver como não é!’ Na hora em que ele foi jogar a linha  o anzol engatou na orelha. Os amigos brincavam dizendo ‘o Jorge vai aprender bastante, porque ele vai aprender primeiro como não é’. Acredito que ele não era tão mau pescador assim, mas tudo que ele fez naquele dia deu errado, até da canoa ele caiu. Pra que me serve aprender do jeito que não é? Não serve pra nada! Saí de lá sem aprender como é que se pesca! Aprendi todos os jeitos que não é, isto não serviu pra nada.

Às vezes a gente diz ‘mas tudo serve para alguma coisa’, o ego diz que sim. Jeitos que não é existem milhares, jeito que é só tem um. Um Curso em Milagres é um destes instrumentos que ensinam como é, também não tem só um. Os caminhos que  não são também tem milhares. Na verdade a gente não aprende nada aprendendo o que não é.  Você pode ficar vinte anos tentando descobrir um caminho...fiz isso...fiz aqui..., você nunca descobriu o caminho. Que aprendizado você teve?  Você poderia ter descoberto o caminho vinte anos antes. Você ficou vinte anos descobrindo os desvios do caminho que não te levaram a lugar nenhum. O único jeito que tem pra achar o caminho é entrar no caminho, não existe outra maneira.

Aqui fala assim, vejam não é uma discriminação com quem busca magia, é apenas um discernimento, quando você busca magia pra interferir em alguma coisa, busca a magia como um método para atrair para si mesmo vantagens, isto é magia, isto não é um milagre.  É esta a diferença que temos que ver entre mágica e milagre. O milagre te coloca no caminho, a mágica é mais um efeito que não é o caminho. Tudo o que eu fiz anteriormente até chegar no milagre, não era um milagre, e isso não me ensinou o que é o milagre.

Por quê? Porque vou à casa de sucos e quero tomar suco de graviola. Vou ali todos os dias experimentar um suco. Hoje vou experimentar suco de melancia. Ah, esse não é! No outro dia experimento o suco de tomate... Para que te serviu tomar todos estes sucos, se você quer tomar suco de graviola?
Nenhum deles era suco de graviola.

Então a verdade que ele fala é que o milagre conduz à verdade e ele é criativo, alguma coisa que se torna eterna, a magia é o uso não criativo da mente , porque faz um fenômeno que não é para sempre. É como a Josefina, ela cantava, mas não criou nada, isto não quer dizer que a pessoa que canta não cria, você pode criar através de qualquer instrumento. No trabalho que você faz você pode ser criativo.

O que tem que se criar nas outras pessoas? O amor! Quando você faz uma coisa com amor, quando você elabora um objeto com amor a pessoa que recebe aquele objeto, sente o amor.  O objeto vai cheio de amor, por que ele foi elaborado  com amor.  Quando você faz o objeto, a pessoa recebe apenas o objeto, não criou aquilo que ao palpável não é perceptível.

Por exemplo, quando uma pessoa fica fazendo uma renda de bilro, fica 3 anos fazendo uma toalha, ela criou uma coisa, ela dedicou o seu serviço o seu trabalho. Se ela fez isto com amor, então tem 3 anos de amor impregnado naquilo. Se ela fez aquilo simplesmente por fazer, então não tem nada naquilo, só tem o fio. O serviço que foi prestado foi apenas o serviço de tecelão, não tem energia de amor aí. Quando nós fazemos um serviço com amor, ensinamos o amor, estendemos o amor, isto é criar. Aquele amor vai ficar para sempre naquilo que você fez.

Nós dizemos hoje que os alimentos não alimentam mais porque não são feitos com amor.  O arroz é plantado por uma máquina, colhido por uma máquina, ensacado por uma máquina, colocado por uma máquina na prateleira do supermercado, que é cozinhado maquinalmente por uma pessoa que não queria ser cozinheira. Que energia tem naquilo? Que amor que tem naquilo?
Jesus já disse: Nem só de pão vive o homem!  Ele quis dizer que não é a matéria que faz as coisa ser nutritiva. Quando uma pessoa cozinha o arroz sem gostar, que já é  plantado sem amor, colhido sem amor, se na hora de preparar lá na cozinha é feito sem amor de novo, ao invés de comer uma colher de arroz, você vai ter que comer cinqüenta. Você vai ter que suprir com matéria aquilo que você tinha que suprir com energia e iria usar o arroz como veículo pra carregar aquele nutriente, aquela energia. Esta é a diferença entre a pessoa que simplesmente faz e a outra que cria.

As pessoas conseguem dar valor a uma coisa que é feita artesanalmente, diferenciar de uma coisa que é feita mecanicamente, porque tem a energia de quem fez o artesanato. A máquina só tem a energia elétrica. A eletricidade foi a energia que construiu aquilo, não teve a energia amorosa. Estas coisas que são feitas sem amor não conseguem chegar nem perto da perfeição.

Outro dia eu mostrei um objeto que é feito na Índia,  é madeira, todo entrelaçado, aquilo ali só pode ser feito por alguém que está buscando a perfeição. Pegar uma madeira e esculpir um objeto daquela maneira, todo entrelaçado, não tem emenda, não tem corte, não foi feito pedaço a pedaço, é uma escultura. Claro que a energia de quem fez aquilo está ali.

Você começa a perceber diferenças, a discernir, a dar valor àquilo que é artesanal, porque você pode levar para casa um objeto que tem energia de amor de quem fez.
Um bordado à mão é muito mais valorizado do que um bordado à máquina, mesmo que o feito pela máquina pareça mais bonito, porque a máquina não erra, faz com perfeição, a máquina é controlada por computador. É tudo brilhoso, bonito, perfeito, daí a pessoa aprende a ver o brilho que não é real.
Por que o que brilha é a luz do amor que a pessoa colocou no seu trabalho. Aí que está a diferença entre a convicção, aquilo convence, porque foi feito com convicção, não maquinalmente, não uma técnica.

Ouvi dizer que de um mosteiro em que o monge que estava mais iluminado, mais amoroso, ira pra cozinha. Porque onde ele colocaria a mão ele colocaria a energia dele, aí os monges não precisavam comer tanto e o gosto dos alimentos era muito melhor, mais nutritivo, o gosto estaria ressaltado, alimentariam mais, logo não precisavam comer tanto.  Com o palato satisfeito e o estomago também, sem precisar comer tanto.  Esta energia é o estado em que a pessoa pode abençoar. Por isso o padre abençoa o pão e o vinho. Naquele momento ele está neste estado. Ele se prepara, tem todo um ritual. A missa é como uma meditação, é um ritual em que ele vai se preparando, tem um momento que ele entra em contato com esta energia de amor, e abençoa o pão e o vinho. Este é o simbolismo da hóstia. 

Por isso que a pessoa tem que gostar daquilo que faz. O padre por ex. se depois ele for cozinhar, daí ele entra no ego e não está mais naquele estado, a pessoa vai se alternando entre ego e espírito. Por isto que a pessoa que está mais espírito mais constantemente, já consegue manter aquele estado espírito vai pra cozinha, porque isto vai alimentar os outros com energia amorosa.

Participante: Quando a gente quer escolher o caminho do amor, tem horas que parece que o ego ‘vem com tudo’ para mostrar que não é bem assim...

Jorge: Enquanto eu estou dentro do ego eu estou vendo o que está fora. Se você quer saber como é a tua empresa, fica sentado do outro lado da rua, se você ficar lá dentro você não percebe como é que ela é. Não consegue perceber o que é aquilo enquanto você estiver envolvido dentro daquilo.

O que acontece quando a pessoa vai sair do ego? Ela começa a ver o que o ego contém. Para eu me observar enquanto eu estou no ego eu só vejo a parte externa. Vou lá no espelho e só vejo o meu olho bonito, meu cabelo bonito. Quando a gente sai do externo, sai um pouco do ego você começa a perceber o que o ego contém. Agora você começa a ver o ego porque você está olhando pra ele de fora. Aí parece que a coisa é feia!
 
O livro em algum momento diz que você começa abandonar o ego, começa a abandonar os padrões de comportamento do ego, aqueles sentimentos, aquelas percepções, aquelas crenças que você tinha enquanto você estava dentro do ego.  na medida em que você vai abandonando, você vai se libertando dele, então você consegue ver aquilo com amor. Enquanto você está envolvido naquilo, você não consegue.
Você ainda está no ego e está saindo para entrar no outro estado, aí acontece um momento de instabilidade, parece que você não está nem num lado nem no outro. No momento em que estou sendo mandado embora do meu emprego e o momento em que encontro outro, a minha vida está muito instável, me sinto muito inseguro, estou saindo daqui, como será que vai ser o outro... 

Outra vez como é na matéria, é no nível superior, isto quer dizer que o que está em cima é igual ao que está em baixo. Assim no físico, assim na mente também, quando a mente está mudando de um estado para outro, há uma determinada insegurança.

Participante: Parece que esta mudança de estado na gente também gera raiva nos outros....

Jorge: Nós somos espelhos um do outro. Enquanto você está espelhando a parte exterior, enquanto olho em você e vejo algo igual, então estou conformado, penso  ‘ah a Márcia também é assim, o Antonio também é assim, a Raquel também é assim, então está tudo certo comigo também. Não tem nada errado comigo. Todo mundo faz isto, todo mundo é assim’.
Mas quando aparece um espelho limpo, polido em que eu vejo no espelho o meu ego, porque a pessoa começa a espelhar com nitidez, aí eu começo a ficar com raiva do que estou vendo em mim mesmo. Vejo que nem todo o mundo é assim e talvez tente quebrar o espelho pra não ver a pureza, porque começando a ver a pureza em si mesma  ela começa a ver impurezas também.
Quem tem acesso a Internet na página da Nova Era (Contos de luz) tem um conto que se chama ‘Espelho enevoado’, trata justamente disto.

O espelho enevoado reflete imagens difusas, quando você limpa a superfície do espelho, ele vai refletir aquilo que você é. Quando você se torna um espelho limpo, começa a refletir aquilo que a outra pessoa é, e você reflete a pureza na outra pessoa. Não é que a pessoa vê. Quando você olha pra mim e percebe em mim pureza, você entrou em contato com a tua pureza  e aí você se revolta porque você vê que tem muita impureza ainda. Quando alguém olha pra mim e sente raiva de mim, é porque a pessoa está com raiva dele mesmo. A pessoa está percebendo a sua raiva.
Quando a pessoa olha pra mim e diz ‘ah, como você é bonito!’ esta pessoa está percebendo a beleza dela. Para eu perceber a minha beleza olhando pra Márcia, eu saio do estado impuro, quando eu saio eu olho de fora pra mim mesmo e vejo as impurezas, é aí que a coisa pega! Porque eu percebo que aquilo está comigo e não com o outro.

Se a pessoa tem a compreensão que estamos trabalhando aqui, ela iria se dar conta e iria chegar a um ponto e dizer: mas esta raiva é minha, estou com raiva de mim mesma, então porque eu estou atirando isto em cima do  outro?’  O ego não permite que ela veja isto, porque ela está dentro do ego.

Participante: Isto acontece com mais intensidade com pessoas mais próximas de ti.

Jorge: Quem está mais próximo enxerga melhor. Mais adiante tem um texto que vai explicar melhor isto. Vamos voltar então para o nosso parágrafo de hoje.

Livro texto
Página 34
Capítulo 2 – VII. Causa e efeito
5. Nada e tudo não podem coexistir. Acreditar em um é negar o outro. O medo na realidade é nada e o amor é tudo. Sempre que a luz penetra na escuridão, a escuridão é abolida. O que acreditas é verdadeiro para ti. Nesse sentido, a separação ocorreu e nega-la é meramente usar a negação de maneira imprópria. Porém, concentrar-te no erro é apenas mais um erro. O procedimento corretivo inicial é reconhecer temporariamente que existe um problema, mas só como uma indicação de que é necessário uma correção imediata. Isso estabelece um estado na mente no qual a Expiação pode ser aceita sem adiamento. Contudo, deve-se enfatizar que, em última instância, nenhuma transigência é possível entre tudo e nada. O tempo é essencialmente um instrumento através do qual pode-se desistir de toda transigência a esse respeito. Ele apenas parece ser abolido por etapas, porque o tempo em, si mesmo envolve intervalos que não existem. A criação equivocada fez com que isso fosse necessário como medida corretiva. A declaração “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas tenha vida eterna” só precisa de uma leve correção para ser significativa nesse contexto: “Ele o deu ao Seu Filho unigênito”.
 

Participante: Gostaria entender melhor: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça mas tenha vida eterna” só precisa de uma leve correção para ser significativa nesse contexto: “Ele o deu ao Seu Filho unigênito”.

Jorge: Sempre compreendíamos que Deus deu o Seu Filho ao mundo e Ele diz que a correção é: Que Deus deu o mundo ao seu Filho.
A idéia geral é que Deus deu Jesus ao mundo em sacrifício.

Participante: Esta idéia foi ensinada para gerar o medo e ficarmos em dívida.

Jorge: Depois de ler isto eu vejo que o pouco que conheço da Bíblia não está errado, não consigo entender como é que nós conseguimos ler aquilo e entender de outro jeito. O que está escrito lá, se você segue a trajetória de Jesus, é assim: As pessoas não acreditavam na possibilidade de ir para o Céu.
Eles estavam esperando o messias que os levariam para o Céu. Eles não acreditavam na possibilidade de irem para o Céu porque tinham cometido tantos pecados, eles acreditavam na punição, em troca da punição eles ofereciam sacrifícios pra liberar a punição.

Pegavam a melhor ovelha e ofereciam em sacrifício a Deus. Pegavam a melhor vaca e levavam e ofereciam em sacrifício pra Deus. Pra se liberarem da punição.  Eles se consideravam grandes pecadores e quando a gente se sente em pecado a gente vai lá e leva um presente pra ‘amaciar’ o ofendido. Ofereciam o que tinham de melhor pra amaciar a ira de Deus pra não puni-los. Esta era a idéia de sacrifício.

Tenho visto de pessoas que lêem a Bíblia, que apenas lêem, não interpretam: Jesus disse ‘O Céu está acima de suas cabeças, basta elevar as mãos e apanhar as bênçãos do Céu’. As pessoas olhavam pra cima e nada viam. Não viam porque eles elevavam só as mãos, elevar as mãos é simbólico, o que tem que elevar é a mente. É apenas gestual, simbólico, mas ninguém acreditava.

Chegou um ponto em que Jesus disse:
-porque vocês não acreditam no que eu estou dizendo?
Eles disseram que para alcançarem o Céu seria necessário um grande sacrifício, tão grande que não conseguimos imaginar o tamanho.

Ele disse:
-Eu sou o Filho de Deus, que se tornou carne. Eu sou o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e que se oferece em sacrifício para liberar-te dos teus pecados. Para liberar os pecados do mundo, eu me ofereço em sacrifício.
Eu sou o cordeiro, vou me oferecer em sacrifício por vós. Não precisa mais oferecer o teu cordeiro, eu sou  o cordeiro. Eu vou como cordeiro para o sacrifício, para libertar você do pecado. Sou o Filho de Deus, estou aqui encarnado com esta função de ensinar a vocês como é que se liberta do pecado.

Este é o símbolo de ‘Eu sou o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo ’. Isto que se fala em toda a missa que se reza, se fala isso. Por que nunca ninguém compreendeu isto?

Qual é o sacrifício que vocês querem?

-A cruz!

Eu vou, para vocês acreditarem que vocês podem alcançar o Céu. Para que se cumpra as escrituras.

-Mas se o povo não acreditar?

-Se um só acreditar ele vai convencer os outros.

Participante: É impressionante como é forte esta crença no pecado!

Jorge: Já mencionei de outras vezes o exemplo do bar da esquina onde a pessoa tem uma conta que ficou devendo. A pessoa desvia dali pra não passar na frente do bar. Vendo os transtornos que eu tenho, um amigo meu viu isso e foi lá no bar e pagou a minha conta. Ele chega pra mim e disse:
-eu paguei a tua dívida!

-não acredito, ainda estou com medo de passar lá.

É isso! O cara já pagou tudo! O que é que não deixa a gente se libertar do medo? É o medo! Ele disse: Eu pago a conta, pode ir para o Céu!

Participante: Isto não foi compreendido assim.

Jorge: Se um só compreender, ele vai estender isto para os outros. Este que acessou este conhecimento vai ter que estar convicto pra convencer os outros. Aí começa mudar tudo. Um convence o outro, que de repente fica convencido porque ele estende a convicção. A convicção que eu tenho eu estendo para você, por isto que você fica convencido também e começa a ver de outra maneira isto. Esta convicção vai formar uma sólida cadeia que vai começar a formar uma nova mente coletiva.

Como Ele disse, o tempo está dividido em etapas que não existem, mas isto funciona dentro do tempo. Quanto tempo levou pro Jorge compreender isto? 2004 anos! É o tempo que levamos pra conseguir compreender isto de uma maneira diferente, lendo a mesma escritura.
Ele diz, a única coisa que precisa no texto é uma leve correção: Ele deu o mundo ao seu Filho e não o Seu Filho ao mundo. Só esta correção. Medo e amor não podem coexistir. Então você não pode estar num estado de medo e amoroso. Então temos que dissolver o medo. Não precisa mais ter medo da punição porque o cara já pagou a dívida.  Nós ainda estamos com medo porque não acreditamos nisto.Disseram pra ele:
-Mas você vai morrer?

-É!

-Mas se você morrer, então acabou tudo! Como é que vamos saber se a coisa funcionou?

-Eu vim e venci o mundo. Mostrei ao mundo que a morte não é nada com a minha Ressurreição. Agora vocês acreditam?

Participante: Naquela época não acreditaram!

Jorge: Agora também não! Se você acredita fielmente nisto, então você está pronta pra morrer agora. Você não tem mais medo de nada.

 Uma História:
Numa oportunidade Raquel e eu estávamos em Belo Horizonte. Iríamos pegar o vôo das 13 horas para São Paulo. Às 11horas, mais ou menos, não tínhamos mais o que fazer, já tínhamos concluído todas as nossas tarefas,  saímos para caminhar um pouquinho. Entramos numa livraria de um amigo e enquanto eu conversava com ele, a Raquel foi olhar os livros que tinham ali. Daí um pouco a Raquel veio com um livro de poesias na mão para comprá-lo. Ela comprou o livro. Eu notei que a Raquel estava estranha. Perguntei: O que foi? Ela respondeu: Nada, depois eu te conto!

Daí um pouco ela abriu o livro, nós iríamos viajar de avião até São Paulo e no livro tinha uma poesia mais ou menos assim: ‘... Quem sonha voa muito alto, mas pode morrer de repente em pleno vôo.’ Ela me contou e eu disse: Bom, o avião é uma coisa estável. Se você ficou com medo é porque tem medo. Se você preferir, quem sabe a gente vai de  ônibus?   Ela disse: Não, nós vamos de avião!

Entramos no avião, eu me acomodei e dormi.  Quando chegamos em São Paulo, ela me disse: Como é que pode, eu aqui com medo... e você dormindo...nem se importou comigo! 
A noite descemos para jantar e a Raquel com o livrinho na mão. Perguntei a ela, o que poderia induzi-la a ter medo? Estávamos na metade da viagem, no outro dia iríamos tomar o vôo para Florianópolis, ainda poderia acontecer.  Mas eu não estou com medo nenhum! Começamos a avaliar. A Raquel disse que ela chegou a conclusão que tinha medo por não ter falado para a sua mãe sobre a viagem. Eu disse, eu não tenho! O que poderia me fazer ter medo de morrer em pleno vôo? As únicas coisas talvez sejam as contas da livraria..quem é que vai pagar as contas? Isso era uma coisa que poderia fazer com que eu ficasse com medo.
Disse para a Raquel: Me dê o livro, deixa eu abrir uma página para ler! Abri e lá estava escrito: No céu não tem contabilidade, não tem contas a pagar e não tem contas a receber! Adivinha quem ficou bem acordado durante o vôo de São Paulo a Florianópolis? A gente acha que não tem medo, mas ele está lá!

Vejam no que está fundamentado o medo. Em nada que seja palpável. Aqui diz assim: ‘O medo é nada, o amor é tudo.’  O ego inverte tanto esta posição que nós achamos que o medo é tudo e nós passamos a ter medo de tudo.
Tudo pra nós, o que é? Achamos que Deus é nada e que a matéria é tudo.

Tudo que é coisa material é que pode transmitir medo. Só o que pode nos induzir ao medo é a matéria. O medo de morrer é o medo de perder o corpo material. Porque nós não acreditamos nisto que Jesus disse: Eu vim e venci o mundo e provei isto com minha ressurreição. Vocês estão vendo a coisa equivocada, estão vendo o sacrifício, a morte e não estão vendo a ressurreição. Vocês estão vendo a coisa invertida. Mostrei de todos os jeitos que vocês pediram  e vocês inverteram tudo de novo. 

Isto é o medo. Ele disse ‘eu venci o medo da morte’. Ele acreditava na ressurreição, então não tinha porque ter medo, Ele acreditava no eterno, no amor, e não no medo.

Participante: A dor física é que nos trás o medo.

Jorge: A dor física é outra ilusão, porque você não precisa sentir dor.  A dor é causada pelo medo, não pelo atrito físico. É o medo do sofrimento que causa a dor.  Vocês podem ver que a pessoa que quebra o braço, por ex. não sente dor nenhuma, ele grita de medo, mas não tem dor. Por quê? Porque a mente produz o anestésico.

 Eu tive um acidente achei que eu tinha morrido por duas vezes no mesmo acidente. Eu estava andando de moto na BR  e um carro atravessou a pista, uma testemunha disse que eu voei alto  e cai a uma distância de 50 metros. Eu não senti nada de dor, eu achei que eu tinha morrido.; Eu vi o choque, ouvi o barulho da lata e não vi mais nada, apaguei . De repente eu acordei e eu estava lá estendido no chão. Abri os olhos e vi o céu bem azul, não senti dor nenhuma, pensei ‘acho que não morri’.  Comecei a olhar para o lado e vi que eu estava no asfalto, mas não tinha ninguém perto de mim, vi que lá longe o pessoal estava olhando os amassados do carro. Comecei a me levantar, quando eu comecei a levantar, começou a escurecer tudo, outro desmaio.

Acordei de novo, morri pela segunda vez. Quando eu acordei vi que vinha um carro em alta velocidade vindo na minha direção e eu percebi que estava no meio do asfalto, daí pensei ‘agora sim, agora vou morrer, o carro vai me atropelar’. Ele freou bem na minha frente, ele veio pra me socorrer, foi o único que me viu. Me colocou no carro e me levou para o hospital, mas eu não senti nada.

Tive um outro acidente em que o carro saiu da pista, tombou, eu não senti coisa nenhuma. 
A pessoa que está em estado de coma começa a sentir dor depois que volta. A pessoa sai, ela não fica presa no corpo.

Pode acontecer durante o renascimento, você está respirando de repente eu começo a chamar pra voltar. Você volta e sente que o corpo está todo duro, está preso, sente o peso do corpo, aí você começa a entrar no corpo de volta. A mente sai racionalmente do controle da matéria.

Os místicos hindus ensinam pra sair do corpo pra não sentir nada. O que é sair do corpo pra não sentir nada? É você tirar a mente, libertar a mente da matéria.  A pessoa que faz meditação tem esta experiência.  A consciência sai da matéria. Daí pode fazer o que quiser que você não vai sentir dor nenhuma . Quando você voltar com a tua consciência para a matéria, você sentirá dor.

Participante: Então, talvez Jesus tenha feito isto.

Jorge: Eu não vi nenhum relato que ele ficou gritando de dor. Nem dos caras que estavam ao lado Dele. Existe um anestésico natural. Acho que a dor vem do medo, do medo da doença.
Ele fez tudo com amor, mostrou era tudo amor, mas as pessoas interpretaram tudo com medo, porque tinham medo.  

Exercício da Semana: Vamos oferecer um presente pra alguém. Podemos colocar amor naquilo que manuseamos. Podemos oferecer um objeto com bastante amor. Hoje não temos mais habilidades artesanais, porque as máquinas fazem tudo.
Mas pega e manuseia bastante o objeto, com amor. Ofereça pra quem você mais ama.  Mas antes de dar, põe amor nele com as mãos. Usa as mãos como instrumento para colocar ali o teu amor.

Também tem a ver com que diz no parágrafo de hoje em que Ele pede para fazer a correção ‘Deus amou tanto o mundo que o deu ao seu Filho’. Então dá o presente para quem você ama.

Participante: O que é unigênito?

Jorge: Quer dizer que o Filho é um só, é a Filhação. É o único que foi gerado. Não tem outro Filho. Todos somos parte desta mesma unidade. Por isto: Uma unidade = Humanidade. Por isso somos humanidade, porque somos parte desta mesma unidade.

Nossa língua expressa muito bem o conhecimento:
Uma unidade=Humanidade;
D eus = Deus 
Quando você abdica do teu eu ele fica o eu coletivo. O teu eu mais o meu, que não abdica do ego, separa você de mim. A gente faz o coletivo sem perder a individualidade. Apenas abdicamos de posições diferenciadas. Então, Deus é o conjunto de eus. Se somos uma coisa só, o resultado de todos os eus  é Deus.

Participante: Então nós somos Cristo como Ele?

Jorge: Sim, isto o livro diz por diversas vezes. A única coisa que falta é nós descobrirmos isto.
Por que o grupo? Porque no grupo nós trabalhamos para chegar a uma única compreensão. Quando tivermos uma única compreensão a respeito do que nós estamos interpretando no livro, então nós deixaremos de dizer ‘eu interpreto assim’ , para dizer ‘nós interpretamos assim’.

Quando nós chegarmos ao estado de ‘nós’ é porque abdicamos do estado ‘eu’. Quando estivermos no estado ‘nós’  é só chamar a Nossa Senhora desatadora dos nós. Porque daí nós precisamos desatar os nossos nós para transformar-nos em sãos.

O transcurso é assim: eu – nós – são.
Alguém poderá dizer: ‘Aquele ali faz parte da mente que conseguiu chegar ao estado são’. Não tem mais eu ou nós, já é são, é o estado de santidade.  As mentes compartilham a
santidade, sem perder a individualidade. É assim que funciona. Por isso que Deus é a soma de todos os eus. Enquanto um só se mantiver ‘eu’ separado, Deus não está completo. Não porque falta alguém, apenas porque alguém não está presente.  Este é o caminho.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

 

©  2004 - Milagres