UM CURSO EM MILAGRES
06 DE SETEMBRO DE 2004
2ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 48
O milagre é o único instrumento à tua disposição imediata para controlar o tempo. Só a revelação o transcende , não tendo absolutamente nada a ver com o tempo.

Jorge: O milagre é o único instrumento, que temos à disposição, para controlar o tempo. A revelação transcende o milagre e ela não tem nada a ver com o tempo. Aprendemos que o milagre faz acontecer agora, o que poderia se estender no tempo de maneira indefinida. O milagre é o instrumento que temos para controlar o tempo do aprendizado.

O que isto significa? Tenho um aprendizado a fazer. O que me bloqueia para não aprender? Quando eu não aceito a expiação para mim mesmo! Então, posso ficar ensinando para os outros como se faz a expiação, mas quando chega na minha hora de fazer expiação, eu não faço, saio pela tangente, invento uma coisa, invento outra, lembro de outra coisa, fujo para outro lado. Isto é muito comum, porque nós achamos tudo muito bom quando não é com a gente, a injeção é boa quando não é na gente. Quando vem para o lado da gente, falamos “não, não precisa, eu já estou curado e vai procurar outro médico”. Assim como as pessoas, às vezes, para não tomar injeção, vão procurar outro médico, assim nós também fugimos das Religiões, das Ordens, dos Grupos, etc. Quando chega na nossa hora, a gente cai fora. Então a gente acha que ali não é o lugar, isto é uma tendência bem forte. Não importa onde você está, não é que vai ser exigido, mas você vai chegar num ponto em que vai ter que fazer. É o ponto que se chega que a expiação tem que ser feita., ou você faz, ou você volta. Se você sai em busca de outra coisa, começa tudo de novo. No começo tudo parece ser diferente, que não tem nada a ser feito, é só festa. Terminou a festa, agora vamos lavar os pratos, na hora de lavar os pratos, ninguém quer.

A nossa expiação tem que ser feita, chega a um ponto que isto é imprescindível, não que alguém nos imponha, mas é o ponto que alcançamos e nós encontramos o que tem que ser feito para passar adiante no nosso aprendizado. Se não fizermos as expiações que devem ser feitas, naquele momento, a gente não passa para frente. Então aquilo se estende indefinidamente no tempo, vai...vai..., passam anos e anos e a gente não faz. Enquanto a gente não faz aquilo, não passa adiante, é a ‘prova do final do ano’, vamos colocar assim, é a expiação da vez, se não faz, você fica de novo, você vai passando, “mas parece que isso já me aconteceu uma outra vez”. É claro que já aconteceu! É como o aluno que fica repetindo o mesmo ano na escola. Repete, vem outro professor, vem outros colegas, mas a lição é a mesma. Então, você tem que se dar conta que deve ter alguma coisa que você não está fazendo, você não está passando na prova, a prova é fazer as expiações da vez, se você não fizer vai ficar indefinidamente no tempo, no mesmo ano, na mesma série, sem somar em novos aprendizados. O milagre é o único instrumento, que está à tua disposição, para controlar o tempo. Então você controla o tempo em que você quer fazer o teu aprendizado.

Já sabemos que funciona assim: O milagre pode reduzir o tempo de aprendizado, por exemplo, em um milhão de anos. Como é que acontece o milagre? Nós já estudamos isto. O milagre acontece assim, a expiação é o princípio, o milagre é o meio e a cura é o resultado. Princípio, início e começo são a mesma coisa, é por aí que temos que começar, pela expiação. Vamos nos dar conta das nossas expiações e começamos por aí.

Participante: Como é que se começa? Como é que eu faço a expiação?

Jorge: Você se propõe a fazer, no momento em que você se propõe a fazer, todo o universo conspira a teu favor. Não sei se a palavra ‘conspira’ é adequada, mas é o que se diz por aí. Todo universo vai trabalhar para te proporcionar a oportunidade da expiação. O milagre pode ser o momento em que acontece o encontro com as pessoas com quem que você tem que fazer a expiação. O encontro te é proporcionado, isto é o milagre. Faz vocês se encontrarem na hora certa, no momento certo, com as condições adequadas para você trabalhar para desfazer a culpa e o erro, o milagre fez isto, como conseqüência a cura.

Você já sabe como o milagre funciona, ele funciona como instrumento para controlar o tempo e está a tua disposição para você usar a hora que você quiser. É só você dizer “eu quero resolver este problema que eu tenho e está pendente”. Olha para cima e diz “Quero um milagre”. Porque eu não sei onde estas pessoas andam, não estou com força para resolver isto. Então eu quero a força, quero a vontade, quero as condições . O Espírito Santo que é o intermediário dos milagres, vai começar a trabalhar para juntar as pessoas, se envolver mais de uma pessoa, vai acontecer de você encontrá-las todas juntas, parecendo ser por acaso. Não é por acaso. Aí você tem o encontro, a oportunidade, a força para desfazer o erro e a culpa e todas as condições necessárias para isto. Agora você se cura daquilo, você passou de ano, este aprendizado que você teve, quando desfez o erro. Se você não tivesse pedido e querido esta oportunidade, poderia se estender indefinidamente no tempo. Aí você não iria se desfazer daquilo, não conseguiria passar de ano, o teu aprendizado iria ficar parado.

Observem vocês, este vai ser o exercício da semana, observar em nós mesmos, se tem situações que estão se repetindo. Se tiver na tua existência, situações que se repetem, sem que você consiga resolvê-las, é porque você não resolveu alguma coisa. Faça uma analogia com o aluno que está na escola. “Mas toda vez acontece a mesma coisa comigo!” Com pessoas diferentes, lugares diferentes, você passa novamente por aquela situação. Você está repetindo de ano. Vamos ver o que eu não estou fazendo, qual a expiação que eu não estou aceitando para mim mesmo. Se a situação não vai para frente, é porque está presa em algum lugar. Vejam: O milagre é o instrumento que tens à tua disposição para controlar o tempo, desta maneira.

Participante: Às vezes temos raiva, aí de repente, numa determinada situação tudo vem à tona novamente. Então precisamos um milagre para ajudar a dissolver estes ‘nós’.

Participante: Quando a gente sofre uma agressão, como é que a gente resolve isto?

Jorge: Agredir e ser agredido, é a mesma coisa, se você não registrar como agressão. Muitas vezes fazemos um registro de agressão, sem que a pessoa tivesse tido a intenção de nos agredir. Temos que trabalhar muito mais com o perdão a nós mesmos, do que, provavelmente, aos outros. Porque nós interpretamos equivocadamente o que as outras pessoas trazem para nós, muitas vezes vemos um presente como um ataque ou como agressão. Pode ser que a pessoa quis fazer uma brincadeira com a gente, com a intenção de nos dar alegria e nós interpretamos aquilo como uma agressão. Você já ouviu dizer “que o homem é o lobo do homem”. É isto que quer dizer. Porque nós mesmos provocamos em nós mesmos este sentimento.

Veja assim: Todo mundo está aqui falando alegremente e de repente eu chego aqui e toco o sino fortemente e pergunto “Que blá-blá-blá é esse?” Ninguém recebe isto como agressão, mas a Raquel recebe como agressão e fica pensando “o Jorge me agrediu, ele não deveria ter batido o sino, ele não deveria ter feito assim”. É como a gente recebe uma agressão e outra pessoa não recebe aquilo como agressão, então tenho que trabalhar isto para limpar em mim mesmo, não envolve outras pessoas. Todas as terapias que nós integramos e agregamos ao nosso trabalho, não dá para dizer que um deles é o principal, não dá para dizer qual deles faz a coisa funcionar, porque eles funcionam integrados. Aqui temos uma compreensão mental ou intelectual de como as coisas funcionam e as terapias nos ajudam muito.

O que a terapia pode ajudar a resolver? Elas podem me colocar num ponto em que eu consiga dissolver isto, aquelas situações em que me sinto agredido. Eu me sinto por mim mesmo. Aquilo que eu não consigo me perdoar por ter recebido aquela agressão. Eu poderia passar sem me sentir agredido, não importando o que o outro faça. Dizem que é o estado Zen, a pessoa recebe de forma neutra, o que para outro poderia ser muito agressivo. Enquanto nós estamos registrando qualquer coisa como agressão nós vamos acumular o sentimento de raiva e ele vai ficar guardado. Este sentimento, quando é comigo mesmo, isto se desfaz com terapia. Como, por exemplo, Renascimento, Reiki, Yôga, Florais e outros, todos eles são importantes para desintegrar os sentimentos que não são amor.

Participante: Uma vez uma médica me colocou uma situação e eu a questionei. E ela me disse “olha, você questiona demais, você tem que confiar no que eu estou fazendo!” Eu nunca mais voltei a consultá-la. Não voltei, não tenho vontade de voltar.

Jorge: Mas também não está resolvido isto em você.

Participante: Como é que a gente trabalha isto?

Jorge: Você não xingou esta médica, apenas não foi mais lá. Saiu de lá sentindo-se agredida. Da forma que eu vejo, você não tem que pedir perdão a ela, você tem que perdoar a ela. Você não precisa ir lá para dizer “estou te perdoando”, você tem que perdoar a ela em ti mesmo. Então, você tem que se perdoar por sentir-se agredido. Porque, talvez, se ela dissesse isto para mim, eu não me sentiria agredido. Você poderia ter dito “eu não venho mais aqui, vou procurar outra pessoa que me explique isto direitinho”, mas sem se sentir agredida pela maneira que ela falou. Porque você estava no seu direito de questionar. Ela, talvez, tivesse que ser mais amorosa. Faltou amor nela e faltou amor em você, também, consigo mesmo. Porque quando nós não estamos amando a nós mesmos, nós recebemos as outras coisas como agressão. O estado que nós temos que aprender a nos colocar é um estado em que as coisas externas não nos abalam, para a gente não sentir isto como agressão.

Você pode fazer o seguinte: Pede para que aconteça um milagre para desfazer este mal-estar que ficou, este sentimento que ficou pendente de resolução. Aí espera, pode ser que você encontre a pessoa e isto se resolva de uma forma natural. Não quer dizer que isto vá acontecer, pode ser que isto se resolva sozinho.

Jorge: O que temos que fazer é assim: Ao invés de ficar julgando, ir no caminho da correção. Quando a gente fica no julgamento, a gente fica no sofrimento. Busca a correção. Isto pode ser prolongado indefinidamente no tempo, pode ser que você daqui a trinta anos ainda se lembre e pense “eu me sinto agredido”, ainda está guardando aquele sentimento. Se não resolver fica mais dez, vinte, duzentos e não resolve nunca.

Participante: O que é que temos que fazer?

Jorge: Quando você se lembra desse caso, é uma boa oportunidade para você intencionar o caminho da correção, que é a expiação. Disponha-se, proponha-se a fazer a expiação. O que é expiação? Expiação é o ato de desfazer o erro, o julgamento e o sentimento que envolveu um fato. Depois que você dissolveu este sentimento, o fato continua lá de forma neutra, apenas um fato como outro qualquer. Você vai vir aqui falar isto para mim da mesma maneira que você diz “hoje eu almocei alface”. Eu direi “e daí estava boa a alface?” “Sim, estava normal!” Enquanto estes fatos não estiverem na nossa memória, nos nossos sentimentos de maneira neutra é porque ainda não estão resolvidos. Se você não resolver este fato pode se estender no tempo, e vai..vai..

O que temos a fazer? Nos propor a dissolver! Vamos aproveitar esta semana! A única coisa que vocês têm que fazer é decidir “eu quero resolver isto para eu me livrar deste sentimento!” Pronto! O milagre precisa ser oferecido de alguém, para alguém, então, estou oferecendo um milagre para cada um de vocês. O milagre está oferecido, se quiserem usá-lo como instrumento de controlar o tempo do aprendizado. Isto pode ser resolvido se vocês assim realmente quiserem. Resolvendo, vocês podem continuar suas trajetórias sem estar presos a aquele sentimento. A única coisa que transcende o milagre, como instrumento, é a revelação, que já não tem mais nada a ver com o tempo.

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Capítulo 2 – A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO

VII- Causa e efeito

3. Tanto os milagres quanto o medo vêm dos pensamentos. Se não estás livre para escolher um deles, também não estarias livre para escolher o outro. Escolhendo o milagre, rejeitaste o medo, mesmo que apenas temporariamente. Tens estado amedrontado com todas as pessoas e todas as coisas. Tens medo de Deus, de mim e de ti mesmo. Tu nos percebeste mal ou nos criaste equivocadamente e acreditas no que fizeste. Não terias feito isso se não tivesses medo dos teus próprios pensamentos. Os que têm medo não podem deixar de criar de forma equivocada, porque percebem equivocadamente a criação. Quando crias de forma equivocada, estás em dor. O princípio de causa e efeito agora vem a ser um real expedidor, embora apenas temporariamente. De fato, “Causa” é um termo que propriamente pertence a Deus e Seu “Efeito” é o Filho de Deus. Isso acarreta um conjunto de relações de Causa e Efeito totalmente diferentes daquelas que introduzes na criação equivocada. O conflito fundamental neste mundo, portanto, se dá entre criação e criação equivocada. Todo medo está implícito na segunda e todo amor na primeira. O conflito é, portanto, um conflito entre amor e medo.

Jorge: Controlamos o tempo para ter mais tempo, quando nós cometemos mais erros e menos tempo, quando nós desfazemos os erros, é assim que nós fazemos o tempo funcionar. Outro aspecto importante é assim: No nível da criação, Deus é ‘Causa’, o Filho é ‘Efeito’. No nível da criação equivocada o filho dá causa e o restante é efeito e o resultado é o defeito. Quando nós tentamos usurpar o poder de Deus para dar causa, nós deixamos de ser ‘Efeito’, para sermos a causa do defeito, porque criamos equivocadamente. Por isso, que em outro parágrafo diz, ‘Pergunta primeiro a Mim se a tua vontade está de acordo com a Minha, porque se não tu vais fazer coisa errada, se fez coisa errada, vais ter que desfazer’.

Participante: O ego sendo falso, o Amor sendo a ‘Causa’ verdadeira os dois não podem existir juntos, ou está um ou está o outro, por isso somos o maior obstáculo de nós mesmos. Quando compreendermos que diante de todo o universo, que somos um, dissolveremos o nosso ego e compreenderemos estas questões que são o obstáculo de nós mesmos que são o nosso reflexo. Quando compreendermos que o ego é meramente o reflexo e que o criamos, como se fosse uma couraça, para lidarmos com as questões do mundo, aí pulamos fora desta roda, desta questão do tempo, do ego. O amor tem que estar presente.

Jorge: Vimos que existem duas situações que temos que compreender, que Deus é “Causa” e o Filho é “Efeito”. Quando o filho usurpa, tenta usurpar do Pai a “Causa”, resulta em defeito. Colocado de outra maneira, o grande conflito que nós vivemos em nossa existência é Criação e criação equivocada. Criação é quando o Filho estende a Criação, tendo como “Causa” a orientação do Pai, ele dá causa ao Pai, ele vive por causa ou em causa da obra do Pai.

Então seria assim: Por causa de quê estás aqui? Só para ser verdadeiramente útil e representar Aquele que me enviou.

Quando o filho diz “eu estou aqui, porque eu vim resolver as minhas coisas”. Então ele não deu causa Aquele que lhe enviou.

Uma História
Uma vez mandei um funcionário para me representar numa reunião. Era um funcionário que conhecia os meus objetivos e sabia do que deveria tratar. Eu disse a ele: “Você vai lá para me representar e representar a empresa”. Ele chegou lá e esqueceu-se da empresa e da hierarquia e fez as coisas do jeito que ele queria fazer. Como conseqüência deu tudo errado, ele esqueceu por causa de quem ele tinha ido lá.

É o que nós fazemos. Quando recebemos um voto de confiança, a liberdade, o livre arbítrio, temos que escolher entre dar “Causa” a Deus ou dar causa a nós mesmos. Quando damos “Causa” a Deus, tudo o que nós fizermos vai dar certo e nós seremos o “Efeito” e a Sua extensão e tudo sairá perfeito. Quando nós tomamos, como causa o que eu quero fazer, vai dar defeito. Então o conflito se resume entre Criação e criação equivocada. Criação equivocada é quando eu quero fazer do meu jeito. Quando eu quero fazer do meu jeito é medo, quando eu faço da maneira de Deus é amor. O conflito é entre amor e medo, criação e criação equivocada. Para entendermos isto na base, temos que entender a lei de “Causa e Efeito”. Tudo que nós dermos causa, vai dar defeito e tudo o que nós somos “Efeito”, tendo como Deus a “Causa”, sairá perfeito.

No parágrafo diz, também, “tu tens medo de Deus, de mim e de ti mesmo”. Escolheste no teu pensamento o medo e agora projetas este medo em tudo. Qual é a sua relação com Deus? O que você pensa a respeito de Deus? Você vê Deus como amor ou você tem medo de Deus? Vê a outra pessoa com amor ou tem medo da outra pessoa? É porque o medo está na sua mente. Temos que rever a escolha e escolher o amor. É como a criança, enquanto faz tudo o que o pai diz, tudo dá certo. À medida que a criança vai crescendo, sempre sob os cuidados do pai, ela vai querer fazer as coisas por ela mesma. Aí começa a dar errado. Ela começa a ficar com medo, porque não seguiu a orientação do pai. Começa a dar causa a si mesmo, ao invés de representar o pai. Já contei uma historinha, que meu pai me mandou comprar arroz e cheguei lá eu disse “eu também quero este chocolate”, eu fiquei com muito medo. Era anotado na caderneta e meu pai ia lá no final do mês fazer o acerto de contas, passei o mês inteiro com medo do dia do acerto de contas.

Participante: Ouve-se falar muito em temor a Deus, eu acho que deveria ser só amor a Deus.

Jorge: Isso é um erro de sotaque, porque quem falou isto, eu acho, que quis dizer ‘ter amor a Deus!’, mas como ele falava muito emendado, entenderam ‘temor a Deus’, deve ter sido só um erro em função do sotaque, um mal entendido.

Temos que desfazer isto. Você está percebendo que isto não faz sentido, que nós temos que ter amor a Deus, deixemos isto como um erro de sotaque.

Participante: A Bíblia fala em ‘temor a Deus’.

Jorge: O próprio livro diz que, a Bíblia foi escrita pelos apóstolos numa época em que estavam sendo perseguidos pelos romanos e que eles ainda tinham medo, ainda não estavam plenamente no amor, eles ainda tinham medo e descreveram com medo. Nós colocamos isto até hoje. Começo a estudar a Bíblia, vem alguém e me ‘apronta uma’, então pego a Bíblia e digo ‘mas você vai ver só no final dos tempos!’ Usa a Bíblia para atacar a pessoa. Quando a gente tem medo a gente usa Deus como instrumento de ataque, uma arma para atacar, como arma de defesa. É possível que os apóstolos, quando estavam escrevendo, também passassem por situações de medo. Jesus dizia para não ter medo e sim amor, as pessoas não conseguiram compreender.

Estudamos no Princípio de hoje que o milagre é o instrumento de controlar o tempo e o aprendizado. Então, há 2004 anos, aproximadamente, Jesus falou isto e as pessoas ainda não aprenderam. Agora nós estamos começando a aprender. Vejam, levamos dois mil anos para começar a aprender isto, poderia ter aprendido naquela hora mesmo, se tivesse acontecido este milagre lá. Se lá as pessoas tivessem aprendido elas não teriam escrito de forma amedrontadora as escrituras e nós já teríamos aprendido a ter amor muito antes, no entanto até há pouco tempo nós aprendemos a ter medo. Agora nós estamos aprendendo, de fato, a ter amor ao invés de ter medo.

Hoje uma pessoa me mandou uma mensagem perguntando: “O que é esta tal de Nova Era? O que está por trás disto? Assinado como Guerreiros do ...” Respondi que “a Nova Era é uma era em que as pessoas vão começar a se amar. Ver uns aos outros como filhos de Deus, não vão ter preconceito, nem medo. Vai ser uma era de Paz, não haverá mais guerra e não mais serão necessários guerreiros. Por trás da Nova Era não tem nada, tem pela frente o Espírito Santo e a orientação de Jesus. Muitas Bemsãos!”.

Participante: Sobre esta história do chocolate e do arroz, você ficou com medo porque sabia que o chocolate era anotado na caderneta e o teu pai iria ficar sabendo. Mas se você soubesse que ele não saberia, você não ficaria com medo.

Jorge: Se você sabe que o teu pai não confere, por isso você vai aproveitar, então você registra como erro igual. Se você sabe que o seu pai permite, daí não registra como erro. Se você registra como erro, você sente imediatamente a culpa e o medo. Nesta ordem, o erro, o medo e a culpa.

Participante: Você poderia ter dito “olha pai, comprei um chocolate, mandei anotar na caderneta!”.

Jorge: Se fizer isto, não tem erro, não tem culpa e não tem medo. É quando não se faz isto é que gera o medo. O meu pai não permitia que se comprasse chocolate, ele dizia “chocolate não, meu filho, só o arroz, não temos dinheiro para gastar com chocolate!”.

Participante: Mas os filhos querem fazer diferente, são rebeldes.

Jorge: É a nossa tendência de nos deixar levar pelos desejos e pelas paixões, aí começamos a cometer erros. Fez um erro, vem o medo e depois o sentimento de culpa. Enquanto você não desfizer este sentimento, você está no medo. Se você está no medo fica com medo de Deus, fica com medo do que você fez, fica com medo que os outros descubram. Todo erro tem que ser desfeito. Se você registrou como erro, desfaça o erro. É os teus registros que você deve observar. O erro gera medo e o medo é o oposto do amor. O erro tem que ser desfeito, se você não sabe como, peça um milagre, depois aceite o milagre. Porque às vezes a pessoa pede um milagre e quando ele aparece a pessoa não aceita. Temos que aprender a aceitar o milagre. Quando você está com uma dor, você grita, geme, quando parou de gritar é porque você não está mais com aquela dor. No parágrafo diz, se você escolher o medo, você escolheu a dor, quando não tiver mais dor, não tem mais medo. São as nossas escolhas na mente, no nível do pensamento é que nós fazemos as nossas escolhas.

Participante: Como funciona isto?

Jorge: As coisas são bem simples. Praticamente já lemos todos os Princípios, hoje lemos o de numero 48 do total de 50. Em um dos Princípios diz “milagres são naturais”, em outro diz “o milagre é interpessoal, ele tem que ser oferecido por um irmão, que temporariamente tem mais, para um irmão que temporariamente tem menos”. A gente compreende que pedimos para o Espírito Santo, mas não é o Espírito Santo que se materializa para trazer o milagre. O Espírito Santo vai proporcionar que aquela pessoa vá até onde está a cura .

Uma História:

Uma vez aconteceu assim: Uma pessoa tinha um problema de saúde há anos e não resolvia, não resolvia... Eu disse “quem sabe você vai receber Reiki”. A pessoa veio e começou a receber Reiki, mas ainda continuou com aquela doença. Um dia ela falou “olha, eu não preciso mais de Reiki, porque por acaso eu conheci um médico e ele disse que para isso já tem um remédio, então o remédio dele me curou”.

O que acontece? Às vezes as pessoas não reconhecem o milagre na sua origem.

Outra historinha:

Uma pessoa estava com o pé preso no trilho do trem. O trem estava se aproximando, e a pessoa com o pé preso ali no trilho, aí começou a rezar, ‘Meu Deus, me ajuda! Meu Deus me Ajuda! Me conceda um milagre! Me conceda um milagre!’ Quando o trem estava a uns metros de distância dele, ela conseguiu tirar o pé. Olhou para cima e disse “Deus, não precisa ajudar mais que eu já dei um jeito”.

As pessoas esperam que um milagre venha de uma maneira fantástica, que seja um fenômeno, que desça um anjo do céu que faça acontecer, que ele tenha uma visão, etc. Nós já aprendemos que o milagre acontece de maneira natural, levado de um irmão para outro irmão. Nós pedimos e alguém traz. Às vezes a pessoa não aceita. Já aconteceu que pessoas doentes, em depressão, com dificuldades, não conseguem sair da situação, mesmo tomando remédios, de repente alguém diz “vamos lá no Grupo Luz”. Ela começa fazer as terapias. Percebe-se que o problema da pessoa é porque está cheia de culpas internas, por isso que ela está naquela depressão, ela está se corroendo nas culpas, está se consumindo na dor, no medo, tem muita coisa para resolver e está com medo, está fugindo de tudo, então, a pessoa entra em depressão. O que é depressão? Quem estudou geografia sabe que, depressão é um buraco no chão, a pessoa se enfia ali de medo. Quem não tem medo não tem depressão. Depressão é um sintoma de que a pessoa está com medo. Medo de quê? Porque eu fiz isso, fiz aquilo, cometi vários erros!. Convida-se a pessoa para fazer as terapias e ela não vem, daqui uns dias a pessoa aparece e diz “ah eu não estou bem, estou me sentindo mal, você não pode fazer uma coisa por mim?” Ela vem até onde está uma possibilidade da cura. Muitas vezes não aceitamos porque queremos o fenômeno.

Quantas pessoas foram até Jesus e não veio um anjo do céu para curar a pessoa, Jesus disse como é que a cura acontece, Ele explicou isto. Ele dizia “Você quer a tua cura? Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão!” Por quê alguns recebiam a cura e outros não? Porque a cura é resultante da expiação, é como o livro explica: expiação – milagre - cura.

Quando a pessoa se propõe a fazer expiação ela quer resolver o problema. Todos os nossos problemas são defeito, ou conseqüência de nós termos dado causa a nós mesmos, a termos criado equivocadamente ou sem amor. Então, temos que nos propor a fazer esta correção, que o livro chama de expiação, o milagre é o meio que me é apresentado e as condições para que isto aconteça. Se tiver pessoas envolvidas com quem você tem que trabalhar para fazer a correção, de repente todas as pessoas estão aí e você vai estar ali junto, de forma muito natural. Quando você sair dali, você vai ver que foi desfeito todo este problema e como resultado acontece a cura. Mas se chegar na hora e você se negar a fazer a expiação, você vai ter que fazer tudo de novo. O Espírito Santo não se nega, toda vez que você pedir Ele vai providenciar as condições. Se você não fizer, você fica rodando, rodando, como eu expliquei no início, vai bater com a cabeça sempre nas mesmas coisas, é a tal da roda presa, não sai dali. Em outras palavras, mais popularmente “rabo preso”. A pessoa está presa a uma situação, não consegue se soltar daquilo, aí não sai do lugar.

Participante: Eu estou com um assunto ‘engasgado’ com uma pessoa da minha família. Outro dia ela me disse ‘me liga, vai me visitar!’. Depois pensei, eu não vou ligar, como pode ela não saber que ela me magoou? Agora estou me dando conta que tenho que desfazer isto.

Jorge: Você tem que ver cada encontro como uma oportunidade para fazer a correção. Se é só você que se sente assim, é você que registrou isto como problema, então você tem que ir lá para desfazer, pra resolver. Assim a gente vai ficando preso a uma coisinha, a outra, a outra.

Participante: Então o que aconteceu com o bom ladrão, foi isto?.

Jorge: Exatamente. Aquele ladrão poderia levar milhares de anos para sair daquela roda, no entanto no momento em que ele escolheu o amor, porque ele olhou para Jesus e percebeu o amor . No momento que a pessoa faz a escolha ela já está lá. Por isto que Jesus disse para ele “Você já está no Reino do Céu”.

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Capítulo 2 - SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO

VII – Causa e efeito

4. Já foi dito que acreditas que não podes controlar o medo porque tu mesmo o fizeste e a tua crença nele parece deixá-lo fora do teu controle. No entanto, qualquer tentativa de resolver o erro tentando dominar o medo através da maestria é inútil. De fato, ela afirma o poder de medo pela própria suposição de que o medo tem que ser domado. A verdadeira solução baseia-se inteiramente na maestria através do amor. Nesse ínterim, contudo, o sendo de conflito é inevitável, já que te colocaste em uma posição na qual acreditas no poder do que não existe.

Jorge: Se estamos com medo, dificilmente conseguimos sair dele e não adianta buscar sair dele através da maestria, porque a única maestria que pode nos livrar do medo é a maestria através do amor, encontrar o seu mestre interior e sair através do amor . Então se eu tenho medo de sair na rua não adianta eu ser mestre em lutas marciais ou mestre em qualquer tipo de armas de ataque e defesa. Não adianta eu ser, por exemplo, um mestre em pilotar aviões de guerra, isso não serve para nada, isso apenas reforça que estou com medo. Porque quem não está com medo não tem nenhuma necessidade de atacar. Não sai na rua, por exemplo, com um crachá escrito “mestre de tiro ao alvo”, “cuidado comigo”, “sai de perto de mim”, esta pessoa está com medo. Quem não está com medo, está com amor.

Quem tem mais possibilidades de ser agredido na rua, um mestre de qualquer espécie de luta ou alguém que alcançou a maestria através do amor? Uma pessoa que sai na rua com o nariz lá para cima, mostrando uma arma, algo assim, esta pessoa está correndo perigo. Outro dia eu ouvi uma reportagem sobre a violência no trânsito. Se uma pessoa está passando armada na rua não é provável que o motorista pare para esta pessoa atravessar a rua, entretanto uma pessoa idosa numa cadeira de rodas, as pessoas param e esperam, esta é a lógica. Porque o amor faz com que a violência acabe. Já a violência faz o contrário, se a pessoa está com violência, ela vai estimular a violência. Não adianta você querer sair do medo, mostrando qualquer espécie de maestria, que não seja do amor, é assim que a gente sai do medo.

Participante: Se eu enfrentar o medo, eu não saio dele?

Jorge: Não, vai reforçar!.

Participante: Se tenho medo de algo e por mais que eu tente, eu não consigo sair deste medo. Como é que eu faço para sair pelo amor?

Jorge: Compreendendo uma lei da física que diz: Para cada ação há uma reação correspondente em grau e intensidade. Se você reage ao medo, você terá uma reação contrária em grau e intensidade. Como é que a gente faz quando a gente tem medo dum cachorro? Nós nos aproximamos dizendo: “sou amiguinho...”. Às vezes vemos isto nos desenhos animados, “Amigo! Amigo! Amigo!”, as pessoas tentam sair através do amor e não através da reação. Porque a reação reforça o medo. Você não tem que reagir, não tem que vencer. Vencer o medo, você chega num estado que o medo fica tão forte e ele troca de nome, ele assume o nome de coragem. Coragem é aquele medo que cresceu tanto e que você não consegue mais dominar e aí você vai com tudo para cima daquela coisa. As pessoas dizem “perdeu o medo, ficou corajoso!” Coragem não é ausência de medo. Vimos nas histórias que o herói é aquele que entrou em desespero e saiu correndo em direção ao inimigo e ninguém entende como ele sobreviveu. Coragem e medo são a mesma coisa.

Participante: Não seria o caso de procurarmos saber a causa do medo.

Jorge: A causa do medo é algum erro. Todo o medo acontece porque você deu causa. Esta regra não tem exceção. O medo é ausência de amor. Nós nos ausentamos do amor quando nós damos causa ao medo, cometendo um erro, pecado, karma, equivoco. Se você não consegue associar o medo ao que lhe deu causa, isto pode acontecer, você pede ajuda ao Espírito Santo, pede um milagre. Às vezes o medo se manifesta de uma maneira tão irreconhecível que nós não conseguimos associá-lo com a causa, porque nós não queremos nos lembrar o que gerou o medo, é muito amedrontador, tentamos, então, esquecer. Podemos esquecer a causa, mas não o medo. Depois você fica com medo, mas não sabe mais a causa, não sabe mais porque você tem medo, então, você tem que trabalhar para dissolver isto. Quando você não sabe como, é que você precisa de ajuda. Se você começar a fazer terapias, você vai se harmonizar de uma maneira que um dia você pode entrar em contato com o medo com a intenção de dissolver, então, você dissolve o sentimento de medo. Se quiser fazer a correção, você faz. Este é o trabalho que nós fazemos. Se você sente medo hoje e não lembra o que deu causa, o Princípio 13 diz “Milagres são expressões de renascimento, eles trazem o passado para o presente, dissolvem, e liberam o futuro”. É isto que temos que fazer. Existem métodos, terapias que trabalham isto na prática. É tudo o que fazemos aqui com as terapias integradas.

Participante: Uma pessoa tem medo de alguém que a está ameaçando, então me proponho a acompanhá-la, “venha eu vou contigo..., vamos ver se ele está lá!” Neste caso a pessoa não perde o medo em função de uma atitude amorosa minha?

Jorge: Enquanto você quer ir lá para ajudá-la a se defender, você está agindo sem amor. Mas se você for lá com a intenção de ajudar a pessoa a dissolver isto “vamos lá que eu te ajudo, vamos tentar dissolver isto, pára com isto, vocês são amigos”, então você está agindo com amor. O amor sempre orienta na correção do erro e nunca no fortalecer a defesa. Quando você tenta fortalecer a defesa você está fortalecendo o medo da outra pessoa “é mesmo, você tem razão, eu vou contigo que a coisa lá deve estar pesada”, aí a pessoa fica com mais medo ainda e você fica com medo também. Daqui a uma pouco passa outra pessoa na rua e pergunta “onde é que vocês estão indo?”, daí você diz “eu estou indo com a Joana porque teu um cara aí querendo atacá-la, ela está com medo, vem com a gente!”. Então já serão três com medo. Foi fortalecido o medo. Se está com medo, o amor está ausente . De repente, alguém chega e diz “que é isso gente!...é o amigo de vocês, venha cá vamos nos dar as mãos, que bobagem é essa!” Esta pessoa está com amor, ela está trabalhando na direção da correção do erro para desfazer o medo. Esta é a diferença entre o medo, que é em si, a ausência de amor e o estado amoroso que busca a correção e desfaz o medo.

Exercício da Semana: Fazer uma auto-análise para perceber se tem situações que estão se repetindo e às quais você não consegue dar solução.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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