UM CURSO EM MILAGRES
02 DE MAIO DE 2005
2ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 27
Um milagre é uma benção universal de Deus através de mim para todos os meus irmãos. O privilégio dos perdoados é perdoar.

Participante: A pessoa fez a Expiação,  já alcançou o perdão para si, já compreendeu que está perdoada, então, o que ela passa a fazer nesse mundo é estender essa compreensão do perdão aos outros. Passa a trabalhar para ensinar o perdão aos outros também.

Livro texto
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Capítulo 3 – A Percepção Inocente
V. Além da percepção

1. Eu tenho dito que as capacidades que possuis são apenas as sombras da tua força real e que a percepção que é inerentemente julgadora, só foi introduzida após a separação. Ninguém tem estado seguro de coisa alguma desde então. Eu também fiz com que ficasse claro que a ressurreição foi o meio para o retorno ao conhecimento, realizado pela união da minha vontade com a do Pai. Podemos agora estabelecer uma distinção que esclarecerá algumas das nossas declarações subseqüentes.

 2. Desde a separação, as palavras “criar” e “fazer” passaram a ser confusas. Quando fazes alguma coisa, fazes a partir de um senso específico de falta ou necessidade. Qualquer coisa feita para um propósito específico não tem nenhuma generalizabilidade* verdadeira. Quando fazes alguma coisa para preencher uma falta percebida, estás implicando tacitamente que acreditas na separação. O ego inventou muitos sistemas de pensamento engenhosos com esse propósito. Nenhum deles é criativo. A inventividade é um esforço desperdiçado mesmo na sua forma mais engenhosa. A natureza altamente específica da invenção não é digna da criatividade abstrata das criações de Deus.  

* “Generalizability” é uma palavra inexistente em inglês assim como “generalizabilidade” em português.

 Participante: Eu não compreendi bem  onde fala em ressurreição.

 Jorge: Se falarmos de ressurgir da morte, a pessoa ressurge para o conhecimento, mas esse ressurgimento se dá quando a pessoa ressurge outra vez para a compreensão, para o conhecimento.

Ficou muito confuso, desde a separação, o que é fazer e o que é criar. O ato de fazer envolve muitas questões, o ego é que faz, nós começamos a habitar no ego, até o momento que ressurgirmos, saindo do ego, ressurgiremos para o conhecimento, pode ser assim. 

Para trabalhar um pouco mais estes aspectos: Enquanto estamos dentro do ego nós vemos a separação e começamos a ver faltas. Para suprir faltas o ego inventou muitos sistemas de pensamentos engenhosos, mas eles só servem para suprir faltas. É claro, quando você tem uma falta, uma dificuldade e percebe essa dificuldade, você vai fazer alguma coisa para suprir aquela falta. No nível das percepções, onde percebemos a falta, isso parece ser uma coisa glorificante. Alguém inventou uma coisa para ajudar o surdo, alguém inventou uma coisa para ajudar o cego, mas o que diz no parágrafo, é que nós estamos apenas fazendo, utilizando a engenhosidade do ego.

 Por isto se formos trabalhar isto nesta compreensão, vamos perceber assim, eu pensaria assim: O que um surdo ou um cego faria na presença de Jesus? O que Jesus faria na presença de um surdo ou de um cego? Inventaria um aparelho para ele continuar surdo? Ou alguma coisa para a pessoa continuar cega? Então, isso que ele disse se coloca assim: Quando você inventa, mesmo usando a engenhosidade, alguma coisa para suprir uma deficiência, você esta implicitamente acreditando na separação, você acredita que aquela pessoa vai ficar separada de você e você inventa uma coisa e diz para ele ‘pode continuar cego, pode continuar surdo, porque agora inventei uma coisa para você andar e se movimentar sem medo’.

Criar está num outro nível, é para este nível que temos que ressurgir, para o nível do conhecimento. No nível do conhecimento nós conseguimos criar e é aí que nós conseguimos criar a energia da cura. Quando fazemos alguma coisa, nós fazemos a partir de quê? Inicialmente a partir de um senso de necessidade, carência, falta ou dificuldade. Mas com o quê nós fazemos? A única coisa que fazemos aqui é moldar a energia, porque a energia está em tudo, tudo é energia.  A matéria é energia condensada em diferentes graus, aspectos e intervalos. O que nós fazemos é moldar essa energia da maneira que nós vamos criar com essa matéria que está mais densa, mais condensada, vamos usar uma matéria de aspecto de grau ou de diferentes intervalos, de acordo com aquilo que estamos necessitando, com a dureza, com a maleabilidade, com a flexibilidade com o tempo de duração para fazer alguma coisa que nós engenhocamos ou engenhamos, engenhosamente, para suprir uma falta.

Muito bem! Então o que é criar? Criar é criar energia! Enquanto você está moldando energia, você não está criando nada, você esta fazendo. Criação é quando você consegue criar energia, aí você está criando alguma coisa. Por exemplo, a energia elétrica, quem criou a energia elétrica? Ninguém, a energia elétrica não é criada! As turbinas de uma hidrelétrica apenas separam os elétrons e íons que já estão lá, conduz isso através dos fios para chegar até sua casa. Então nós não criamos a energia elétrica, nós apenas inventamos métodos para conduzí-la e dar a forma para que ela consiga produzir luz, força.

Participante: Então é por isso que Deus é o Criador.

 Jorge: Isso! Ele cria e nós inventamos! A partir daí nós temos que aprender como se faz para criar. Como é que se cria energia? A energia se cria a partir de seus pensamentos. Quando você conseguir emergir do pensamento engenhoso, ou inventivo. A partir do momento em que, diante de uma percepção de necessidade, de falta, de carência ou deficiência, você emerge ou abdica de engenhosamente  tentar fazer alguma coisa para suprir aquela necessidade, então você sai para o nível do conhecimento. No nível do conhecimento você consegue criar. Para isso, é claro, temos que ter, na minha opinião, antes trabalhado com o perdão, feito as nossas Expiações, para poder purificar a mente. A mente que não está purificada não consegue ressurgir no nível do conhecimento, não ressuscita, porque ressuscitar é a mesma coisa que ressurgir, você ressurge como a fênix que ressurge das cinzas para voar novamente.

Qual é a simbologia da fênix? É aquele ser que ressurge das cinzas, nós temos que fazer isto, ressurgir das cinzas! Fazer o ego voltar às cinzas, ou ao pó para que nós possamos ressurgir ou ressuscitar no nível do conhecimento. Aí nós vamos conseguir criar, criar energia e transformar esta energia em cura, em luz, em força, assim como fazemos com a energia elétrica. Este é o nível da criação. Assim estaremos criando.

Toda vez que você faz alguma coisa, engenhosamente, para ajudar alguém que está com alguma necessidade, você não está criando nada, você esta fazendo. Começamos a vislumbrar como se pode trabalhar com milagres, acreditar que os milagres são possíveis ao nível do nosso pensamento, aprender a reeducar os pensamentos e acreditar que o pensamento pode criar energia e utilizá-lo para isto, para criar a energia que a pessoa precisa e não para engenhocar alguma coisa.     

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Capítulo 3 – A Percepção Inocente
V. Além da percepção

3. Conhecer, como já observamos, não conduz ao fazer. A confusão entre a tua criação real e o que tens feito de ti mesmo é tão profunda que passou a ser literalmente impossível para ti conhecer qualquer coisa. O conhecimento é sempre estável e é bastante evidente que tu não és. No entanto, és perfeitamente estável tal como Deus te criou. Nesse sentido, quando o teu comportamento é instável, estás descordando da Idéia de Deus com respeito à tua criação. Tu podes fazer isso, se assim escolheres, mas dificilmente quererias fazê-lo se estivesses em tua mente certa.

Participante: Eu acho que normalmente escolhemos ser instável!

Jorge: Você pode ser instável se você escolher ser.  No primeiro parágrafo ele diz: ‘depois que houve a separação, ninguém tem segurança ou estabilidade nenhuma, em nada’. Por quê? Porque nós entramos num senso de carência e instabilidade completa. Como que se traduz essa instabilidade? Porque agora, tudo que nós estamos condescendo, não tem nada haver com a criação. A criação é estável, porque é eterna e é para sempre, no nível do conhecimento. No nível do ego, onde nós fazemos, tudo é instável, não temos segurança para nada.

Veja: Você faz uma casa, mal terminou de fazer a casa, de moldá-la, de dar forma aquela casa, você já tem que começar a pensar na reforma. Se você não reformá-la, e não estiver constantemente dando manutenção para manter aquela forma, a casa cai, não tem estabilidade. Por quê? Porque toda a matéria volta ao seu padrão original. Lembra que ‘tudo é pó e tudo em pó se há de tornar’. Um dia tudo vai vir abaixo. Tudo que nos fazemos aqui é dar forma e desesperadamente, tentamos manter as formas da energia, da matéria da maneira que nós já fazemos.

A instabilidade é tanta, que nós criamos mecanismos indenizatórios, você vai lá e faz um seguro para a casa, porque se caso a casa cair, você recebe uma grana para fazer outra. Isso é uma engenhosidade fantástica do ego. Você sabe que a casa vai cair, então você paga um seguro para a casa não cair, mas você está totalmente seguro de que quando a casa cair o seguro vai pagar? Já vi casos em que procuraram a seguradora e ela não existia mais. Isso tudo é engenhosidade do ego. Isso só é possível de inventar porque explora a instabilidade de tudo que existe, na crença na falta, da escassez, na morte e na doença.

Uma pessoa me ligou para oferecer um seguro saúde para minha mãe e eu disse:

- Pois é, vou ver, vou pensar nisso;    

- Olha, você pensa bem, pois você está pondo em risco e vai ser responsável pela saúde da sua mãe se você não fizer o seguro!

- E por acaso, se eu pagar, vocês se responsabilizam pela saúde dela? E se ela ficar doente, a responsabilidade é de vocês, não é minha? Não existe responsabilidade, a única coisa que vão poder fazer é vir aqui e dizer: É, ela está doente!  

Esta instabilidade que nós vivemos com tudo que é material, surgiu a partir do momento em que nós  nos perdemos no fazer. O que acontece na primeira dificuldade? Faça alguma coisa! A casa está caindo! Logo alguém inventa uma escora para a casa não cair. Todos se admiram: O cara salvou a casa! Daí a um pouco a escora começa a cair, alguém tem que inventar alguma coisa. Vejam, tudo é fazer, fazer. Em última instância, faça um seguro.

Tudo no nível da matéria é instável, não tem nada estável aqui. O único lugar onde você consegue estar em estabilidade é no nível do conhecimento, que é o nível do espírito. Porque você compreende que um dia a casa cai! Você não fica investindo toda a sua existência, na manutenção da casa, vai morar num hotel, se cair o hotel, se mude, procure outro, aprende que as coisas são assim.

Não é que nós não tenhamos que viver aqui, temos que nos dar conta que essas coisas são completamente instáveis, para nós não apostarmos e não gastarmos toda a nossa energia na instabilidade.

Conhecemos, no mundo, o que é de mais antigo, as construções mais antigas como a Muralha da China e mais antigas ainda, as pirâmides no Egito, construídas com enormes blocos de pedra, dizem que estão em permanente manutenção, e dizem que não vai durar muito tempo, porque a corrosão está sendo muito rápida e intensa. Tem poluição lá, fizeram uma estrada que passa  perto, os ambientalistas não queriam, mas fizeram mesmo assim.   

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Capítulo 3 – A Percepção Inocente
V. Além da percepção

4. A questão fundamental que te perguntas continuamente não pode de jeito nenhum, ser dirigida a ti mesmo de forma adequada. Continuas perguntando o que és. Isso implica que a resposta não só é uma resposta que conheces, mas também que depende de ti supri-la. Entretanto não podes perceber a ti mesmo corretamente. Não tens nenhuma imagem para ser percebida. A palavra “imagem” está sempre relacionada com a percepção e não é uma parte do conhecimento. Imagens são simbólicas e representam alguma outra coisa. A idéia de “mudar a tua imagem” reconhece o poder da percepção, mas implica também que não há nada estável para conhecer.

Jorge: Não adianta mudar a tua imagem, não adianta mudar a imagem das coisas, isso não implica em conhecer. É instável também. E tudo que é instável, não tem ver com conhecimento, tem a ver com percepção e a percepção está ligada a imagem. Porque tudo que nós conhecemos,  sempre que usamos a palavra ‘conhece’, está associado a uma imagem. Por exemplo: Alguém conhece o novo Papa? A gente não conhece, só percebemos a imagem! Então, se o Papa mudar a imagem, isso não implica que nós conhecemos o Papa! Não adianta ele mudar a imagem dele, isso não vai alterar e dizer quem é. Quando a gente pergunta a si mesmo ‘Quem sou?’, isso implica que sabe quem é? Implica que conheces a resposta....é isso que diz aí?

Participante: Acho que ele quer dizer que só posso conhecer a mim mesmo, não posso  perceber a minha imagem, porque são instáveis, uma hora me percebo deste jeito em outra hora de outro jeito.

Jorge: Em todos os níveis, desde que eu me fixe com a imagem física, ou com a imagem mental que a pessoa  me passa. Então, quem é o Jorge? O Jorge é um cara muito bonito, inteligente, quase sem ego! É a minha imagem atual. Mas isso não implica que ela é estável, ela é instável, porque eu posso ficar mais bonito, mais inteligente e ainda com menos ego! (risos).

Perceber a inteligência numa outra pessoa, também é uma imagem, não é uma imagem que nós possamos desenhar, mas podemos perceber. Tudo que nós percebemos, são imagens. Quando eu digo que me conheço, através daquilo que eu sei quem eu sou, um engenheiro, advogado, inteligente, calmo, simpático, são os atributos referentes às imagens que colocamos, são totalmente instáveis, porque eu posso ser muito simpático uma hora e outra hora, ser antipático! Não tem estabilidade nisso.

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V. Além da percepção

5. Conhecer não está aberto à interpretação. Podes tentar “interpretar” o significado, mas isso é sempre passível de erro, porque refere-se à percepção do significado.  Tais incongruências são o resultado de tentativas de considerares a ti mesmo como separado e não separado ao mesmo tempo. É impossível fazer uma confusão tão fundamental sem aumentar ainda mais a tua confusão geral. Tua mente pode ter passado a ser muito engenhosa, mas como sempre acontece quando método e conteúdo estão separados, ela é usada em uma tentativa fútil de escapar de um impasse inescapável. A engenhosidade é totalmente divorciada do conhecimento, porque conhecimento não requer engenhosidade. O pensamento engenhoso não é a verdade que te libertará, mas tu estás livre da necessidade de te engajares nele quando estás disposto a abandoná-lo. 

Participante: Eu estava acreditando que a engenhosidade das invenções, são necessárias nesse mundo. Mas são coisas conflitantes.

 Jorge: Tinha um mestre chinês que dizia: “que têm pessoas que precisam viajar para conhecer o mundo, outras podem conhecer o mundo mesmo dentro da sua casa”.

Isso mostra que ele realmente já compreendeu. Se você está no nível do espírito, você não precisa viajar. Por quê? Porque você conhece tudo, não tem mais a necessidade de viajar, você pode aprender tudo onde você está. Para isto nós devemos sair do nosso ego, mas nós  não acreditamos nisso. Como é que você vai conhecer o Egito se você não vai lá, tudo isto  são as nossas crenças, eu poderia conhecer daqui mesmo.

Veja como isto pode estar mudando: Havia um tempo em que, se eu quisesse falar com uma pessoa que estava em Roma, o que eu tinha que fazer? Numa época anterior às invenções dos meios de comunicação, via rádio mesmo, se eu quisesse  falar com uma pessoa, eu tinha que ir até lá. Hoje, se eu quiser falar com uma pessoa, não importa onde ela esteja, não preciso ir até lá, posso falar daqui mesmo. Isto já é assim, se nós já acreditamos nisto, daqui um pouco não vamos precisar mais do aparelho. Já tiramos os fios, primeiro ainda precisávamos os fios, agora não precisa mais nem fios para estar ligado à pessoa que está em Roma, por exemplo.  E isto vai acontecer, talvez com a viagem, por enquanto a gente precisa viajar, provavelmente vai chegar num ponto em que você não vai mais precisar de avião.  

Até agora ninguém descobriu como é que os egípcios montaram as pirâmides, como é que cortaram e colocaram aquelas pedras. Na Ilha de Páscoa temos os Moais, que são aquelas estátuas gigantes de pedra que para levantá-las precisa de um super guindaste, construíram num lugar distante e levaram até a praia.

Participante: Dizem que levaram as estátuas com troncos de árvores...

Jorge: Alegam que, tudo bem, podiam levar as estátuas através de troncos, mas para levantar as estátuas? Lá o que se fala é assim: As pessoas mais antigas para quem eles perguntam “como  eles levaram isso?” as pessoas dizem que  ‘as estátuas caminham!’   Como é que é isso? A força do pensamento! Provavelmente era o pensamento.

Por isso que ele está dizendo aqui, no primeiro parágrafo que ‘tu não és nem sombra da tua capacidade original’. Você perde contato com a tua capacidade original, quando você começa a inventar coisas para manter a dificuldade.

No nível do conhecimento, quando você começa a conhecer o poder que você tem, a capacidade que você tem, você não precisa mais se desgastar inventando coisas. Você não consegue atingir este nível porque você fica tentando inventar as coisas. Invés de inventar uma coisa para levantar a pedra, que você vai levar anos para construir o aparelho perfeito para levantar aquela pedra, você poderia encostar o dedinho...

Participante: O inventor, o engenheiro, tem o poder do pensamento. Imagine inventar um guindaste, todos os detalhes técnicos que façam o aparelho funcionar. De onde veio isto? Do pensamento dele!

Jorge: Ele canaliza o pensamento para a inventividade. Ele poderia canalizar o pensamento para a criatividade.

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V. Além da percepção

6. A oração é um modo de pedir alguma coisa. É o veículo dos milagres. Mas a única oração significativa é a que pede o perdão, porque aqueles que foram perdoados têm tudo.   Uma vez que o perdão tenha sido aceito, a oração no sentido usual vem a ser completamente sem significado. A oração pelo perdão não é nada mais do que um pedido para que possas ser capaz de reconhecer o que já possuis. Ao elegeres a percepção no lugar do conhecimento, tu te colocaste em uma posição na qual  só poderias parecer-te com o teu Pai percebendo milagrosamente. Tu perdeste o conhecimento de que tu, em ti mesmo, és um milagre de Deus. A criação é a tua Fonte e a tua função real. 

 Participante: Ele dá caminhos, através do perdão, para a gente voltar ao nível do conhecimento.

Jorge: Olha, isso é fácil de entender, veja como nós nos perdemos, nós começamos a acreditar que somos uma coisa externa, que somos corpos, matéria e nossa essência é espírito,  não é matéria. Isto é perceptível. Por exemplo:  Tem um piloto passando aí com um avião, e a torre de controle diz: Atenção Avião PTX4! E o piloto diz: Avião PTX4 respondendo!     Mas é o avião que está respondendo ou é o piloto? O correto seria dizer ‘o piloto do avião’! Assim como o piloto de tanto pilotar se confunde com o próprio avião, nós nos confundimos com o corpo , com a nossa aparência física  e com todas as coisas materiais. Achamos que somos ‘isto’ em função ‘disto’. 

Lembrando: Não é para negar a matéria, em nenhum momento temos que entender que temos que abdicar do conforto da matéria. O que nós temos que entender é assim: Compreender que a matéria é totalmente instável, que não é duradoura , para não ficarmos presos e colocarmos todo o nosso investimento na matéria.

Se eu gosto de ter uma vida com conforto, eu posso ter e todos podem ter! Não é melhor sentar sobre uma almofada do que sobre o piso frio? Claro que a almofada tem uma utilidade, não vamos negar a utilidade de estarmos sentados confortáveis. Termos uma casa confortável, um carro confortável. O que temos que entender que isto não é o fim, isto são instrumentos que utilizamos para estarmos aqui. Se esses instrumentos podem ser úteis, tudo bem!

O Espírito Santo pode interpretar tudo que está aqui a meu favor e quando eu saio da essência, começo a interpretar tudo contra mim, esse que é o problema! Por exemplo, o papa, tem uma vila nos Alpes para passar as férias de setembro, tem uma vila não sei onde para passar as férias de outubro, tem um carro especial, tem avião, todos os meios de comunicação a sua disposição. Provavelmente o quarto onde vai habitar não é desconfortável, provavelmente a comida não é ruim. O que nós entendemos? Não é o conforto, a utilização das coisas materiais que vai nos tirar da essência. Temos que entender que podemos ter tudo, como diz na parábola do Sermão da Montanha e como dizia no velho testamento  ‘...Jó foi muito rico porque serviu a Deus ..’.

Hoje a gente compreendeu equivocadamente que isso não é legal ter, quem vai servir a Deus não pode ter. Não, não é assim! Quem servir a Deus, ou  estar no espírito, vai ter tudo que precisar e mais do que precisa. Por quê? Porque à medida que a pessoa vai chegando ao nível do conhecimento ele vai conseguindo criar energia para tudo aquilo que ele precisa acontecer.   Se precisar ir para São Paulo, vai acontecer, se ele ainda precisa ir de avião, vai acontecer de ele ter a passagem de avião. Enquanto precisa vai ter proporcionado.

O que temos que entender é que eu não posso colocar todo o meu investimento de toda a minha existência, numa coisa que é instável, eu posso ter tudo, mas não posso ficar preso a isso. É o mesmo que se eu trabalhar por toda a minha existência, e depositar todas as minhas economias num banco que está quebrando!

Como se trabalha isso? Você tem todas as coisas, utiliza-se de todas as coisas, pode  ter o que tem de melhor, mas não se prenda a elas! É a idéia do turista! Como vive o turista? O turista vem para a nossa cidade, fica no melhor hotel, vai ao melhor restaurante, fica na melhor praia, tudo que tem de melhor nós oferecemos a ele, enquanto ele é turista. O dia que ele se mudar pra cá, acaba a festa! Por quê? Porque aí ele vai começar a se envolver com os problemas locais.

Ele compra uma casa, vai se envolver com os problemas da casa, enquanto ele está no hotel ele não estava preocupado. De repente onde ele comprou a casa, faltou água, daí vai se envolver com a companhia de água  de energia elétrica, dali um pouco ele quer saber quem é o prefeito desta cidade que não asfalta a sua  rua. Assim ele se envolve com as dificuldades locais. Enquanto ele é turista... importa quem é o prefeito?   Não se importa se teve um apagão, por exemplo, transforma isto em mais uma experiência, se diverte com isto. O turista se diverte e nós enlouquecemos. Isto é o que deveríamos aprender. O que pode impedir a tua evolução é que,  se você ficar preso à matéria, se você não aplicar um pouco da tua energia no desenvolvimento espiritual.   

 Uma História

Conta-se a respeito de um Mestre que vivia no Tibete, era uma pessoa de uma sabedoria imensa. Uma pessoa que morava lá do outro lado do mundo, ouviu dizer desse mestre e foi lá! E quando chegou lá, entrou numa sala que não tinha nenhum móvel.  Sentou-se no chão e perguntou:

- O senhor não tem móveis? Onde estão seus móveis?

E o Mestre olhou para o viajante e disse:

- E os seus, onde estão?

- Ah! É que eu sou turista aqui, eu não vim pra ficar!

E o Mestre disse:

- Eu também!

Ele poderia ter um sofá confortável, mas era a maneira que ele compreendia para poder transmitir isto para as outras pessoas para poderem entender. Por isso algumas pessoas que se tornam mestres, usam alguns artifícios como ‘amarrar um tijolo no braço da pessoa’, porque é através das coisas materiais que a gente aprende.

Uma História:

A mãe levou o filho até Gandhi e disse:

- Gandhi, eu queria que o Senhor dissesse para o meu filho para ele não comer mais açúcar! 

- Está bem, mas volte daqui a quinze dias!

A mãe, com toda a paciência, voltou. E Gandhi disse ao menino:

- Não coma mais açúcar!

E a mãe perguntou:

- Por que você disse para eu voltar depois de quinze dias para dizer ‘não coma mais açúcar!’ Não poderia ter dito antes?

E Gandhi respondeu:

 - É  porque antes, eu também comia! (risos)

Eu vou ter que parar primeiro para poder ter a convicção para dizer para o outro. Isso é o mesmo aprendizado do cara que não tinha móveis na sala. Não significa que você não possa ter, é só uma maneira simbólica que algumas pessoas têm para dizer para os outros que isso não precisa.

Outro dia eu estava conversando com uma pessoa e ela me contava que algumas coisas  ela não conseguia. Disse a ela que:

-Isso que você está querendo, será que você precisa? 

Ela respondeu:

-Claro que preciso.

-Mas você não precisa tanta coisa assim. Comecei a trabalhar com  a idéia de que têm coisa que a gente pensa que são necessárias, mas não são. 

Ela disse: - me diga o que não é necessário?

Disse para ela: - Me diga o que é extremamente necessário para você?

-Sem carro eu não posso viver!

-Onde você mora não passa aquele ônibus que tem mais conforto..?

-Passa!

-Então você não precisa! Você pode ter, mas não precisa!

-Concordo! Mas sem geladeira eu não posso ficar!

-Consegue sim, quando nós éramos crianças não tínhamos geladeira!  O que você guarda na geladeira?

-A comida que sobra, legumes, frutas, a carne que vou fritar amanhã...

-É só você ir no mercado e na feira e comprar só o que você vai consumir no dia, daí não precisa guardar nada. 

-Mas o fogão, sem ele como vou cozinhar?

-Coma frutas, coisas que não precisa cozinhar. Você vai viver igual.

Criamos necessidades à medida que aumentamos os nossos bens, vamos precisando trabalhar mais para manter tudo aquilo. Quando você tiver uma casa bem bonita, você vai precisar ter um carro blindado, um guarda para cuidar da casa, um segurança, um motorista, vai ter que trabalhar mais para manter. E tudo o que você queria ter era  um feijãozinho com arroz.  

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.


 

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