UM CURSO EM MILAGRES
02 de janeiro de 2008
4ª feira

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Página 135
Capítulo 7 - As Dádivas do Reino
VI. Da vigilância à Paz
13.
Nesse estado deprimente, o Espírito Santo te lembra com gentileza que estás triste porque não estás realizando a tua função enquanto co-criador com Deus e estás, por conseguinte, privando a ti mesmo da alegria. Essa não é uma escolha de Deus, mas tua. Se a tua mente pudesse estar em desacordo com a de Deus, estarias tendo uma vontade sem significado. Entretanto, porque a Vontade de Deus é imutável, nenhum conflito de vontade é possível. Esse é o ensinamento perfeitamente consistente do Espírito Santo. A criação, e não a separação, é a tua vontade porque é a de Deus e nada que se oponha a isso significa coisa alguma. Sendo essa uma realização perfeita, a Filiação só pode realizar com perfeição estendendo a alegria na qual foi criada e identificando-se tanto com seu Criador como com suas criações, com o conhecimento de que são um só.

Participante: Nós nos deixamos levar ao estado deprimente quando escolhemos alguma outra coisa que não nos conduz à sanidade da nossa mente, que são as escolhas equivocadas. O Espírito Santo, a nossa Voz Interior, nos lembra, mas podemos escolher não escutá-lo.

Como eu entendi, em poucas palavras resumiria este parágrafo assim: Sempre que estivermos nos dedicando às escolhas que não levam à sanidade da mente, estaremos nos dedicando a coisas que não significam coisa alguma.

Jorge: Está perfeito!

Participante: Quando a gente sai fora é o estado deprimente, no final de ano tudo puxa para fora e não para dentro.

Participante: Meu filho me telefonou dizendo que iria passar o Natal comigo. Eu comecei as viver um conflito se eu iria comprar presente ou não. Aí eu pensei, o presente não é o mais importante, o mais importante é a presença, é isto que eu tenho que passar para ele. Eu lutava para aceitar isso. Foi um exercício bem importante para mim, eu deveria fazer valer aquilo que eu acreditava, e não ficar apegada àquela velha tradição material, e eu gostaria de estar mais fortalecida para defender isso melhor.

Participante: Eu comprei o presente. Você sai na rua para comprar presente, dá trabalho, você tem que escolher, vira uma obrigação, daí a mente divide porque você não comprou inteira, aí você sai da sanidade.

Tive experiências bastante tranqüilas neste final de ano, na companhia de vocês que compartilham com a gente todos os anos. Recebi visita de familiares , e uma das pessoas costuma ser bastante crítica, às vezes, torna-se difícil. A cada dia que passava esta pessoa foi ficando mais querida, mais amorosa. Senti que não precisei fazer esforço para não me opor à essa pessoa. Fiquei muito feliz.

Em anos anteriores já tive experiências deprimentes durante os feriados de Natal. A gente prepara tudo, a árvore de Natal, mas a reação não se sabe qual vai ser.

Foi muito bom também a gente presentear, fazer uma mesa .... O que eu faria para trazer o espírito de Natal mais para perto, sinto que ainda não está. Estamos, lá em casa, muito para fora.

Jorge: O Natal é uma data deprimente para muitas pessoas. A função do presente é servir de veículo para marcar a presença da alegria. O significado do presente seria servir de veículo para levar alegria para a outra pessoa. Como invertemos o significado de tudo, o presente também virou uma coisa deprimente. Temos uma expectativa tão grande em relação ao presente, se vamos ganhar um bom presente, qual será o presente que vamos ganhar, quando não ganhamos, muitas pessoas esperam ainda do papai Noel .

O Natal não é uma data alegre para muita gente. Porque ao invés de estarmos fazendo a Vontade do Pai, que é a alegria, a confraternização, a troca de presente ser um motivo a mais para alegrarmos as crianças, acaba sendo uma coisa sem significado. O presente perdeu o significado, que estamos vendo nos primeiros exercícios do livro, então nós damos este significado ao presente. Ele serve de veículo de aprendizado e com ele aprendemos a levar a alegria para o irmão.

A alegria ainda está aí ? Sim, a alegria ainda está, mas o objeto não! Vejam por que o objeto não tem significad0, o que tem significado é a alegria. A alegria é a Vontade e o objeto não. O objeto é um instrumento de aprendizado, não tem significado algum, nós é que damos significado para o objeto. Quando damos significado ao objeto de servir de instrumento de aprendizado, que é a única função do objeto, como de todos os corpos físicos.

Estamos acertando quando damos ao presente o significado que com ele vamos aprender a levar alegria para as outras pessoas.

O presente para a pessoa que está presente. A Jucélia compartilhou que num determinado momento pensou ‘precisa do presente’, embora o Espírito Santo gentilmente lembra qual é a Vontade do Pai. É a presença e não o objeto . Quando você vai só pelo objeto, você fica triste, entra em depressão, fica deprimido. Quando você consegue compreender isto, você consegue perceber que a alegria é estar presente e não o objeto.

Uma vez eu achava que precisava ter bebidas para alegrar a festa, depois me dei conta que as bebidas deprimem a festa. Temos que aprender a alegria de dentro que recebemos do alto, do Pai, do Espírito Santo, sem precisar de nenhum objeto. Enquanto ainda precisarmos dos objetos, como instrumento de aprendizado, podemos dispor dele, é só para isto que ele serve. Às vezes a gente aprende assim, entrando no conflito. A gente aprende intelectualmente e depois na prática vamos testar para ver como é que isto funciona.

Participante: A minha pergunta é referente uma frase no meio deste parágrafo ‘Se a tua mente pudesse estar em desacordo com a de Deus, estarias tendo uma vontade sem significado.’ Ele está se referindo a aquele texto que diz que nós não saímos da mente de Deus, quando ele nos criou, nós permanecemos na mente Dele? Será que eu entendi corretamente?

Jorge: A nossa mente está ligada à mente de Deus. Então não podemos ter uma vontade diferente da Vontade de Deus. Vontade de Deus é superior. O que é diferente são os nossos desejos. A Vontade do Pai é a presença, a tua vontade não é diferente da vontade do Pai, nem nunca vai ser, se pudesse ser seria uma vontade sem significado. O Espírito Santo nos lembra da vontade, vamos nos ligar à Vontade Divina.

Quando divergimos da mente que está ligada a Deus, que é a nossa mente Única, são os nossos desejos, não é a Vontade do Pai.

Sempre assim, quando falarmos em vontade, como diz na Oração do Pai Nosso ‘Seja feita a Tua Vontade assim na terra como já é no Céu.’

A nossa vontade deve estar de acordo com a vontade divina, ‘assim na terra como no Céu ..’ a Vontade é única, ela jamais se dividiu, então a Vontade não está dividida. O que está dividida é a nossa mente. Está dividida em vontade e desejos. Os desejos estão na parte dividida da mente que chamamos ego. Temos o desejo de dar o presente, mas a nossa vontade é, de fato, a presença.

Participante: Grata pela explicação, Jorge, compreendi agora.

Página 135
Capítulo 7- As Dádivas do Reino
VII. A totalidade do Reino
1.
Sempre que negares uma bênção a um irmão, tu te sentirás privado, porque a negação é tão total quanto o amor. É tão impossível negar parte da Filiação quanto amá-la em parte. Também não é possível amá-la totalmente às vezes. Não podes estar totalmente comprometido apenas às vezes. A negação não tem poder em si mesma, mas tu podes dar a ela o poder da tua mente, poder esse que é sem limites. Se a usas para negar a realidade, a realidade se vai para ti. A realidade não pode ser apreciada parcialmente. É por isso que negar qualquer parte dela significa que tu perdeste a consciência de toda a realidade. Entretanto, a negação é uma defesa e assim pode ser usada positivamente bem como negativamente. Usada de forma negativa, ela será destrutiva porque será usada para o ataque.Mas a serviço do Espírito Santo, pode ajudar-te a reconhecer parte da realidade e assim apreciá-la toda. A mente é por demais poderosa para estar sujeita à exclusão. Tu jamais serás capaz de te excluir dos teus pensamentos.

Participante: É tão complexo, mas este parágrafo fala de situações que vivenciamos. Num primeiro momento, estas palavras: ‘...negação, apreciar parcialmente, ataque, defesa’, todas são fruto da nossa mente fragmentada, que quer ser autora de si mesma . Isso nos leva a perder a consciência de toda a realidade . Me parece que a gente tem que estar inteiro, não tem como se estar parcialmente nem no amor nem na negação, é sempre total.

Jorge: Isso me lembrou de uma situação quando a minha mãe já estava bem velhinha, numa oportunidade ela estava passando por aquele processo de se lembrar das antigas memórias, que eu chamo de processo de expiação e que algumas pessoas chamam de Alzeimer. Ela parou por alguns dias numa memória e ela não conseguia sair deste registro, ela repetia constantemente: ‘Por que eu neguei? Por que eu fiz isso? Por que eu não dei? Por que eu não dei?’

Passava um dia, passava outro e ela não mudava de assunto. Como a gente foi aprendendo que este processo era um processo de expiação, que ela não estava conseguindo resolver e não importa o que a gente diga, ela não consegue sair daquilo. Teve um momento em que eu consegui comunicar-me com ela e perguntei: O que é que você tanto repete? A quem você estás se referindo? O que foi que aconteceu? Aí ela disse que ela tinha negado uma muda de flor para uma amiga dela, há quase 50 anos atrás. Uma amiga dela pediu uma muda de uma flor da qual ela gostava muito e somente ela tinha esta flor, era uma flor muito rara. Ela por egoísmo negou a muda para amiga dela.

Ela ficou repetindo dias e dias ‘Por que eu não dei? Por que eu fiz isso? Por que eu neguei?’ Dias e dias trabalhando esta questão internamente, que é a questão da negação. A negação não tem significado, mas quando a gente dá força para a negação ela gera uma força muito grande, porque ela bloqueia o amor.

Eu lembrei deste fato para ilustrar como a negação realmente pode ter força, mesmo que não signifique nada, quando a gente nega alguma coisa para outra pessoa ..

Quando você nega uma bênção para outra pessoa, e quando você nega uma muda de flor, por exemplo, é a mesma coisa, porque as coisas materiais são instrumento de aprendizado. Temos dificuldade de dizer para a outra pessoa que ele já tem a bênção de Deus e que nós damos a nossa bênção também. Temos muita dificuldade de dar parte do que nós temos para as outras pessoas, tudo isso bloqueia o nosso alcance do retorno ao paraíso. Como a gente não consegue dar, a gente não consegue receber.

Ela demorou um tempo para mudar desta negação para o perdão, quando ela encaixou o perdão na mente dela, que ela poderia se perdoar, aí resolveu. Foram continuas e continuas situações, às vezes acordávamos de noite e ela estava repetindo: perdão, perdão, perdão.

Uma das últimas situação eu lembro bem, acho que foi em outubro, há mais de um ano ela chamava dois nomes Alfredo Augusto. O pai dela chamava Alfredo e ela tinha um irmão que chamava Augusto, a gente não sabia ao certo e ela não explicava quem eram estas pessoas. Chamava estes nomes repetidamente. Um dia cheguei bem pertinho da orelha dela, perguntei: Que Alfredo? Que Augusto? O que aconteceu? Daí ela disse: Eu preciso pedir perdão! Ela disse que não sabia como fazer. Eu disse: Deixa comigo eu sei como fazer! Vou fazer uma meditação e vou dizer ao Alfredo e ao Augusto que você está pedindo perdão. Realmente, isso foi na hora do almoço, de tarde eu vim aqui para esta sala, fiz aqui um retiro e meditação, e disse que a Tereza estava pedindo perdão. A partir daquele momento ela nunca mais falou estes nomes.

O processo é esse, a negação tem muita força, ela prende, porque nós damos força.

Participante: Jorge, no final do parágrafo está que ‘A mente é por demais poderosa para estar sujeita à exclusão. Tu jamais serás capaz de te excluir dos teus pensamentos.’ Não sei se entendi isso direito. Como é que é isso?

Jorge: Você considera que da Mente Certa, a Mente que é a Vontade de Deus, você não consegue te excluir de Deus e nem dos teus pensamento. Você não tem um pensamento que você diga, eu não tenho nada ver com isso. Então todo o pensamento que pensamos tem força. Não adianta se excluir dos pensamentos . Um exemplo, é assim: Entro em conflito com uma pessoa e digo ‘tomara que tropece’ e no outro dia a pessoa vem aqui com o pé enfaixado, aí eu posso dizer que eu não tenho nada a ver com isso?

A minha mente é poderosa demais, eu não posso me excluir dos meus pensamento e dizer eu não tenho nada a ver com isso. Cada um dos meus pensamentos têm muito poder tanto na criação do Reino, quanto na negação. Dizer para a pessoa ‘tomara que tropece’ é uma negação do Reino, é uma negação do amor. Eu não posso me excluir dos pensamentos, dizendo que eu não tenho nada a ver com isso.

Podemos nos excluir perante as leis do mundo quando você somente pensou alguma coisa. Porque para a justiça do nosso mundo precisamos uma comprovação. A comprovação você tem por palavras, por ações e por omissões. Por pensamentos não. Você pensou isto, entretanto ‘eu não falei! Ninguém viu eu fazendo! Ninguém viu eu me omitindo de dar socorro! Então eu estou fora!’ O livro diz aqui que a tua m,ente é muito poderosa para você se excluir dos teus pensamentos . Se você pensou, você tem que ir lá e tem que fazer a expiação ‘você está com o pé torcido aí, eu quero dizer que fui eu que fiz isso, porque antes pensei que você deveria tropeçar’. Sempre que a gente tem um pensamento que não é amoroso, que é de negação ao Reino, a gente pensa um pensamento na origem, por isso: orai! e vigiai! ; vigiai! e orai! Deveríamos estar com a mente ocupada com orações e vigiar para não entrar nenhum pensamento de negação ao Reino, ou negando a nossa amorosidade , na nossa mente. Porque a nossa mente é por demais poderosa para excluir-se dos nossos pensamento, ou do que nossa mente pensa. Nós somos muito poderosos, então vigiai a mente.

Quando você se der conta que tem um pensamento equivocado, um pensamento de negação, começa a rezar. Eu estou aprendendo a fazer isso. Já comentei na semana passada, que outro dia, como era feriado, eu queria usar o elevador do prédio e só tinha um ligado e demorou, já me meio um pensamento de crítica, quando me dei conta, comecei a orar. Eu estava vigilante, senão iria me dar conta. Daqui a um pouco eu desci, deu tudo certo, nem me lembrei mais da demora.

Participante: Orar e vigiar atrai tudo de bom.

Participante: Neste caso o poder da mente também reforça todo o pensamento negativo?

Jorge: Todo o pensamento negativo, reforça o negativo. O pensamento negativo atrai o negativo. Um dos exemplos que lembro agora é de um amigo que vinha me visitar . É um homem de mais de dois metros de altura, tem uma mão quase to tamanho de uma raquete de tênis. Um dia, era inverno, ambos iríamos tomar o ônibus para ir para casa, um iria para o lado outro para outro lado, mas iríamos juntos até o ônibus. Ele disse para mim:

-Vamos Jorge, eu não gosto de andar na rua depois que escurece, é perigoso.

-Você, com este tamanho todo!

-É, porque as pessoas vem assediar a gente , eu sou muito assediado por esse pessoal que pede dinheiro, ..... vai que um desses fica violento...

-Mostra a tua mão pra eles, se eles verem a tua mão eles vão sair correndo.

-Daqui até o terminal de ônibus é uma distância de 5 quadras, aproximadamente, esse meu amigo foi assediado três vezes.

O nosso pensamento negativo tem poder porque nós damos poder . Nosso pensamento negativo sempre é um pensamento de medo.

O livro diz que o oposto do amor é o medo, não que o medo possa se opor ao amor que tudo abrange, mas porque o medo se opõe.

Quem é atacado por cachorro é a pessoa que tem medo. Porque o cachorro identifica aquele pensamento, aquele sentimento de medo. É um pensamento negativo, não é amoroso. Quando uma pessoa tem medo de andar na rua provavelmente ele tem mais chance de ser atacado do que uma pessoa que não tem. As instruções dos policiais, que se referem à situações de ataque na rua, é para não reagir. Porque a pessoa que está atacando está com mais medo que você possa imaginar.

Esse pensamento negativo tem um poder muito grande e atrai muita negatividade. O trabalho que fazem0s aqui é para realmente mudar a nossa freqüência vibratória, para não deixar entrar nenhum pensamento negativo na nossa mente. Se temos um pensamento tão poderoso, se nossa mente é tão poderosa que não temos como pensar e dizer que o pensamento não tem nada a ver, porque ele vai, encontra ressonância e pode trazer isso de volta.

Uma pessoa que é só amor, não vai ser atacada, mesmo que seja, ela vai ser tão amorosa que os pensamentos negativos vão cair no vazio, não têm significado para eles.

2. Quando um irmão age insanamente, ele está te oferecendo uma oportunidade de abençoá-lo. A sua necessidade é a tua. Necessitas da bênção que podes oferecer a ele. Não há nenhum outro modo de tê-la, a não ser dando-a. Essa é a lei de Deus e ela não tem exceções. O que tu negas te falta, não porque esteja faltando, mas porque o tens negado em outro e não estás, portanto, ciente disso em ti mesmo. Toda resposta que dás é determinada pelo que pensas que és e o que queres ser é o que pensas que és. Assim sendo, o que queres ser determina necessariamente toda resposta que dás.

Participante: Eu não compreendi muito bem a frase ‘Quando um irmão age insanamente, ele está te oferecendo uma oportunidade de abençoá-lo.’

Jorge: Quando a gente é abordado na rua por alguma pessoa, com intenções que você dê algum dinheiro, ou a pessoa está agressiva , drogado, com raiva, que ataca com palavras, esta é uma oportunidade de você abençoá-lo. Abençoado, é aquela que abençoa. Dizer para a pessoa: Tu tens a bênção de Deus. Você consegue a bênção de Deus por estendê-la. Quando você estende a bênção, você recebe pra ti e para a outra pessoa.

Uma vez um rapaz, que já não era estranho aqui na rua, me abordou e disse que queria uma cesta básica. Você não deixa por menos, você já quer a cesta básica! Já deu o valor da cesta básica. Disse que era isso que ele estava precisando e era isso que ele queria. Comecei a conversar pra descontrair, num tom amoroso ‘você tem um mercadinho no bairro....’ Ele não queria uma só coisa, era um valor considerável.

Eu estava com intenção de estender uma bênção para ele, mas eu tinha que achar a maneira de fazer com que isso não fosse uma agressão.

Não poderia ser assim: ‘eu não te dou a cesta básica, mas te dou uma bênção!’ Ele, provavelmente diria: ‘ Eu não quero bênção, eu quero a cesta básica’. N realidade ele não estava precisando da cesta básica, ele precisava de uma bênção. Eu naquele momento também, porque eu não sabia como fazer. Na meditação que fazemos no diz ‘ eu não tenho que me preocupar com o que dizer nem o que fazer, porque Aquele que me enviou me dirigirá. Conversei com ele de pessoa para pessoa, como se ele fosse um irmão, não um estranho . Quando você começa a ver a outra pessoa como um irmão ela deixa de ser um estranho. Num determinado momento, quando já estávamos bem amorosos ele já tinha esquecido a tal da cesta básica, então eu perguntei para ele se eu poderia lhe dar uma bênção. Daí ele veio e aproximou a cabeça de mim e falou que era uma coisa que ele muito queria mesmo.

Isso ainda é uma coisa muito difícil para a gente fazer, primeiro, bênção quem dá é o sacerdote, não importa de que religião. Temos um bloqueio muito grande quanto à abençoar . Temos um bloqueio muito grande quanto a sermos abençoados, é um habito que se perdeu.

Quando eu era criança a gente pedia a bênção para o pai, para a mãe, mas isso passou a ser uma coisa tão fora de moda. Paramos com isso, porque parecia uma coisa ridícula.

Há um ano atrás nós estávamos no interior de Minas Gerais, fomos na casa de um mineiro, veio um rapaz, de uns 20 anos, atender a porta e disse, meu pai já está chegando, espera um pouco. Entramos e esperamos no pátio da casa.

Quando pai chegou, o filho estendeu a mão e disse: ‘Meu pai, me dê a sua bênção!’ O pai disse: ‘Deus te abençoe, meu filho.’ Aquilo me pegou tão forte, olhei para o pai e disse para ele ‘você não é o meu pai, mas sou filho, eu também quero uma bênção’. Daí ele também me abençoou. Foi tão bom, foi uma bênção mesmo. Como ainda está sendo até agora, quando lembro disso a bênção ainda está viva.

Esse homem, que tinha aproximadamente 50 anos jovial, saudável, ele disse para mim que na vida dele ele sempre pediu a bênção para os pais, sempre que saía, sempre que chegava de manhã e que até hoje, quando vai dormir e quando acorda de manhã, ele se lembra do pai e da mãe e pede a bênção. Ele estende estas bênçãos para os seus filhos . Quando eu pedi a bênção para ele, isso foi um pouco diferente para ele, era uma pessoa estranha, que não era o seu filho. Isso aconteceu em Diamantina, as pessoas lá são muito religiosas ..

Imagine aqui na rua eu dizer para uma pessoa, ‘vem cá que eu vou te dar uma bênção’, precisamos pedir inspiração para saber o que dizer e o que fazer neste momento, mas é a nossa oportunidade.

Se você percebe que a pessoa está um pouco insana, é uma grande oportunidade de você abençoá-la. Como a insanidade pode afetar a gente, então é um momento em que a gente precisa da bênção também. Abençoado é aquele que abençoa, quando você estende a mão para abençoar a outra pessoa, mesmo que você não estenda a outra mão para o alto, a bênção vem do alto para você.

Participante: Temos que estender a mão?

Jorge: A mão é como o presente, é o instrumento físico, estender a mão, na verdade, não tem significado, nós é que damos significado, basta falar.

O que é estar insano? É estar fora da sanidade. Fora de si. Às vezes a gente comete alguma coisa errada, depois se diz ‘eu estava fora de mim’ ; ‘ele estava fora de si’.

O que é ‘si’ ? ‘Si’ é aquilo que tu és! É a sanidade, saudável mentalmente. Uma pessoa que não está saudável mentalmente, está precisando de uma bênção.

Participante: Com relação da mente insana e da bênção, me lembrei da época em que eu vivia com o meu pai, minha mãe e minhas irmãs e irmãos. A gente tinha este hábito de pedir a bênção para o pai e para a mãe. Foi muito gostosa esta fase da nossa vida. Quando ficamos mocinhas , não sei como abandonamos isso, e foi justamente aí que os problemas começaram a acontecer, quando não pedíamos a bênção para o pai e para a mãe. A gente se afastou.

Meu marido era ateu, eu tive muitas dificuldades para educar os meus filhos, eu era católica, chegou o momento de batizar, de abençoar, não acontecia isso. Sempre tive um senso muito grande que estava faltando algo. Hoje, depois da minha separação, estou tendo a oportunidade de me aproximar dos meus filhos. Outro dia minha filha e eu conversando pela internet, e a conversa era tão amorosa, tão amistosa, estávamos tão próximas, embora ela em São Paulo e eu aqui, que no final só e restou dizer: Que Deus te abençoe. Daí eu percebi que eu estava trazendo de volta este hábito, isso foi muito bom.

Participante: Outro dia eu e minha filha estávamos na rua e um homem alcoolizado se aproximou e pediu dinheiro..., eu disse que não tinha dinheiro para lhe dar e que lhe oferecia um milagre. Ele ficou muito brabo.

Jorge: Penso que não estamos, ainda, literalmente comprometidos, porque as pessoas esperam um milagre ou uma bênção de um padre, de uma freira, uma irmã. Se a gente tivesse este desbloqueio pra dizer ‘eu sou uma irmã’, que é o reconhecimento de que ele seria um irmão, assim, talvez ele não se assuste quando oferecer uma bênção ou um milagre. De uma irmã ele não espera dinheiro. Talvez seja o aprendizado, porque a gente também tem medo de falar. Como é que eu vou dizer para uma pessoa ‘eu sou sacerdote’? Será que eu já tenho tanta convicção do meu sacerdócio que eu posso dizer abertamente para as pessoas isso?

Quando você tem esta convicção, você não precisa dizer mais. Me lembro que tinha um rapaz que passava a cada quinze dias na porta da livraria no final da tarde, ele falava chorando, pedindo um dinheirinho...um dia eu estava bem na porta, quando ele veio chorar, eu disse para ele : eu já te conheço, cara, não precisa ficar chorando, pede só o dinheiro e pronto. Ele ficou meio sem jeito e disse : Se você já me conhece, você já sabe que eu passo aqui de 15 em 15 dias , para não passar todos os dias e me tornar inconveniente. Eu comecei a brincar sobre isso com ele e disse: Mas você é muito organizado! Mas falei de uma maneira que ele não recebeu como ataque. Daí ele disse, então me dá o dinheiro aí, só vou te incomodar daqui a 15 dias! Eu disse para ele: Eu tenho uma coisa melhor para ti, você quer? Ele parou, meio assustado e perguntou:

- o que é?

-é um milagre!

-um milagre?

-sim, um milagre para que você não precise mais pedir dinheiro para ninguém.

Naquele momento ele parou um pouquinho e abriu um sorriso , raramente se vê tanta luz no rosto de uma pessoa, ele sorriu tanto, ficou tão feliz, tão alegre e disse:

-é tudo que eu estou mesmo precisando na minha vida!

Ele saiu alegre, contente, nunca mais apareceu.

Às vezes a gente não está tão convicto daquilo e a pessoa percebe a falta de convicção.

Participante: Então como devo fazer para abençoar um pessoa? Devo dizer ‘eu te abençôo’ ou ‘que Deus te abençoe?’

Jorge: É mais fácil dizer ‘que Deus te abençoe’. Mas o rapaz queria o milagre.

Quando eu coloco: ‘dinheiro eu não vou te dar, vou te dar um bênção’, a pessoa recebe isso como um ataque, aí ele vai gritar. Por isso eu aprendi a perguntar se a pessoa quer uma bênção.

O livro tem uma colocação muito interessante ‘a bênção de Deus é tua e a tens para sempre’, esta é perfeita. Assim você estende a tua bênção para a pessoa, afirmando que ele tem a bênção de Deus.

Se eu digo ‘Deus te abençoe’ é como se eu não tivesse nada a ver com isso. Se eu digo ‘eu te abençôo’ é como se Deus não tivesse nada a ver com isso. Na verdade as duas coisas estão corretas, tanto faz como você fala. Não importam as palavras.... vai funcionar!

Uma boa possibilidade é dizer ‘você quer uma bênção?’ A maioria das pessoas aceita, quando a gente oferece quando há uma oportunidade. Às vezes não há oportunidade, a pessoa está muito agressiva, por exemplo. Se identificar

- ‘eu sou um irmão!’

-és padre?

-não, eu sou um irmão!

Tem as irmandades de irmãos....irmãs .... Vamos assumindo na nossa mente, começando a perceber o outro como irmão também. Se eu digo que sou um irmão, uma irmã eu reconheço o outro como irmão, uma irmã. Isso é um exercício de se fazer em um momento em que vou dizer: você quer uma bênção?

-Você vai me abençoar? Você?

-não! Eu estendo a você a benção de Deus!

-Ah bom, daí ta!

As pessoas estão muito na defensiva, daí você vai retirando as resistências dele , é muito difícil a pessoa dizer que de Deus não quer nada.

Participante: Jorge, sobre essa dica que você deu da ‘irmã’ isso vai dar certo! No final deste parágrafo, eu não sei se entendi certo “Toda resposta que dás é determinada pelo que pensas que és e o que queres ser é o que pensas que és. Assim sendo, o que queres ser determina necessariamente toda resposta que dás.”

Eu entendi que a resposta que eu dou ao meu irmão é aquilo que eu penso que eu quero ser . Vou expressar para o meu irmão aquilo que está em meu pensamento.

Seria isto?

Jorge: É isso mesmo, Reny! Quando, por exemplo, você resolve assumir o outro como irmão, a resposta que eu vou dar para ele é ‘eu sou um irmão’. A gente vai se comprometendo com isso. Então, a resposta que eu dou é aquilo que eu quero ser, eu quero ser teu irmão. Diante desta minha posição, eu vou começar a assumir aquilo que eu quero ser e o que eu quero ser vai direcionar a resposta, então vai fazer um circulo em torno destas ações, pensamentos, palavras, da maneira como eu vou passar a me comportar.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

©  2004 - Milagres